(…)
A mudança na estrutura e liderança do MENAC é relevante, mas
as alterações legislativas não deviam deixar de ser acompanhadas de uma real
avaliação de impacto das medidas actualmente em vigor.
(…)
Independentemente da boa vontade, não olhar para os
inenarráveis mecanismos de contratação pública a que as autarquias e organismos
públicos estão obrigados é não olhar para o elefante no meio da sala.
(…)
Simplificar estes mecanismos, garantindo maior clareza e
transparência, assim como a punição exemplar das prevaricações, será a única
forma de trabalhar as contendas das decisões de poder nas autarquias.
(…)
O modelo actual é reconhecida e completamente insano e
imobilizador, injectando todo o veneno que a demagogia procura para poder
caracterizar o poder autárquico como incompetente ou corrupto.
(…)
Sem a coragem para debater a punição do enriquecimento
ilícito e o estatuto de delação premiada, sem o destemor de criminalizar a
colocação de riqueza em “offshores”, sem querer seguir o rasto desse dinheiro,
nada será significativamente diferente.
(…)
É necessário simplificar processos para conhecer e punir.
Há exactamente um ano eu estava na Palestina.
(…)
Passei
as semanas do Natal nos lugares onde um terço da população da Terra acredita
que Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu.
(…)
A
Terra Santa transformada em Terra Fantasma, vias e escadarias desertas, portas
de metal fechadas de um lado e do outro, lojas, oficinas, restaurantes.
(…)
Pela primeira vez na História não houve Árvore em Belém.
(…)
O Papa
já trouxe a palavra “genocídio” para o meio dos seus fiéis: num livro a
publicar em breve, de que se conhecem excertos, Francisco pede que seja
investigado se Israel está a cometer genocídio.
(…)
A
Amnistia Internacional acaba de concluir que sim. Dando razão a tudo o que a
relatora da ONU Francesa Albanese já tinha dito, e tantas outras organizações
mais pequenas no terreno.
(…)
Radical é o que Israel está a fazer à Palestina (mais ao
Líbano, e agora à Síria).
(…)
Nada, até agora, foi radical o bastante para parar isso. Nem
perto disso.
(…)
Mas
para cerca de 2,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo — um terço dos humanos
— a Palestina é também a Terra Santa. Que é feito deles?
(…)
Que
significava ler os Evangelhos em Jerusalém Ocupada? Quem era aquele homem que
para um terço dos humanos é Filho de Deus? O que era ser irmão-irmã Dele?
(…)
O turismo cristão foi uma grande fonte de receita do Estado
de Israel.
(…)
Durante
décadas, milhões de cristãos de todo o mundo foram aos lugares da Terra Santa,
percorreram a Via Dolorosa de Cristo, deixando dinheiro em Israel.
(…)
E todo um aparelho de judeus israelitas e empresas israelitas
viveu do turismo cristão.
(…)
Entretanto,
milhões de palestinianos que mal viviam de algumas lojas, e alguns hotéis,
vivem do nada agora, com a diferença de serem reféns de Israel.
(…)
De não terem um Estado.
(…)
Não sei quando o turismo vai voltar à Terra Santa. Este Natal
volta a não haver Árvore em Belém.
(…)
Só que com muito mais mortos do que há um ano. Muito mais
pobres. Muito mais emigrados (quem pôde).
(…)
Mas
quando for possível voltar aos lugares de Cristo, uma coisa que cada cristão
pode fazer é ir lá com guias palestinianos, dormir em lugares palestinianos.
Ver o muro como o muro é. Ver o escândalo como o escândalo é.
(…)
Cristo não ficou morto na Cruz, mas está morto em Gaza.
(…)
[Cristo] está morto a cada momento que isto não pára, e não
vai nascer sozinho.
(…)
A Terra Santa não é do Estado de Israel. Natal não é quando
Israel quiser.
(…)
Este Natal, como o anterior, é uma vala comum.
Alexandra Lucas Coelho, “Público” (sem link)
A
Biofuelwatch, organização não-governamental, com intervenção no Reino Unido e
nos Estados Unidos, e a Acréscimo, associação cívica sediada em Lisboa, vão
apresentar no corrente mês os resultados de um estudo sobre o impacto no perigo
de incêndio florestal da queima de biomassa para a produção de
eletricidade.
(…)
Antecedendo a publicação do estudo será divulgado um
documentário (…) alertando para os prejuízos em termos de
acréscimo de emissões de GEE, de poluição e de perda de biodiversidade
decorrente da massificação da utilização de biomassa florestal primária na
produção de energia.
(…)
O
documentário e o relatório analisam a evolução do perigo de incêndio face à
presença de unidades de queima de biomassa para a produção de eletricidade.
(…)
Desde
o início da entrada em exploração dessa central [de queima de biomassa no
concelho do Fundão] não se verificou qualquer benefício em termos de redução da
área ardida num raio de cinquenta quilómetros em
torno desta.
(…)
Ainda
no que respeita à unidade de queima do Fundão, não deixa de ser caricato que a
mesma tenha sido instalada em terrenos contíguos a habitações pré-existentes e
tenha entrado em exploração sem as devidas autorizações.
(…)
Afigura-se haver inequívoca debilidade na avaliação dos
impactos negativos provocados por esta central na saúde pública.
(…)
No
plano nacional, os dados sobre incêndios em áreas florestais não revelam qualquer
impacto positivo da aposta do país nas centrais de queima de arvoredo ou partes
deste para a produção de eletricidade.
(…)
De facto, os dados comprovam que tal argumento [redução do
perigo de incendio] não passa de um mito.
(…)
Outros
dois mitos associados à queima de biomassa lenhosa na produção de energia são
de que se trata de uma fonte renovável e de que o balanço em carbono
é nulo. A realidade é que a contabilidade associada a tais argumentos é
manipulada no sentido de anular os fatores negativos.
(…)
São
vários os estudos que associam esta queima a maiores níveis de poluição e de
emissões, a par de contribuírem para a contração da área de coberto arbóreo e,
desta forma, para a perda de biodiversidade.
(…)
No fundo, a queima de arvoredo ou partes deste não passa de
uma biofarsa.
Paulo Pimenta de Castro, “Público”
(sem link)
Quando não existia subsídio de Natal (14.o mês), o trabalho
não era reconhecido como direito universal e não havia verdadeiros contratos de
trabalho. As entidades patronais utilizavam este período para mostrarem
espírito colaborativo e generosidade.
(…)
Estas pessoas [denominadas “criados” e “criadas de servir”
estavam 24 horas por dia à disponibilidade do patrão sem qualquer contrato de
trabalho. Eram colaboradores, quando deviam ser trabalhadores.
(…)
Numa empresa ou organismo público tem de existir cooperação
entre os trabalhadores que aí laboram e compromissos, com força de lei,
negociados por patrões e trabalhadores (coletivo) que estabelecem direitos e
deveres de cada um na relação de trabalho, para cooperarem.
(…)
As transições contemporâneas (digital, energética e
demográfica) não vieram acabar com as assimetrias. São crescentes os
desequilíbrios em desfavor dos trabalhadores.
(…)
Neste Natal vemos que está a aumentar o número de pessoas
que, embora trabalhando, são pobres. Cresce o número de portugueses e
imigrantes sem abrigo que têm emprego.
(…)
Chamar aos trabalhadores colaboradores não melhorou os
salários que se praticam em Portugal.
(…)
Chamar aos trabalhadores colaboradores não melhorou os
salários que se praticam em Portugal.
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