(…)
Também Francisco tem sido luz nas intervenções mais abertas
para o mundo nos primeiros dias da sua estada em Portugal.
(…)
Falou de paz e da coragem para o desarmamento.
(…)
O que vemos hoje no mundo parece ser o contrário.
(…)
Insistiu que a mulher deve ter um lugar de decisão nesta
economia.
(…)
Defendeu que mais mulheres em lugares de liderança no mundo
pode trazer-lhe mais bem-estar e mais partilha.
(…)
Insistindo, sobre a sua Igreja, disse e repetiu que esta tem
de ter lugar para todos. Para todos.
(…)
Gostaria
de pensar que a Igreja segue Francisco nesta ideia de acolhimento pleno a todas
as pessoas, seja qual for o seu género, orientação sexual, pensamento,
religião, estado civil ou origem mais ou menos periférica e pobre.
(…)
Com a
Igreja aprisionada no seu corporativismo e quase sentido de proteção de classe,
muitos cristãos e não-cristãos não se identificaram com a postura da maior
parte dos bispos portugueses – salvo raras excepções – acerca dos abusos sobre
menores.
(…)
Faltam
ainda reformas de vulto na formação do clero, faltam mecanismos de prevenção
eficazes que qualquer instituição com tantos quadros tem de ter.
(…)
O Papa
Francisco tem sido sonoro na necessidade de denúncia, de entrega à justiça
civil de quem cometer um crime sobre uma criança.
(…)
Muitas
pessoas sentem que o exemplo não tem sido seguido e, por isso, juntaram
donativos a um apelo para ser instalado um memorial pelas vítimas de abusos em
forma de cartaz.
(…)
Concorde-se
ou não com o tempo e a forma, não pode ser sob esses prismas que as autoridades
atuam, para remover ou não um cartaz.
(…)
Vivemos num Estado de direito. A liberdade de expressão
existe e tem regras, leis que a seguram, enquadram.
(…)
Tudo no cartaz era legal.
(…)
[Quanto à retirada de um dos cartazes em Oeiras] a autarquia
parece ter agido indevidamente.
Pedro A. Neto, Diretor-Executivo
da Amnistia Internacional, “Público” (sem link)
O discurso do Papa Francisco, feito na quarta-feira, no
evento designado “Encontro com as Autoridades, com a Sociedade Civil e com o
Corpo Diplomático” é um notável discurso político e uma extraordinária peça de
oratória, que ajuda a entender melhor “o sentido da vida no Mundo” e caminhos
sugeridos.
(…)
Francisco é, sem qualquer idolatria, uma das vozes mais
realistas e corajosas na reflexão sobre os desafios que se colocam aos seres
humanos, à sociedade.
(…)
O Papa interroga-nos sobre para onde navegamos.
(…)
O Papa diz-nos que é necessária “uma Europa que inclua povos
e pessoas, sem correr atrás de teorias e colonizações ideológicas”.
(…)
A “boa política” de Francisco coloca o trabalho no centro e
afirma que o “verdadeiro capital humano é a educação, a saúde, o Estado social”.
(…)
A juventude é portadora de um grande potencial transformador.
(…)
Entretanto, há que olhar à volta e ver que a maior parte da
juventude que mais sofre não está nesta Jornada, porque não tem condições para
estar.
(…)
Vai ser precisa, ainda, uma análise sólida sobre gastos
[nesta Jornada], sua origem e beneficiários.
As
semelhanças históricas, jurídicas e políticas entre o caso do Sara Ocidental (…)
e Timor-Leste são evidentes.
(…)
Não é
de estranhar que as semelhanças entre estes dois casos tenham sido sublinhadas
por muitos especialistas e analistas de todo o mundo.
(…)
Basta
sublinhar que as decisões emitidas pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ)
em 1975 e pelo Tribunal de Justiça Europeu (TJE) em 2016 confirmam que o Sara
Ocidental é um território "separado e distinto" de Marrocos.
(…)
A
decisão do TIJ confirmou, assim, que as reivindicações marroquinas sobre o Sara
Ocidental, alegadamente baseadas em laços históricos, étnicos e culturais, não
têm qualquer base factual ou jurídica.
(…)
A
alegada contiguidade geográfica e as semelhanças étnicas e culturais entre um
determinado país e os seus vizinhos nunca justificam a ocupação forçada de
nenhum deles por parte desse país, nem podem ser evocadas como argumento.
(…)
O Iraque também utilizou o mesmo argumento
"histórico" para invadir o Kuwait em 1990.
(…)
O facto
de Marrocos ter reivindicado o Sara Ocidental na década de 1960 não lhe dá
qualquer crédito por ter abordado a questão na ONU.
(…)
Para
além da ocupação ilegal do Sara Ocidental, Marrocos também atacou a Argélia em
outubro de 1963 e a Espanha (ilha de Perejil) em julho de 2002, sempre na
prossecução das suas ambições coloniais e sonhos expansionistas.
(…)
É um
facto bem conhecido que, desde 1960 até ao reconhecimento da sua independência,
em 2002, Timor foi incluído na lista da ONU de Territórios Não Autónomos, tal
como o Sara Ocidental foi incluído na mesma lista desde dezembro de 1963.
(…)
O
facto que o embaixador [de Marrocos, em artigo assinado no Público] tenta
esconder, deliberadamente ou por pura ignorância, é que Timor-Leste só foi
tratado ao abrigo do Capítulo VII após o referendo realizado a 30 de agosto de
1999 sob a supervisão da ONU.
(…)
O
processo de paz no Sara Ocidental não avançou simplesmente porque Marrocos
receou que qualquer referendo livre e democrático, baseado em eleitores
determinados pela ONU, conduzisse à independência do Sara Ocidental.
(…)
Nenhuma
solução pode ser justa ou duradoura se não permitir o direito inalienável do
povo do Sara Ocidental à autodeterminação, que só pode ser exercido através de
um processo credível, democrático e genuíno sob a supervisão da ONU.
(…)
Marrocos,
juntamente com a Indonésia, votou contra as resoluções da Assembleia Geral da
ONU sobre Timor-Leste, a começar pela resolução A/RES/31/53 de 1 de dezembro de
1976, que reafirmava o direito do povo de Timor-Leste à autodeterminação e à
independência.
(…)
De
facto, a história repete-se, e o que vemos hoje no Sara Ocidental ocupado
faz-nos lembrar Timor-Leste sob a ocupação indonésia.
(…)
[Timor-Leste] é também um país que mantém relações estreitas
de solidariedade e cooperação com a República Saraui (RASD).
(…)
Compreenderá
que a marcha do povo do Sara Ocidental para a liberdade, sob a direção da
Frente Polisário, é imparável e que, mais cedo ou mais tarde, o povo saraui
conquistará a sua soberania?
Omar Mih, representante da Frente Polisário em
Portugal, “Público” (sem link)
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