sexta-feira, 8 de setembro de 2023

CITAÇÕES

 
A Google pode vangloriar-se de fazer parte de um quarteto de empresas que têm como clientes grande parte da população mundial.

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De facto, estas empresas exploram os dados comportamentais dos utilizadores e oferecem-lhes um simulacro de vida.

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Desse modo, elas são governo do mundo, jamais alguma empresa teve tanto poder sobre os seus clientes.

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Em 2015, foi descoberto que quem visitasse os 100 sítios mais populares importaria seis mil cookies para o seu computador, quase todos sem relação com a pesquisa e 92% dos quais enviando dados para a Google.

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Há em toda esta transfiguração do poder digital uma figura ímpar que merece destaque nesta secção de economia. É um brilhante académico, Hal Varian, professor da Universidade da Califórnia, que foi contratado em 2002 para economista chefe da Google.

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A história [das Aventuras de Robinson Crusoe] é uma alegoria ao poder absoluto (e curiosamente também à liberdade religiosa).

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[Hal Varian] apresentou Crusoe como o modelo do “mercado de um homem só”.

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[A tarefa de Hal Varian é] fazer acreditar a toda a gente que é Crusoe e vender-lhes a publicidade que a Google gere.

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O exemplo favorito de Varian era que os serviços da empresa permitissem a uma seguradora desligar o motor de um automóvel se o pagamento do seguro estivesse atrasado.

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Resultou, é hoje a maior empresa de publicidade digital do planeta e há quase 20 anos que Varian é o seu profeta.

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Cada pessoa será uma ilha, como no universo maravilhoso de Crusoe, embora não viva isolada, pois é mapeada pela empresa que datifica o mercado.

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O pesadelo de saber tudo sobre toda a gente é um grande objetivo comercial.

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Esta é uma realidade que a história do capitalismo moderno nunca conhecera até hoje.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Ser mãe isolada, com um só salário, não ter a boa cor de pele atira muitas pessoas para a rua, mas também para tetos que não são casas.

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[Há] situações onde o teto não é uma casa, porque é um lugar tóxico, como no caso de jovens LGBTI+ que ou são maltratados ou não ousam dizer quem são, com medo de perder o teto e de não encontrar casa.

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Estes lugares tóxicos assemelham-se aos das mulheres vítimas de violência que, por não terem condições para ter casa, permanecem no mesmo teto que o agressor.

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Quando oiço falar de Mais Habitação, penso: “Mais” não chega, é preciso melhor.

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[Há casos em que o realojamento de pessoas para um novo bairro social se fez para] habitações que continuaram a ser tetos, mas que, aos poucos, se foram tornando menos “casa”.

Luísa Semedo, “Público” (sem link)

 

No balanço dinâmico entre estar atento ou participativo, Marcelo defende a primeira e pratica a segunda. 

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[A “crise” Galamba] significava o fim da cronologia de coabitação que se foi mantendo entre Belém e São Bento.

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Era a incapacidade da Oposição para se erguer como alternativa que fazia Marcelo e Costa esperarem por melhores dias de guerra.

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O veto ao diploma Mais Habitação e a forma indiferente como esse mesmo veto é recebido em Conselho de Ministros traçam uma ode à indiferença. 

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[Marcelo] está disposto a ultrapassar pela direita os deveres de equilíbrio que defende e diz proteger. 

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Mal vai o regime quando os dois maiores protagonistas políticos da legislatura praticam esta leitura de desrespeito sobre a dimensão pública e institucional dos cargos que juraram proteger e elevar.

Miguel Guedes, JN

 

Entre os participantes na reunião plenária do Conselho de Estado está a pessoa que violou o sigilo.

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A gravidade desta violação é enorme. O carácter não público das reuniões está na Constituição.

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Estamos a falar de aconselhamento ao Presidente da República e pronúncia sobre temas fundamentais da vida democrática.

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Uma fuga de informação tem necessariamente implicações no funcionamento futuro do Conselho de Estado, ou seja, os conselheiros terão presente que o que se passar ali poderá vir cá para fora.

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Há aqui uma evidente degradação de princípios que estão defendidos ao mais alto nível.

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É dado a ver aos portugueses que personalidades com responsabilidades políticas e institucionais não estão à altura do compromisso que assumiram e desonram as suas funções.

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E claro que existem dois temas aqui: a fuga de informação e o significado do silêncio de António Costa.

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[Luís Montenegro] fez do silêncio de António Costa um tema central nas suas intervenções, ignorando que soube desse silêncio porque alguém incumpriu um dever fundamental.

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Não há melhor concretização de falta de sentido institucional que comentar informações que não deveriam ter sido reveladas.

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Mas Marcelo Rebelo de Sousa não andou melhor. Desde logo, não criticou a fuga de informação e sobretudo atirou-se a comentar o silêncio de António Costa

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Alguém quis criar uma intriga política e não olhou a meios para o conseguir. E pior: foi muito bem-sucedido.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)

 

Tom Morello foi convidado para as comemorações oficiais dos 50 anos do golpe de Pinochet no Chile, que se assinalam na segunda-feira.

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O guitarrista dos Rage Against the Machine (RATM) e dos Audioslave é um activista (…) que sempre assumiu a música como uma questão política.

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Armado com “as ideias da solidariedade, igualdade, luta pela justiça e o antifascismo”, Morello e os RATM construíram uma carreira de desafio ao capitalismo e ao neoliberalismo, contra o racismo.

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[Nos últimos 30 anos], os RATM [terão sido] muito bons na passagem subliminar das suas mensagens [políticas].

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Cinquenta anos depois, o Chile do presente continua extremamente marcado pelo passado, pelos acontecimentos de 11 de Setembro de 1973.

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O Chile foi o seu [do mais puro neoliberalismo] laboratório na terra, com o beneplácito do ditador e milhões de cobaias à disposição.

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E é nesse contexto que surge Dirty Wars: 11 de Septiembre, um jogo de vídeo agora lançado para chegar a tempo da data redonda dos 50 anos.

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[Trata-se de] um jogo stealth que demorou seis anos a ser desenvolvido e que pretende “mostrar o contexto daquele tempo”: um tempo em que os espectros invadiram a luz do dia para enterrar a sociedade mais justa que Salvador Allende não teve tempo de construir.

António Rodrigues, “Público” (sem link)


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