sexta-feira, 11 de julho de 2025

CITAÇÕES

 
A obsessão do Governo pela imigração e pela nacionalidade, que ocupam a sua atenção desde que tomou posse, não serve para travar a extrema-direita. 

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Também não serve para resolver ou prevenir problemas. Se servisse, trabalharia com dados.

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Na imigração continuamos sem dados rigorosos atualizados, porque o Observatórios das Migrações foi suspenso.

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É contra estes [imigrantes] que o Governo tem apontado as baterias.

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Apesar de ter alegado um aumento exponencial de pedidos de nacionalidade para mudar a lei, a média mensal desceu 12,5% de 2024 para 2025.

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O foco obsessivo serve para esconder o falhanço nas duas áreas que um barómetro recente apresentou como as prioritárias para os portugueses antes da imigração: saúde e habitação.

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Sabendo que os fluxos migratórios se vão intensificar, porque o mundo está mais pequeno e interligado, [os políticos] fazem escolhas.

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Se apostam no medo, dificultam o rea­grupamento familiar, impedem a construção de lugares de culto para quem não seja cristão.

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Claro que para receber imigrantes é preciso investir em serviços públicos. Mas sai mais barato culpá-los pela crise no Serviço Nacional de Saúde, na habitação ou no pré-escolar.

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Para justificar o fim do “não é não”, (…) Leitão Amaro disse que estes temas devem ser tratados por moderados, não por radicais.

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Leitão Amaro quer dizer-nos, como um marido apanhado em traição, que “isto não é o que parece”.

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Este tipo de “moderado” determina os seus valores pela média das posições dominantes, mesmo quando se radicalizam. 

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Dou poucos meses para estarmos a discutir a possibilidade de dar prio­ridade a filhos de portugueses no acesso ao pré-escolar.

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A banalização do mal é garantida pelos que, não sendo convictos, vão para onde sopra o vento. 

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Este suposto “moderado” só se imagina em minorias resistentes nas tragédias do passado.

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Com oportunismo e cobardia, inspira fundo o ar do tempo. É deste género de “moderados” que é feito o Governo.

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Escolheu uma política radical, mas não lhe parece que o seja porque corresponde ao pensamento hegemónico.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

É inqualificável que crianças sejam usadas como joguetes políticos, é insustentável que tal seja permitido na casa da democracia, pesa a todos que tal não seja suficiente para que tenhamos noção do que é um limite a ser ultrapassado. 

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Costuma dizer-se que há gente que não se importa de vender a mãe para atingir os seus objectivos.

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A complacência parlamentar com o ódio e a discriminação mancharão para sempre o Parlamento, enlutando a democracia.

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Um simulacro de decência no Parlamento.

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A seguir, o debate sobre a lei de estrangeiros, onde todas as audições parlamentares foram chumbadas.

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A mudança de paradigma desta limpeza ideológica está a bater à sua porta com novos preços a pagar.

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A vizinha Espanha acabou com os “vistos gold” após ter-se apercebido de que quase todos eles se direccionavam para investimentos imobiliários.

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Portugal resolve atacar a sua crise da habitação pela perseguição aos “okupas”, uma nova loucura demagógica e alucinada sobre a ocupação de imóveis.

Miguel Guedes, JN

 

Nós, médicos, profissionais e estudantes na área da saúde de diferentes partes do país escrevemos com o coração pesado pela morte de 284 pessoas durante a onda de calor que ocorreu entre os dias 23 de junho e 2 de julho em Portugal.

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Escrevemos em luto. Mas também em luta.

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Durante estes 10 dias de calor extremo, a crise climática triplicou o número de mortes por calor em 12 cidades europeias.

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Das 2305 mortes em excesso atribuídas ao calor nessas cidades, cerca de 1504 resultam diretamente do aumento das temperaturas causado pela queima de petróleo, carvão e gás.

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Estima-se que muitos outros milhares tenham morrido por todo o continente devido ao colapso climático, mas não sendo registadas como tal.

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Estas mortes não são uma fatalidade.

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São mortes que têm responsáveis.

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Estas pessoas morreram porque foi conscientemente decidido continuar a queimar combustíveis fósseis, mesmo sabendo que isso tornaria o planeta mais quente e mais perigoso para viver.

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Estas são mortes provocadas diretamente pela crise climática. São mortes com causa conhecida e com responsáveis identificados.

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[A crise climática] é, aos nossos olhos, a maior ameaça à saúde da espécie humana, e de todas as espécies, na história contemporânea.

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As ondas de calor são a causa de um aumento do número de hospitalizações e da frequência e gravidade do agravamento de patologias crónicas.

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A maior frequência e gravidade das ondas de calor nos verões europeus também é diretamente causada pela emissão desenfreada de gases com efeito de estufa.

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O calor extremo não é democrático. E o sistema que o gera também não o é.

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A medicina, a nossa profissão, exige que protejamos a vida.

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[Há que] garantir uma transição energética justa, rápida e profunda, para energias renováveis.

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preciso]desmantelar o sistema fóssil e o modelo económico capitalista que o sustenta.

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[Vivemos num] sistema que escolhe, todos os dias, o lucro infinito em vez da vida.

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O capitalismo, [é] o sistema que exige a valorização infinita num planeta com recursos finitos.

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É uma guerra que se faz com cheias, secas, incêndios, fome, deslocamentos forçados, e calor insuportável. 

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Queremos um SNS capaz de responder às exigências da crise climática, capaz de prestar cuidados de qualidade, de reter profissionais, que valorize as suas carreiras e que dê voz aos utentes.

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Recusamo-nos a compactuar com a destruição progressiva e planeada do Serviço Nacional de Saúde.

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Recusamo-nos a concordar tacitamente com a inação dos decisores políticos perante o colapso climático,

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As crises do clima e da saúde não podem ser separadas uma da outra de uma forma estanque. Ergamos a voz e organizemo-nos!

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A crise climática é a nossa crise.

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Não há juramento de Hipócrates que se cumpra ignorando esta realidade.

Hélio Pires, médico e mais treze médicos e estudantes de medicina, “Público” (sem link)


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