sábado, 24 de junho de 2023

MERITOCRACIA E RANKINGS DAS ESCOLAS SÃO DAS MAIORES MENTIRAS DOS ÚLTIMOS ANOS

 

A IL não tem solução para a falta de professores e é obcecada com os rankings. Para a IL, os alunos e os professores das escolas que não cumprem os rankings não têm mérito.

Joana Mortágua


MAIS CITAÇÕES (238)

 
Nos últimos dez anos, morreram 26 mil refugiados e migrantes no Mediterrâneo. 2400 em 2022. 441 só no primeiro trimestre de 2023.

(…)

Metade por atrasos nos esforços de salvamento ou pela ausência de qualquer missão de salvamento.

(…)

Uma pequena parte dos meios despendidos com o “Titan” salvariam centenas destas vidas.

(…)

Uns pagaram €230 mil para acrescentarem risco às suas vidas confortáveis, outros empenharam aldeias inteiras para fugirem ao risco das suas vidas precárias.

(…)

Já dos mais de 700 que naufragaram, há uma semana, a 80 quilómetros do Peloponeso (…), sabemos que apenas 100 foram resgatados. 

(…)

Dos que morreram, só sabemos que se apinhavam num barco com 20 a 30 metros de comprimento.

(…)

Aos que sobreviveram, o Governo grego tenta impor o silêncio, talvez para não confirmarmos a estratégia europeia de pouco fazer para salvar vidas.

(…)

O cemitério em que se transformou o Mediterrâneo é a muralha que nos protege enquanto acompanhamos, angustiados, o destino de cinco milionários.

(…)

A invisibilidade protege-nos da humanidade de 26 mil cadáveres.

(…)

Imaginem como viveríamos se fossem, aos nossos olhos e nas nossas consciências, tão humanos, tão individualmente humanos, com os cinco aventureiros do “Titan”.

(…)

Sem vermos os escravizados das estufas de Odemira, das amêijoas de Alcochete ou do incêndio na Mouraria poderíamos acreditar que recebemos bem os estrangeiros.

(…)

Que percentagem teria o Chega se fôssemos um país realmente cosmopolita, como a França, o Reino Unido ou a Alemanha?

(…)

O segredo para alimentarmos a fantasia da nossa tolerância é manter os outros invisíveis para não vermos como os tratamos.

(…)

Maravilhados com a nossa própria solidariedade, abrimos as portas aos brancos e loiros que vieram da Ucrânia. 

(…)

[O segredo para acreditarmos na superioridade dos “valores europeus”] é não vermos os corpos das crianças que fugiam à fome e à guerra enquanto nos angustiamos com cinco milionários que buscaram a aventura.

(…)

O segredo [da discriminação] é a invisibilidade do outro.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

Esta semana, tivemos mais um exemplo, em torno das condições da atribuição de subsídio ao pagamento de rendas das casas.

(…)

Como diz o povo, quem se lixa é o mexilhão, sempre convocado para pagar os custos das “asneiras” da gestão, seja ela pública ou privada.

(…)

Na Administração Pública, a percentagem de trabalhadores com licenciatura ou mais é incomparavelmente maior que no privado, dado o papel do Estado na garantia de direitos e serviços fundamentais. 

(…)

A diferença salarial entre os salários praticados nos dois setores (nos seus globais) é hoje “menor que no passado”, mesmo para o conjunto dos que possuem licenciatura ou mais.

(…)

No caso dos “licenciados no início de carreira, no período recente” verifica-se erosão total da diferença.

(…)

Existem dados que provam um crescimento acelerado do número de trabalhadores, com licenciatura ou mais, em trabalhos não qualificados no setor privado e recebendo o salário mínimo.

(…)

O setor privado fica, assim, mal na fotografia: anda muito pouco à procura de “talento”.

(…)

[Os salário do setor público] agora estão a crescer menos que no privado.

(…)

Temos uma harmonização de salários entre os dois setores feita em retrocesso e inserida numa política de desvalorização salarial e das profissões.

(…)

Neste processo, o Governo assume, tristemente, o papel de vanguarda.

Carvalho da Silva, JN

 

Há-de haver uma altura em que este governo do PS seja substituído por um governo do PSD, muito provavelmente aliado à IL e com qualquer forma de acordo com o Chega.

(…)

A comunicação social permanecerá politizada e persecutória como é hoje, misturando casos sérios com trivialidades.

(…)

Continuando a não haver escrutínio no sentido jornalístico da palavra, mas secções de escândalos, misturando tudo.

(…)

E, convém não esquecer, protegendo pelo silêncio quem querem proteger, seja para manter o alvo político, seja porque são dos “nossos”.

(…)

O Ministério Público continuará a actuar como faz hoje, noticiando com grande celeridade que abriu um inquérito sobre determinada pessoa ou acção, mesmo quando sabe que não tem qualquer fundamento legal para a penalizar.

(…)

Se esta “herança” permanecer intacta, nenhum governo sobrevive sem ter, ou grandes poderes, ou grandes protecções.

(…)

As leis e práticas referidas vão continuar, mas deixarão de ser um escândalo, a comunicação social, se se mantiver a politização actual à direita, vai respirar de enorme alívio porque “conseguiu” e vai proteger os seus “seus”.

(…)

O PS e a esquerda farão então o que a oposição faz hoje, mas sem os mesmos meios dado que não têm o aparelho de propaganda jornalístico-político que está hoje montado, e muito menos a sua agressividade.

(…)

Terão a tarefa facilitada na substância, mas fraca no altifalante.

(…)

O fundo populista vai continuar em crescendo, mas o populismo pelo seu conteúdo antidemocrático não “come” da mesma maneira o mesmo alimento.

(…)

Haverá gente que cuidará disso, e são bons nessa gestão da fúria do escândalo.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)

 

O eurodeputado Pietro Bartolo tentou fazer passar no Parlamento Europeu (PE), no princípio desta legislatura, uma resolução para criar um serviço de busca e salvamento europeu, mas, estranhamente, a proposta acabou chumbada por dois votos.

(…)

O segundo pior naufrágio de migrantes na história recente do Mediterrâneo, em que terão morrido mais de 500 pessoas, grande parte delas mulheres e crianças, já foi, entretanto, abafado mediaticamente pela caça ao submarino de turismo para ricos que desapareceu no Atlântico Norte.

(…)

É pouco provável que o seu impacto venha a alterar a política europeia em relação aos desesperados que arriscam a vida para chegar a um qualquer bom porto que os receba.

(…)

O que Bruxelas parece desejar mesmo é que a questão desapareça por si só ou que as embarcações dos traficantes de seres humanos sejam condenadas.

António Rodrigues, “Público” (sem link)


ESTAMOS A ASSISTIR A UM RETROCESSO NOS DIREITOS DAS MULHERES

 

O que o governo diz hoje a uma grávida é que não consegue garantir que a maternidade estará aberta no dia em que estiver em trabalho de parto ou se a equipa que a seguiu estará no seu hospital no dia em que precisar. Nem mesmo, se tiver azar na zona do país em que vive, se terá acompanhamento devido durante toda a gravidez.

Joana Mortágua


É POSSÍVEL RESOLVER A CRISE DA HABITAÇÃO

 



As propostas do Governo para a habitação eram insuficientes, com a cedência aos especuladores imobiliários tornaram-se irrelevantes. É possível resolver a crise da habitação: limitar o valor das rendas e controlar as prestações do crédito à habitação.

Mariana Carneiro


“LADO A LADO” SOBRE O PACTO EUROPEU DE ASILO E MIGRAÇÕES, A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O FIM DOS ESTÁGIOS NÃO REMUNERADOS

 

Neste episódio do “Lado a lado”, O José Gusmão e eu, conversámos sobre o Pacto Europeu de Asilo e Migrações, a Inteligência Artificial e o fim dos estágios não remunerados. (Marisa Matias)

Para ver a versão completa do podcast 👉🏼https://youtu.be/bQIrlusMJsA


ISRAEL EM VIAS DE LEVAR A CABO MAIS UMA DECISÃO ILEGAL

 

Autoridades de ocupação de Israel preparam-se para aprovar, na próxima semana, mais de 4500 novas unidades de habitação nos colonatos ilegais na Margem Ocidental (Notícia emitida a semana passada)


sexta-feira, 23 de junho de 2023

CITAÇÕES

 
O quase insignificante episódio da escala de Costa em Budapeste dissolveu-se no ar. 

(…)

Tudo é leve e, portanto, passa depressa.

(…)

O que restou, no entanto, foi a pergunta mais difícil: e o “não passarão”, entoado em tom heroico em comícios ainda há pouco, aliás até repetido no Parlamento como um chamamento às armas.

(…)

Que é feito dessa promessa garbosa de um levantamento antifascista, de uma intransigência moralizante, de uma aliança progressista europeia.

(…)

Nada, pois era o que se esperava.

(…)

Qual é então a surpresa sobre a confraternização com Orbán? Nenhuma. 

(…)

Para esta política internacional não valem valores.

(…)

O que “passa” e o que “não passa” não importa neste jogo de bancada.

(…)

Orbán tem 17 anos de primeiro-ministro e domina a Hungria sem limitação à sua deriva autoritária.

(…)

Putin, que declara terçar contra a degradação homossexual do Ocidente, financia partidos de extrema-direita onde pode. 

(…)

[A extrema-direita pode recuperar] presidência argentina, com a particularidade de que o candidato seguinte é sempre mais estapafúrdio do que o anterior.

(…)

Trump 2 é pior do que Trump 1 e DeSantis é a sua caricatura.

(…)

Assim, o “não passarão” teria bons argumentos: é preciso para salvaguardar e ampliar direitos essenciais e essa política tem povo.

(…)

No discurso [da extrema-direita] sobre as migrações e o medo do outro não há novidade, foi assim desde sempre.

(…)

Mas a incidência do ódio contra as mulheres tem contornos novos.

(…)

Elas, entretanto, constitucionalizaram e normalizaram direitos e formas de igualdade que passaram a fazer parte da cultura social.

(…)

[As extrermas-direitas] não passarão se a maioria se erguer pelos fundamentos da igualdade democrática.

(…)

A hipótese de vitórias em grandes países europeus, além de Itália, (…), está, portanto, a ser jogada nestes anos, não estando determinada. 

(…)

No entanto, o que se pode perguntar é qual é a razão para uma resistência tão débil. 

(…)

Pior do que uma desilusão, [Macron, Scholz e Costa] são uma confirmação, cada qual à sua maneira, da recusa de constituir um campo alternativo. 

(…)

[Eles pensam] que assim conseguem uma confiança da oligarquia, que os preferirá às aventuras dos arruaceiros da extrema-direita.

(…)

É que não há solução social que não seja mais exigente do que qualquer política redistributiva do passado.

(…)

A resposta aos problemas “estruturais” — energia, transportes, habitação, saú­de — exige levantar do chão os bens comuns como raiz da democracia.

Francisco Louçã, “Expresso” (sem link)

 

Há um contributo que o Governo poderia perfeitamente dar para evitar que o debate político e o espaço mediático estejam permanentemente tomados por lamentáveis sobressaltos.

(…)

Ao ir à bola com Viktor Orbán — o tirano húngaro (…) o nosso primeiro-ministro protagonizou mais um desses episódios recorrentes.

(…)

Primeiro, o nevoeiro. A viagem não estava na agenda oficial, embora tenha sido feita em avião do Estado. 

(…)

Costa acabou por vir esclarecer que afinal tratara de aceitar um convite da UEFA. Essa informação não muda nada.

(…)

A questão é: o que levou Costa a aceitar este e a omitir a deslocação da sua agenda oficial? 

(…)

Sabe-se apenas que o resultado é um momento politicamente censurável.

(…)

Que Costa tenha de sentar-se à mesa do Conselho Europeu com este leal amigo de Trump e Putin é uma obrigação institucional.

(…)

Que agora decida ir ao convívio com Orbán (…), é ao mesmo tempo frívolo e infame.

(…)

[Há ainda] a contradição absoluta entre o discurso inflamado do PS e do próprio António Costa em torno das “linhas vermelhas” contra a extrema-direita em Portugal.

(…)

A sensação que fica só pode desgostar todas as pessoas democratas.

(…)

Os valores democráticos merecem mais rigor na atuação dos responsáveis políticos.

José Soeiro, “Expresso” (sem link)

 

Stockton Rush, é o diretor executivo da empresa proprietária do Titan e era ele que pilotava o submarino nesta expedição.

(…)

[Ele] tinha afirmado que a segurança pode ser puro desperdício e que existe um limite para as preocupações com ela. 

(…)

Acontece que, quase em simultâneo com o desaparecimento deste submarino com cinco pessoas a bordo, naufragou junto à Grécia uma traineira, vinda da Líbia, com 700 pessoas a bordo.

(…)

A grande maioria continua desaparecida e fala-se em 100 crianças entre elas.

(…)

A quase simultaneidade das duas notícias permitiu estabelecer com clareza o impiedoso contraste com que elas foram tratadas pela comunicação social e o do interesse que mereceram da nossa parte.

(…)

Neste contraste está espelhada a miséria coletiva que nos domina e que domina o mundo ocidental.

(…)

As autoridades gregas não deixam os sobreviventes falar com a comunicação social e relatar o que viveram.

(…)

Há também relatos de sobreviventes a nadarem para longe do auxílio da Guarda Costeira, por acharam que estes guardas os iriam afogar.

(…)

As buscas por sobreviventes não mereceram atenção nem o uso de meios sofisticados. Sejamos claros: salvar estas pessoas e trazê-las para terra pode ser crime.

(…)

As vítimas e os sobreviventes do naufrágio de Pylos não reúnem os requisitos que prendem as televisões e que comovem a maioria dos portugueses. Ficou à vista.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)

 

À confirmação da morte dos cinco ocupantes do Titan no Atlântico Norte, contrapõe-se o desaparecimento recente de mais de 500 migrantes no mar Mediterrâneo que, neste último caso, se soma às 21 mil mortes e desaparecimentos desde 2014.

(…)

Não há parentes pobres na morte, mesmo quando a visibilidade e interesse da opinião pública se dirigem mais para o episódio e menos para a História.

(…)

A utilização de veículos subaquáticos operados remotamente para inspeccionar o fundo do mar, denominados ROV, convocaram três países e um dispendioso conjunto de meios, enquanto que aos migrantes do Mediterrâneo entregam-se simples buscas à superfície.

(…)

Esta esquadria de discrepância não pode servir para fundamentar senão o desinteresse pelas causas e pelas motivações. 

(…)

Aos migrantes sobreviventes do Mediterrâneo, a Grécia impõe a ditadura do silêncio.

(…)

Apesar dos protestos da comunidade civil, a guarda costeira grega não se desvia um milímetro de eventual grau de culpa. 

(…)

A dimensão da morte não se pode ligar aos números, mas sim às causas que lhe dão vida. 

Miguel Guedes, JN


É PRECISO ALARGAR OS PRAZOS DE PRESCRIÇÃO DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA MENORES

 

O projeto de lei do Bloco, já aprovado na generalidade, propõe que nos crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores, bem como no crime de mutilação genital feminina sendo a vítima menor, o procedimento criminal não se extingue, por efeito da prescrição, antes de o ofendido perfazer 30 anos.

Joana Mortágua


RUÍDO DESNECESSÁRIO

 
Via "Expresso" Economia

IL QUER ABRIR UMA GUERRA COM OS PROFESSORES

 

A IL propõe o fim do concurso por graduação e a seleção de professores pelos diretores. Nuno Crato implementou um modelo semelhante e o resultado foi um caos completo na Escola Pública.

Joana Mortágua


CONTINUA A FÚRIA TERRORISTA ISRAELITA CONTRA OS PALESTINIANOS


Colonos terroristas israelitas levaram a cabo 310 ataques contra casas e propriedades palestinianas em Nablus e áreas circundantes durante as últimas 24 horas (notícia de ontem). Via Palestinian Information Center


MORRERAM POR AFOGAMENTO 2406 SERES HUMANOS EM 2022

 

Até junho de 2023 já se contabilizam mais de 500 seres humanos mortos a tentar chegar à Europa em busca de uma vida melhor. (Via AP Manes)


quinta-feira, 22 de junho de 2023

CONTA-NOS O TEU TESTEMUNHO DE COMO É QUE ENFRENTAS ESTA CRISE DA HABITAÇÃO

 

Estás em risco de perder a tua casa por causa do aumento da renda ou dos juros do crédito à habitação?

Não encontras casa porque o preço é demasiado alto?

Preenches os critérios do apoio do Estado para a renda mas não o recebeste?

Envia-nos o teu testemunho para casaparamorar@bloco.org


FRASE DO DIA (2074)

 
Ao apresentar medidas que não tinha intenção de aplicar e ao não ouvir as dezenas de milhares de pessoas que saíram à rua, a maioria absoluta prova que é voz do poder imobiliário.

Vasco Barata, “Público”


GOVERNO DESISTIU DO SNS

 

A progressiva e crescente substituição do SNS pelos grupos privados alastra-se a todas as especialidades, aos meios de diagnóstico e aos serviços de farmácia. Perante 1,7 milhões de pessoas sem médico de família, o Ministro da Saúde entusiasma-se com um concurso em que 7 em cada 10 vagas ficaram por preencher e alegra-se com o desastre porque se conforma com um SNS de cuidados mínimos.

O Bloco sabe bem quais são as prioridades para o SNS e propõe as soluções para lhes dar resposta. Atribuir médico de família a todas as pessoas, aumentar a resposta em todo o território, respeitar as carreiras dos profissionais e um SNS centrado nos utentes. O governo, por seu lado, desistiu.

Mariana Mortágua


EM BENEFÍCIO DOS RICOS...

 
Via "Diário de Coimbra"

GOVERNO ESTÁ A CRIAR UM HISTÓRICO DE RECUOS

 

Dos vistos gold ao apoio no pagamento das rendas, o governo do PS tem-se pautado por falsas promessas e recuos.

Isabel Pires


ISRAEL MANTÉM CERCA DE 1200 PALESTINIANOS EM PRISÃO ADMINISTRATIVA, INCLUINDO 19 MENORES E TRÊS MULHERES

 
Via "The Palestinian Information Center"

quarta-feira, 21 de junho de 2023

OBSTETRÍCIA: QUEM NÃO CONSEGUE PAGAR NO PRIVADO FICA SEM ACOMPANHAMENTO

 

A saúde materna está a ser colocada em causa. Ao governo não basta explicar o que fez para garantir a previsibilidade dos serviços obstétricos, é preciso garantir que eles não encerram.

Joana Mortágua


CITAÇÕES À QUARTA (58)

 
A guerra é uma luta pela hegemonia, então [Guerra do Peloponeso] territorial e comercial, tal como agora, embora lhe chamemos financeira, o nome que resume a extração de todas as rendas de todos os tributos aos dominadores. 

(…)

A superioridade dos hegemons (…) já não é o medo da potência dominante que faz mover os seus adversários, é antes a perceção da sua fragilidade que impulsiona a sua própria iniciativa.

(…)

Assim foi e a justificação para as guerras posteriores foi sempre a de Péricles, o que representa a luz do mundo deve impor-se sobre as sombras.

(…)

Claro que ouvir Putin a anunciar que tem por missão combater a decadência homossexual do Ocidente (…) tem a sua particularidade obscena.

(…)

Sabemos como começa a Cruzada que pretendem e tantos políticos desejam, mas não sabemos como acaba.

(…)

Os europeus, que se juntaram ao coro, bem se podiam lembrar, se vamos por analogias, de que a quarta cruzada se dedicou a pilhar a sua aliada Constantinopla.

(…)

O objetivo da guerra é justificar a guerra, o que significa desumanizar o inimigo, bestializá-lo e retirá-lo do âmbito da conversação possível, ou da diplomacia.

(…)

Os discursos dos chefes desta guerra [na Ucrânia] prosseguem esse objetivo [de ter um inimigo absolutamente inumano] e a prática confirma-o.

Francisco Louçã, “Expresso” online (sem link)

 

O recente caso das crianças colombianas que conseguiram sobreviver durante quase mês e meio na floresta amazónica é um testemunho de que sem água não há vida e sem biodiversidade não sobreviveremos no globo terrestre.

(…)

A floresta amazónica é uma floresta trópico-equatorial (…) é de extrema relevância para a vida na Terra.

(…)

Estas florestas (pluvisilva) das regiões equatoriais são ecossistemas de elevadíssima biodiversidade.

(…)

É do conhecimento geral, que só há vida na Terra porque há água neste planeta e que o corpo dos seres vivos é maioritariamente constituído por água.

(…)

Todos sabem que a espécie humana é capaz de sobreviver dois a três meses sem comer.

(…)

Mas não há ninguém que faça greve de sede, pois não aguentava mais do que dois ou três dias vivo.

(…)

É por isso que, em todo o Globo Terrestre, é fundamental preservar as florestas e as zonas húmidas, não só por conterem uma grande diversidade e quantidade de seres vivos, como também por serem reservas de água.

(…)

O derrube florestal tem sido tão intenso que da floresta que cobria grande parte do Globo Terrestre quando surgiram os hominídeos, nem 25% dessa floresta existe atualmente.

(…)

Atualmente, efeitos drásticos nas áreas húmidas estão também a ser produzidos por outras “pragas” da civilização.

(…)

As zonas húmidas, além de serem ecossistemas de elevada biodiversidade, são essenciais para a vida e para a agricultura.

(…)

Por outro lado, com a revolução industrial iniciou-se a poluição do globo, agravada, durante a segunda metade deste século, com a revolução verde da agricultura.

(…)

A água, desde que esteja poluída, pode matar-nos ou provocar-nos doenças que, posteriormente, muitas vezes levam à morte.

(…)

A maioria das pessoas, não só não tem a educação ambiental necessária para entender o que se está a passar.

(…)

Há uma enorme falta de civismo, fundamentalmente por culpa dos políticos mundiais, que se preocupam essencialmente com o desenvolvimento económico.

(…)

Se conseguirmos, desta maneira, alertar e educar bem e claramente as pessoas, talvez as próximas gerações se tornem mais conscientes e sejam geridas por políticos não associados ao poder económico.

Jorge Paiva, “Público” (sem link)

 

Desde 10 de Junho que o tema de todos os dias é o alegado racismo do cartaz que irritou António Costa.

(…)

A inapropriada invocação de racismo não é nova em António Costa.

(…)

O resto foi uma manobra mediática, previamente pensada para prejudicar a imagem pública dos professores e o generalizado apoio às suas reivindicações.

(…)

Entendamo-nos: tanto o cartaz de António Costa, como outro, análogo, de João Costa, foram usados em várias manifestações, há vários meses. Porquê, então, esta reacção, só agora?

(…)

Porque António Costa optou por uma estratégia de vitimização para desviar a discussão política daquilo que é essencial e realmente interessa.

(…)

[Contudo, o que interessa a todos] é discutir a forma de interromper uma política educativa distópica, pela qual ele é o principal responsável.

(…)

[Costa] irritou-se, visivelmente, quando dialogou com eles [os professores].

(…)

Mas os professores também não gostam do que António Costa lhes vem fazendo.

(…)

Como se fosse natural congelar uma carreira, suspendendo parcial e unilateralmente, a favor do Estado, um contrato assinado com os professores, titulado por decreto-lei não derrogado.

(…)

Os professores estão cansados dos atropelos à sua dignidade, das mentiras e da desonestidade intelectual do ministro da Educação, que António Costa apoia.

Santana Castilho, “Público” (sem link)

 

Agora, é o Estado português a receber dias 20 e 21 de junho, através da Presidência da República e da Assembleia da República, o Presidente do Senegal com todas as honras e solenidades institucionais.

(…)

Não haveria qualquer problema se não fosse o caso de Macky Sall ser um ditador que governa através da repressão e do nepotismo.

(…)

Neste momento, existem mais de mil presos políticos no Senegal.

(…)

Macky Sall foi eleito [em 2011] e quer agora exercer um terceiro mandato que a constituição não permite.

(…)

MS urdiu um complot através de processos judiciais para afastar o seu principal challenger da corrida eleitoral ao mesmo tempo que instalou o caos para reforçar e legitimar a repressão.

(…)

Dezenas de militantes partidários e ativistas estão em prisão domiciliária por delito de opinião, com pulseira eletrónica.

(…)

Os célebres jornalistas Pape Alé Niang e Thioro Makhou Mandela, em liberdade provisória, continuam sob controlo judicial após terem sido torturados em prisão preventiva.

(…)

[Apesar de fazer parte dos 25 países mais pobres do mundo], o Senegal tem uma elite que gravita à volta do seu Presidente ostentando sinais obscenos da riqueza obtida em esquemas de corrupção.

(…)

Nunca antes o Estado foi tão capturado nas suas funções vitais como está hoje pelo clã presidencial que saqueia os recursos e reprime qualquer veleidade democrática.

(…)

MS [Macky Sall] tornou-se o pior Presidente da história do Senegal [apesar da espectativa que a sua eleição suscitou].

(…)

O regime do Presidente MS é um regime mafioso à moda da "família Corleone", em que o próprio, sua mulher, seus filhos, irmão e cunhado são o núcleo duro do clã.

(…)

O Senegal vai iniciar a exploração do petróleo, do gás natural, do lítio tornando-se assim uma cobiça de tantos interesses económicos e geopolíticos.

(…)

Macky Sall quer aproveitar disso para arranjar aliados a nível internacional para limpar a imagem de ditador e manter-se ao poder para garantir o controlo dos recursos naturais ao seu clã.

(…)

Portugal deve escolher intransigentemente a democracia e os direitos humanos em detrimento dos negócios.

(…)

Nenhuma diplomacia económica autoriza a legitimação da ditadura.

(…)

O Estado Português não pode branquear um ditador como Macky Sall.

Mamadou Ba, “Público” (sem link)