quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A LUTA CONTRA AS PORTAGENS NA A22
Começou quase 'na clandestinidade', foi ganhando adeptos e ontem o movimento de combate às portagens na Via do Infante viu finalmente a luz do dia.
Para já, um grupo de sete pessoas constituiu-se como representante do 'coro' de protestos, e embora sejam apologistas do diálogo, não excluem outras formas de luta lá mais para a frente. por enquanto ainda de forma virtual, sobretudo nas redes sociais. Comissão é de carne e osso e promete passar à ação, mas ainda sem data marcada.
"Em primeiro lugar, vamos pedir reuniões com o Governo, as forças políticas da região e as associações empresariais. Depois, marcaremos uma nova reunião para dar conta das iniciativas futuras", declarou João Vasconcelos, um dos mentores do grupo.
Vasconcelos, que é também coordenador regional do Bloco de Esquerda, garante que o movimento é totalmente apartidário e convoca outras estruturas regionais a aderirem a uma causa que é de todos, algarvios e não só. "Não pretendemos partidarizar este movimento, que está aberto a todos. A nossa ideia é transversal, atrair independentes e outras associações, de empresários e de comerciantes, esse é o passo seguinte", afirma o responsável.
"Pretendemos também reunir com outras associações de utentes, a nível nacional, para poder aprender e evitar cometer alguns erros", acrescenta José Domingos, outro dos representantes da Comissão.

Espanhóis poderão juntar-se à causa


Domingos, dono de uma empresa de jardinagem, utiliza a Via do Infante numa base diária, como forma de ligação entre os vários concelhos onde tem negócios. A estrada, diz, é uma espécie de espinha dorsal da região, e não se pense que as portagens vão afetar só os portugueses, avisa.
"Tenho muitas pessoas espanholas que costumam vir a Portugal e gastam cá dinheiro, que agora ponderam deixar de vir. Para além do mais, do lado de lá é quase tudo gratuito, podemos ir à borla até Madrid", afirma ao Expresso. "Penso que vamos também conseguir reunir apoios do lado espanhol", admite.Talvez porque considere que a Via do Infante nem sequer tem condições de autoestrada, apontando defeitos à má qualidade do piso, José tem esperança de que o Governo venha ainda a dar o dito por não dito.
"Não seria a primeira vez que o faria. É preciso irmos à luta e fazer pressão, porque eu acredito que é possível não virem a existir portagens na Via do Infante", afirma José Domingos.

"A crise não justifica tudo, só vai trazer mais crise"


Como argumentos, os representantes da Comissão Anti-Portagens na Via do Infante (cuja página do Facebook pode ver aqui) apontam o financiamento comunitário de mais de metade da estrada, à época da construção, a falta de uma rede de transportes regional decente na região, a elevada mobilidade das pessoas no Algarve e a crise social e económica (o Algarve tem a maior taxa de desemprego do país) que será ainda mais agravada com esta medida.
"Sinto que estamos a voltar ao passado. Assisti a muitas mortes na EN 125, a muitos engarrafamentos, e estou revoltado com esta decisão do Governo e é por isso que estou aqui hoje a aderir a este movimento", declarou aos jornalistas.
Para já, para além do agendamento das reuniões com os responsáveis políticos e de outras associações, a Comissão de Utentes da Via do Infante promete criar um sítio na Internet e convidar as associações humanitárias de bombeiros que transportam doentes na Via Infante e os taxistas para integrarem a comissão.
"A crise não pode justificar tudo. Se introduzirem as portagens no Algarve é uma injustiça quando comparado com outras regiões e só vai provocar ainda mais crise no tecido social", conclui João Vasconcelos.
In Expresso

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