sexta-feira, 7 de outubro de 2022

CITAÇÕES

 
O pagamento de impostos é um inconveniente, certamente para quem tem mais capacidade de impor subterfúgios fiscais.

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Dois casos atuais revelam um esplendoroso universo de manha, em ambos com intervenção de autoridades públicas.

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O primeiro é a saga dos impostos de Fernando Santos, o polémico treinador da seleção nacional, que atingiu os píncaros da comédia com os queixumes do próprio e da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) contra a decisão do tribunal arbitral que deu razão ao fisco.

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Como a empresa de Santos pagava o salário de Santos, Santos teria de o declarar como salário em IRS, a não ser que reivindicasse, e esse parece ser o estratagema, que o rendimento era de dividendos da empresa, para baixar a conta.

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Raramente se terá visto uma teoria do mercado tão quimicamente absurda.

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O que se pode ainda perguntar é quantos outros esquemas são criados pelos departamentos mágicos destes escritórios de advogados.

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O segundo caso, que tem uma dimensão maior do que o primeiro, é o da zona franca da Madeira, em que vigora até 2027 um regime fiscal especial.

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A Wainfleet, um biombo do gigante russo do alumínio, a UC Rusal, que declarou em 2007 lucros de três mil milhões, se bem que só tivesse quatro funcionários numa sala no Funchal e não tratasse um grama de metal.

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Era um simples esquema de fuga aos impostos e foi festejado em Portugal.

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O problema foi que isto era demasiado espaventoso e inútil.

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O caso começou a ser incomodativo para as empresas que pagam impostos e para a opinião pública, razão pela qual o seu custo fiscal passou a ser ocultado.

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Para remediar o irremediável, as regras nacionais e as da União Europeia foram apertadas, só teriam acesso a IRC de favor as empresas que criassem emprego na região

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Meu dito meu feito, mas a regra, obviamente, não era para cumprir.

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Só que a Comissão interpôs uma queixa em tribunal contra a zona franca e a sentença foi a esperada: 311 empresas têm de devolver os benefícios que pagaram entre 2007 e 2020, mais de €1000 milhões.

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A sua localização na Madeira era uma fantasia fiscal.

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Miguel Albuquerque, com uma candura que é só dele, explica que a lei que exige a criação de emprego na Madeira não deve ser aplicada.

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Ou seja, o que é bom para a Madeira é que estas empresas não tenham de criar emprego.

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Chegaram a estar ficticiamente instaladas mil empresas num apartamento de 100 m2 no centro do Funchal e dois homens podiam declarar gerir 821 empresas.

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Há um nexo de cumplicidade entre equipas especializadas nesta criatividade jurídica, instituições e decisores políticos, que se juntam para promover o abuso fiscal.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

A prescrição moral não está regulada juridicamente, está sujeita ao julgamento final.

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[Na moral cristã] só a confissão, o arrependimento e penitência atenuam, convocando o perdão.

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Perante os casos de suspeitas e denúncias de abusos sexuais que se acumulam, todos os meses, pendendo na jugular da Igreja Católica portuguesa como um cutelo, uma parte das suas mais altas figuras permanece muda.

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A Igreja continua a defender-se com a teoria dos factos à época, como se fossem cometidos na Idade Média.

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O silêncio sepulcral que a Igreja portuguesa manteve sobre os abusos sexuais cometidos dentro da organização é lancinante.

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O mais recente caso de Ximenes Belo é um paradigma do oculto.

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Não fosse a fortuna de vivermos no tempo do Papa Francisco e nada teria mudado.

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Uma vez mais, a Igreja a olhar para o passado recente sem sair da Idade Média. Medieval, portanto.

Miguel Guedes, JN

 

Se dúvidas existissem sobre como a Justiça angolana se tornou essencialmente política, nas suas influências e nas suas tomadas de posição, a decisão do Tribunal Supremo de Angola sobre o pedido de liberdade condicional do ex-ministro dos Transportes Augusto Tomás, a cumprir uma pena de oito anos de prisão desde 2018, seria um claro sinal de que já nem se disfarçam.

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[Na Angola de João Lourenço] Augusto Tomás e mais uns poucos se tornaram o bode expiatório de uma luta anticorrupção que ao invés de Justiça e reparação se tornou apenas em instrumento de perseguição política.

António Rodrigues, “Público” (sem link)

 

Não se sabe como serão as relações destes eleitos [relacionados com a operação Lava-Jato] com aqueles que depois de serem os seus perseguidores na Justiça agora se sentarão nas mesmas bancadas do Congresso.

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O que Moro e Dallagnol fizeram com a luta contra a corrupção na política brasileira envolve cinzas, mas dificilmente delas emergirá um lindo pássaro de fogo.

António Rodrigues, “Público” (sem link)

 

O conceito [Lawfare] terá sido criado por um militar norte-americano, no contexto das críticas aos Estados Unidos por violações de direitos humanos.

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A vice-Presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner, antiga primeira-dama e chefe de Estado, diz que os processos judiciais de que é alvo se podem definir por esse conceito.

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É certo que a esquerda tem usado o termo para denunciar os processos judiciais contra ex-governantes da sua linha política, mas o fenómeno está longe de ser exclusivo de manipulação da direita.

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[De qualquer maneira] é certo que o lawfare tem sido evocado a torto e a direito pela esquerda na defesa de governantes com processos na Justiça.

António Rodrigues, “Público” (sem link)

 

A maioria dos portugueses enfrenta, com salários não atualizados, problemas sérios com a subida generalizada dos preços.

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Não esquecer que o preço das casas – compra e arrendamento – já deixou há muito de estar ajustado aos rendimentos de quem os aufere em Portugal.

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Pergunta-se: porque não conseguem os portugueses aforrar? Será por falta de incentivos fiscais e de literacia financeira? Ou será porque não sobra nada no final do mês?

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Cerca de um quarto dos trabalhadores portugueses ganha o salário mínimo nacional e cerca de 1,5 milhões de pensionistas da Segurança Social recebe uma pensão, de velhice ou invalidez, abaixo do salário mínimo nacional.

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É também certo que cerca de 1,6 milhões de portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza.

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Tentar poupar, quando o dinheiro não chega para pagar as contas, é como ser piolho numa peruca.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)


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