sexta-feira, 5 de maio de 2023

CITAÇÕES

 
As crises do Governo, todas autoinfligidas, têm caminhado inexoravelmente do péssimo para o patético.

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Pode pensar-se, e é o meu caso, que é uma patologia da maioria absoluta.

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Mas há mais do que isso, pois esta longa agonia cava trincheiras, desgasta a vida democrática, desautoriza o debate político, desvaloriza as formas de controlo, bloqueia alternativas.

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Há governantes que se comportam como crianças no recreio.

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E a direita limita-se a discutir a forma de aproximação à extrema-direita.

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Quanto menos vale o episódio, mais dramática se anuncia a conclusão final deste jogo.

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A isto se chamou um dia “pântano”.

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O pântano tornou-se a forma de governar da maioria absoluta, que nem sabe nem quer sair disto.

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António Costa, como já se percebeu, é o padrinho do populismo e está orgulhoso do seu papel.

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Que Galamba tenha entretido o país com o folclore de agressões, sequestros, ameaças à segurança nacional e outras farsas, ainda vá, é o mundo que ele compreende. 

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Quando o chefe do Governo justifica uma crise, que deu demissão do ministro, com acusações a um adjunto, desce a um patamar em que nunca pensei ver alguém com a sua responsabilidade.

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O ministro [Galamba] ainda assim se demitiu para fingir e o primeiro-ministro resgatou-o heroicamente, chamando a isto “consciência”. 

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O ponto a que se baixou, como se o povo fosse estúpido e não percebesse o insulto.

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A mentira de Galamba foi uma coisa quase trivial, no ponto em que as coisas estão. 

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É tudo telenovela, não é? 

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O que ficámos a saber, ninguém se esqueça, é que Galamba é o homem escolhido para privatizar a TAP e para isso fica.

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A questão, na minha opinião, é que a mentira é tolerada como um exercício do poder. 

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O exemplo mais grave foi o documento com contas falsificadas que a ministra da Segurança Social enviou ao Parlamento em setembro.

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Foi o suporte para uma operação de atemorização de milhões de pensionistas.

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A mentira [apoiada pelo primeiro-ministro] durou três semanas, o Governo entregou depois contas verdadeiras.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Quando falo do fim do trabalho aos meus alunos, eles ficam perplexos, como se nunca tivessem ouvido falar de tal coisa.

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O trabalho tem ainda um valor quase sagrado, um valor moral manifesto. 

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Aquele que não trabalha é um preguiçoso, um malandro, um parasita da sociedade. E, como é sabido, só os pobrezinhos que se sacrificam irão para o Céu.

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Somos todos muito mais do que o nosso trabalho.

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Falamos em ser e não em fazer, porque o trabalho é vivido como uma identidade.

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Fazer o que se gosta não é trabalho. Cuidar da casa, de filhos, de netos, de familiares doentes não é trabalho.

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Este trabalho é desvalorizado, invisível, não remunerado e, no entanto, é fulcral para a nossa sociedade.

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À direita o valor moral do trabalho é um clássico.

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À esquerda encontramos uma quase fetichização da figura do trabalhador enquanto identidade.

Luísa Semedo, “Público” (sem link)

 

António Costa surpreendeu o país com a decisão de não aceitar a demissão de João Galamba.

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Em vez de ceder às exigências de Marcelo Rebelo de Sousa, da generalidade dos comentadores, dos restantes partidos e da opinião pública, que apontavam para a queda do ministro das Infraestruturas, Costa não foi por aí.

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Na decisão de António Costa estava indiscutivelmente contido um desafio a Marcelo Rebelo de Sousa.

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Diz-se que foi uma encenação e boas razões haveria para ter sido.

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A autoridade e o poder de Marcelo foram postos em causa e essa foi a leitura que o país fez.

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Claro que o grande impacto que a decisão do primeiro-ministro teve prende-se com o facto de todos termos acreditado que Marcelo era capaz de o fazer [diga-se, dissolver o Parlamento].

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O líder do PSD acusou António Costa de querer provocar eleições antecipadas.

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É que quem deveria querer provocar eleições antecipadas é Luís Montenegro e esse deveria ser o propósito da oposição perante um Governo com maioria absoluta que, segundo clama, não serve para o país.

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Mas mais extraordinário ainda é denunciar e acusar Costa de querer aquilo que ele mesmo deveria querer.

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Montenegro está convencido que, num cenário de eleições antecipadas, o PSD perderá novamente.

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A direita está numa posição delicadíssima. Contesta, critica, opõe-se e exige, mas tem medo de ir a eleições. Isto tem consequências.

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No que depender do PSD este Governo tem uma autêntica carta branca para prosseguir com ou sem trapalhadas.

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Estas declarações de Luís Montenegro fazem perceber um pouco melhor porque António Costa se atreveu a tanto.

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Resta à direita inventar razões para não exigir a Marcelo que dissolva a Assembleia da República.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)

 

 Se os poderes presidenciais não são matéria da qual Marcelo abdique, resulta também evidente que Belém vive num contexto de mãos atadas.

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 A responsabilidade de João Galamba terá de ser medida pelo seu grau de franqueza, pela medida da sua irascibilidade e pela inquestionável falta de comprometimento institucional que revelou

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O que se passou na inenarrável conferência de imprensa de Galamba diz respeito à incapacidade de dezenas de assessores conseguirem assessorar um ministro que não revelou preparação para ouvir e ser, de facto, ministro.

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Há um ajuste de contas à ilharga entre PR e PM e nada será como dantes.

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É sintomático que Marcelo não sinta Luís Montenegro como uma alternativa e que Montenegro não clame por eleições. 

Miguel Guedes, JN

 

A Faculdade onde leciono assistiu, a partir de 2017, à chegada de um número muito elevado de estudantes provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

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De início, esta situação gerou, entre os docentes, uma onda de entusiasmo.

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Porém, à medida que as semanas avançavam, os motivos de preocupação foram-se adensando.

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Findo o 1.º semestre, a reprovação e o abandono atingiram níveis inéditos, fortemente humilhantes para os próprios.

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Tornou-se evidente que a criação de contingentes especiais, cuja existência amplamente defendemos, teria de ser complementada com medidas robustas de inclusão.

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A grande maioria não utilizou o português ao longo da vida. Comunicou, consoante os casos, nas suas línguas locais ou em crioulo.

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Não ponho outra hipótese senão a de que se avançará, já no início do próximo ano letivo, com um plano orientado para a compensação dos problemas dos estudantes dos PALOP, em especial dos provenientes da Guiné.

Miguel Chaves, “Público” (sem link)

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