segunda-feira, 24 de abril de 2017

FRASE DO DIA (529)


A direita extrema que Le Pen representa é das mais perigosas da Europa, porque não só é mesmo aquilo que dizemos que ela é, como a verdade, por muito que nos custe, é que Le Pen ganhou já bastante e qualquer ganho para Le Pen é muito preocupante.
Pacheco Pereira, Público

A MARCA DA IMPREVISIBILIDADE


Reflectindo sobre o que decorre actualmente à nossa volta, não diremos nada de novo se afirmarmos que o mundo está a tornar-se exponencialmente perigoso a cada dia que passa. E isso não acontece apenas pela acção de regimes ditatoriais/autoritários mas em democracias que são tidas como consolidadas. Hoje mesmo tivemos conhecimento do resultado final da primeira volta das eleições presidenciais de ontem em França e, apesar de se configurar para a segunda volta uma derrota da candidata de extrema-direita, a verdade é que estas forças obtiveram, para já, o seu melhor resultado de sempre. Trata-se de mais um aviso para todos os amantes da democracia e da liberdade que estão a sofrer tratos de polé por todo o mundo.
De qualquer maneira, o caso mais significativo sobre as ameaças à liberdade e à democracia vem dos Estados Unidos, com a recente eleição de Trump. A “imprevisibilidade” é a marca “indelével” da nova administração americana, como muito bem afirma Domingos Lopes em artigo de ontem no Público, cujo conteúdo reproduzimos a seguir. De Trump é possível admitirmos tudo e o seu contrário sendo que ambos têm o condão de ser coisas más.
A administração Trump tem como marca indelével a imprevisibilidade. Pode ser o que se estava à espera e o contrário do que se esperava ou a tomada de medidas em frontal oposição com o seu compromisso eleitoral. Para Trump não há passado, nem futuro. Apenas navegação presente ao sabor dos vários conflitos abertos nas suas equipas de colaboradores e dos que martirizam o mundo. A própria dimensão do conflito não interessa a Trump, apenas saber o que pode retirar da sua existência para se afirmar enquanto líder da maior potência mundial.
Os conflitos mundiais para Trump encaixam-se na moldura do Twitter e pouco mais: sem um levantamento estratégico a convocar atores e a enfrentar desafios a vencer. Para Trump, os problemas resolvem-se a tiro de Tomahawks ou de bombas de destruição massiva, como a apelidada de mãe de todas as bombas.
A milhares e milhares de quilómetros dos EUA, algures na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, alegadamente jihadistas do Daesh construíram, no meio de quase nada, túneis e por eles transitam, segundo os militares do Pentágono. Pois bem, Trump lançou a mãe de todas as bombas local para matar tudo o que por ali tivesse vida. Tudo. Não se sabe ao certo o número de mortos, nem talvez se venha a saber. Sendo a mãe de todas as bombas dá para poder imaginar o grau de destruição da dita bomba. Lampeiro, no meio de militares, Trump, aplaudiu a explosão, afirmando que com ele não se brinca e dará cabo do Daesh.
Dias antes tinha falado dos bebés gazeados, pequenos bebés, e a sua “indignação” levou-o a puxar pelo gatilho e a matar o que os Tomahawks encontrassem. Nos dias seguintes, a China, que era o arqui-inimigo dos EUA durante a campanha eleitoral, passou a país de estimação com quem Trump assegura irá cooperar para a resolução do problema coreano… caso contrário, ele trata daquele país sozinho.
Trump, mesmo enquanto candidato, nunca foi de fiar. Agora, enquanto Presidente, mais parece uma espécie de catavento em busca da melhor direção soprada pelos conselheiros que lhe estejam mais à mão e ordenar o bombardeamento da Síria com 59 misseis Tomahawks ou o longínquo Afeganistão, em ruínas, com a mãe de todas as bombas.
Do que se consegue alcançar, a sua estratégia passou pelo bombardeamento da Síria (antes de se apurar os autores do criminoso gazeamento de gente indefesa com gás sarin) e do Afeganistão com a mãe de todas as bombas para ver se com tais atos de guerra alcançava algum relevo internacional. Canhoneira, acima de tudo.
Trump é o produto de uma elite inculta que confunde a riqueza pessoal com a capacidade para governar e que tem no seu ADN a ideia de que tudo se pode alcançar com o poder do dinheiro. O seu mundo é uma espécie de torres, como as suas na 5.ª Avenida de Nova Iorque; o outro mundo é o de gente miserável que não soube vingar e enriquecer como ele e os seus amigos…
Basta ter montanhas de dinheiro (obtido com a esperteza conhecida de quem despreza os concidadãos e as regras da vida pública) para, com base nesse atestado, chegar ao poder e fazer o que queira. Confundir a capacidade de um empreiteiro para ganhar dinheiro de mil maneiras com a capacidade para governar um país, por acaso o mais poderoso, é um monumental logro que nos diz muito do mundo em que vivemos.
Trump trata o mundo como alguém que não faz a mínima ideia do que resulta das várias placas do passado civilizacional que as diversas culturas foram gerando e que o configuram na atualidade. No plano interno, não imagina os equilíbrios entre as diversas instituições que compõem os EUA. Para ele, os tribunais que revogam os seus decretos presidenciais não defendem a segurança dos EUA. Confunde grosseiramente o mundo, a civilização, a cultura, com os estúdios da Fox ou de qualquer televisão de “reality shows” onde sempre se impôs com o boné à cidadão bronco dos EUA. Trump não tem a arte de saber ponderar e rodear-se de dirigentes ponderados que lhe digam em que bases assenta o mundo atual.
Para Trump, os conflitos resolvem-se acrescentando conflitos; nunca lhe passará pela cabeça que no mundo dos nossos dias ninguém vai resolver nada sozinho, por mais força que tenha.
Tudo isto é Trump; a lástima é que os líderes da União Europeia arreiem as calças quando Trump dispara.
Se o mundo era um local inseguro, com este adolescente perdido com obnubilações pelo seu novo poder ficou mais inseguro.

MIGUEL PORTAS, PARA SEMPRE NA NOSSA MEMÓRIA



domingo, 23 de abril de 2017

FIM DA DISCRIMINAÇÃO SALARIAL NO SECTOR DO CALÇADO. QUE SIRVA DE EXEMPLO!


In Expresso Economia

FRASE DO DIA (528)


Já constatámos que a aposta numa maior escolaridade e formação é sempre um ganho para quem as faz, mas se o país não tiver uma matriz de desenvolvimento que integre as formações adquiridas, pouco ganha numa perspetiva estratégica.

BOAVENTURA SOUSA SANTOS RECEBE MAIS UMA DISTINÇÃO



O Prof. Boaventura Sousa Santos é um cientista social muito difícil de definir, tal é a abrangência do seu conhecimento. Ele é sociólogo, professor Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É igualmente Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Tem uma vastíssima obra publicada em Portugal e no estrangeiro mas é ”lá fora” que lhe reconhecem continuamente o seu valor. Infelizmente, é mais um daqueles casos de gente carregada de mérito mas quase esquecida no seu país.
Em cima deixamos um recorte de uma página interior do Diário as beiras onde se menciona a atribuição de mais uma distinção ao Prof. Boaventura Sousa Santos, neste caso, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Ouro Preto, Brasil.  

sábado, 22 de abril de 2017

UMA ANEDOTA CHAMADA GASPAR


Está visto que com um ministro das Finanças como Gaspar não iríamos longe. Ao menos devia ter algum decoro e estar calado.

CITAÇÕES


Os cuidadores cuidam dos outros mas ninguém se lembra de cuidar deles – e esse é um falhanço que nos diz respeito a todos.
(…)
Para os doentes de Alzheimer – como para tantas outras pessoas que ficam dependentes - falta quase tudo.
(…)
[Para os doentes de Alzheimer] falta uma rede nacional de cuidados integrados que responda a todas as necessidades.

Numa época de coisificação das pessoas, talvez seja tempo de voltarmos ao básico e se colocar, também no ensino, a tónica na dignidade da existência humana e na liberdade de autodeterminação, quer colectiva, quer, especialmente, no plano individual.

O Presidente da República falou recentemente sobre as responsabilidades do Estado português na abolição da escravatura em partes do seu território. Será que o abolicionismo “lava mais branco(s)”?

A delapidação da REN [Reserva Ecológica Nacional] tem sido gradual, liderada não só por governantes, mas por grupos económicos que fazem pressão para alterar e aligeirar a legislação.
Maria Amélia Martins Loução, Público (sem link)

Em que estado tem de estar um partido para precisar que Relvas volte da sua travessia do oceano?
Pedro Santos Guerreiro, Expresso (sem link)

Poucas coisas são tão perigosas como, em nome do juízo sobre ex-políticos, suspender – definitiva ou momentaneamente – princípios vitais dos quais depende uma sociedade decente.
Pedro Adão e Silva, Expresso (sem link)

O movimento anti-vacinas é um bom retrato da solitária e ignorante soberba, que cinicamente se encosta na confortável proteção que os outros lhe garantem.
Daniel Oliveira, Expresso (sem link)

[Nas centrais nucleares ibéricas] os problemas, as falhas, as paragens “técnicas”, as omissões, os segredos e as mentiras fazem parte do dia a dia.
António Eloy, Expresso (sem link)

A política apropriou-se de Fátima quando descobriu que estava ali uma fonte de coesão nacional.
Carlos Azevedo, Bispo, Expresso (sem link)

No mundo atual, o que acontece com a vossa “geringonça” é uma maravilha. É quase único.
Fernando Henrique Cardoso, ex-Presidente do Brasil, Expresso (sem link)

É verdade que a materialização da chamada Geringonça criou um espaço para construir um futuro plural capaz, em Portugal.