(…)
As empresas fósseis, como é do conhecimento geral, são as
principais responsáveis pela crise climática, pelos sucessivos recordes de
temperatura que estão a ser batidos durante as últimas décadas por todo o
mundo.
(…)
Estas empresas sabiam da existência deste efeito há pelo
menos cinco décadas.
(…)
Desde então, investiram massivamente não só na sua atividade
como na criação de dúvidas acerca da crise climática, escolhendo esconder e
desacreditar aquilo que conheciam.
(…)
Não existem quaisquer dúvidas: já morrem milhões de pessoas
todos os anos por causa da crise climática.
(…)
As perdas de colheitas, fome e escassez nutricional, a falta
de água e de água potável, a exposição de longa duração a temperaturas elevadas
(…) já matam centenas de milhares todos os anos.
(…)
Das pessoas que todos os anos são forçadas a sair das suas
casas e terras depois das mesmas serem devastadas pela crise climática,
(…) quantos milhares não morrem?
(…)
Apesar da cumplicidade de outros mecanismos de violência, a
responsabilidade pela morte destas pessoas pode e deve ser atribuída às
administrações atuais e passadas das empresas petrolíferas e que promovem o uso
de combustíveis fósseis.
(…)
Existem seguramente mais cúmplices, numa economia
propositadamente viciada em combustíveis fósseis, mas entre os mais
responsáveis estão os sucessivos governos.
(…)
[Estes crimes] estão a acontecer todos os dias à frente dos
nossos olhos, muitas vezes pagos e subsidiados com o dinheiro dos nossos
impostos.
(…)
No próximo
dia 13 de maio, o movimento pela justiça climática vai parar essa infraestrutura [Porto de Gás Natural Liquefeito de Sines, da REN]
e o crime do gás em Portugal.
João Camargo, “Expresso” online
Há semanas que Marcelo se entrega a um jogo
perigoso e irresponsável.
(…)
Foi
flirtando a crise política, exibindo a ameaça de dissolução, sem qualquer
argumento constitucional ou alternativa política.
(…)
Foi,
numa absurda incontinência, fazendo cálculos políticos e eleitorais em público.
(…)
E foi
fragilizando um Governo que, apesar da sua maioria absoluta, vive as
consequências de ter sido transformado num ringue para putativos sucessores.
(…)
Um
Presidente que passa semanas a falar de dissolução (…), faz saber nos jornais
que quer o ministro na rua tem de estar mesmo disponível para dissolver.
(…)
A
questão relevante nem são as notas da reunião entre o grupo parlamentar do PS e
a CEO da TAP.
(…)
Não
tivesse o gabinete do Ministério levado tudo para a comunicação social e seria
um mero desentendimento interno.
(…)
Há
coisas mais importantes, como a utilização do SIS.
(…)
Mais
tarde se verá se foi legal, mas dificilmente foi proporcional perante
documentos classificados a pedido do próprio adjunto e que ele conhecia tão
bem.
(…)
O mais
relevante é a gestão de uma crise num gabinete, transformada numa crise política
nacional.
(…)
Em vez
de resolver o problema dentro de portas, passaram dias a atirar tudo para a
ventoinha.
(…)
[A
carta de demissão de Galamba] era uma encenação que o próprio
primeiro-ministro não queria disfarçada.
(…)
Enfrentar
a elite mediática servia para arregimentar as tropas e quem espera um líder
forte. Resultou.
(…)
João
Galamba só não cai porque este caso encostou o pescoço de Costa ao cutelo de
Marcelo e o primeiro-ministro aproveitou o insuportável incómodo para se
libertar.
(…)
Costa
fez com Marcelo, que tende a subvalorizar a inteligência dos seus oponentes, o
que já fizera com o BE e o PCP: o tudo ou nada.
(…)
Jogada
brilhante, disseram [do lado da elite mediática].
(…)
Brilhante
é resolver os problemas das pessoas.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
Soa de
algum modo absurdo celebrar um dia nacional do ar e um dia internacional do
ruído como aconteceu em abril.
(…)
A má
qualidade do ar tem sido denunciada como estando na origem de um número
assustador de doenças (…) e até de mortes prematuras (em Portugal 6 mil
por ano).
(…)
Tudo
concorre no ar que respiramos, sobretudo nas cidades, para um grave problema de
saúde pública.
(…)
Na UE,
o alarme soou há muitos anos e foram impostas normas sobre a qualidade do ar.
(…)
Conseguimos
não resolver o problema de forma gradual e sistemática e torná-lo politicamente
cada vez mais difícil de solucionar.
(…)
Por
outro lado, o problema do ruído parece sempre passageiro e fica sempre
permanente.
(…)
O
ruído [dos aviões] não só interfere com a vida e o trabalho na cidade
[de Lisboa] (…) como também acaba por atingir a saúde.
(…)
O
ruído é algo a que a sua vítima não pode escapar.
(…)
Fazê-lo
não pode ser a irresponsabilidade ou a agressão impune que continua a ser.
(…)
[O
aeroporto da Portela] é uma causa maior do elevado nível de ruído em que a vida
da cidade decorre.
(…)
A
principal causa de ambas [qualidade do ar e ruído] vai dar ao irracional
sistema de mobilidade e aos veículos em circulação que o suportam.
(…)
Os vícios
crónicos [do ordenamento do território] colocaram as nossas cidades na
dependência de um sistema de mobilidade rodoviária cujos escapes e ruído
atingem diretamente a saúde de todos.
Luísa Schmidt, “Expresso” (sem link)
Penso que o Governo é medíocre em muitas áreas e merecia uma
remodelação a sério.
(…)
O que
se passou [o dia 2 de Maio de 2023, nas rádios e
na televisão, e os dias subsequentes] nada tem que ver com o
jornalismo e o efeito desse comportamento é tão devastador que já não se sabe o
que é jornalismo.
(…)
Isto é
política, não é jornalismo e muito menos escrutínio. É certo que tal se passava
num contínuo de comentadores e jornalistas, mas alguém viu a diferença?
Nenhuma.
(…)
Os
painéis de comentário, com jornalistas e comentadores no dia 2, o dia crítico,
e em menor grau nos dias seguintes, não tinham qualquer diversidade nem
contraditório, a esmagadora maioria era de direita.
(…)
Jornalistas
e comentadores variavam entre uma de duas respostas. Uma é que de facto Costa
“venceu”, na linguagem futebolística que, por ironia, deve muito a Marcelo
comentador; outra a de que, após o “ralhete”, o Governo ficaria em prisão
domiciliária.
Pacheco Pereira, “Público” (sem link)
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