sábado, 5 de agosto de 2023

MAIS CITAÇÕES (243)

 
Apesar dos desafios, das dificuldades, dos dramas do mundo sobre os quais os jovens em Portugal têm refletido estes dias, em centenas de eventos paralelos, a postura global tem sido a da esperança, a do sorriso e a do acolhimento.

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Também Francisco tem sido luz nas intervenções mais abertas para o mundo nos primeiros dias da sua estada em Portugal.

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Falou de paz e da coragem para o desarmamento.

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O que vemos hoje no mundo parece ser o contrário.

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Insistiu que a mulher deve ter um lugar de decisão nesta economia.

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Defendeu que mais mulheres em lugares de liderança no mundo pode trazer-lhe mais bem-estar e mais partilha. 

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Insistindo, sobre a sua Igreja, disse e repetiu que esta tem de ter lugar para todos. Para todos.

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Gostaria de pensar que a Igreja segue Francisco nesta ideia de acolhimento pleno a todas as pessoas, seja qual for o seu género, orientação sexual, pensamento, religião, estado civil ou origem mais ou menos periférica e pobre.

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Com a Igreja aprisionada no seu corporativismo e quase sentido de proteção de classe, muitos cristãos e não-cristãos não se identificaram com a postura da maior parte dos bispos portugueses – salvo raras excepções – acerca dos abusos sobre menores.

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Faltam ainda reformas de vulto na formação do clero, faltam mecanismos de prevenção eficazes que qualquer instituição com tantos quadros tem de ter.

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O Papa Francisco tem sido sonoro na necessidade de denúncia, de entrega à justiça civil de quem cometer um crime sobre uma criança.

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Muitas pessoas sentem que o exemplo não tem sido seguido e, por isso, juntaram donativos a um apelo para ser instalado um memorial pelas vítimas de abusos em forma de cartaz.

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Concorde-se ou não com o tempo e a forma, não pode ser sob esses prismas que as autoridades atuam, para remover ou não um cartaz.

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Vivemos num Estado de direito. A liberdade de expressão existe e tem regras, leis que a seguram, enquadram.

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Tudo no cartaz era legal.

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[Quanto à retirada de um dos cartazes em Oeiras] a autarquia parece ter agido indevidamente.

Pedro A. Neto, Diretor-Executivo da Amnistia Internacional, “Público” (sem link)

 

O discurso do Papa Francisco, feito na quarta-feira, no evento designado “Encontro com as Autoridades, com a Sociedade Civil e com o Corpo Diplomático” é um notável discurso político e uma extraordinária peça de oratória, que ajuda a entender melhor “o sentido da vida no Mundo” e caminhos sugeridos. 

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Francisco é, sem qualquer idolatria, uma das vozes mais realistas e corajosas na reflexão sobre os desafios que se colocam aos seres humanos, à sociedade. 

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O Papa interroga-nos sobre para onde navegamos. 

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O Papa diz-nos que é necessária “uma Europa que inclua povos e pessoas, sem correr atrás de teorias e colonizações ideológicas”.

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A “boa política” de Francisco coloca o trabalho no centro e afirma que o “verdadeiro capital humano é a educação, a saúde, o Estado social”.

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A juventude é portadora de um grande potencial transformador.

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Entretanto, há que olhar à volta e ver que a maior parte da juventude que mais sofre não está nesta Jornada, porque não tem condições para estar.

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Vai ser precisa, ainda, uma análise sólida sobre gastos [nesta Jornada], sua origem e beneficiários. 

Carvalho da Silva, JN

 

As semelhanças históricas, jurídicas e políticas entre o caso do Sara Ocidental (…) e Timor-Leste são evidentes.

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Não é de estranhar que as semelhanças entre estes dois casos tenham sido sublinhadas por muitos especialistas e analistas de todo o mundo.

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Basta sublinhar que as decisões emitidas pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) em 1975 e pelo Tribunal de Justiça Europeu (TJE) em 2016 confirmam que o Sara Ocidental é um território "separado e distinto" de Marrocos.

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A decisão do TIJ confirmou, assim, que as reivindicações marroquinas sobre o Sara Ocidental, alegadamente baseadas em laços históricos, étnicos e culturais, não têm qualquer base factual ou jurídica.

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A alegada contiguidade geográfica e as semelhanças étnicas e culturais entre um determinado país e os seus vizinhos nunca justificam a ocupação forçada de nenhum deles por parte desse país, nem podem ser evocadas como argumento.

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O Iraque também utilizou o mesmo argumento "histórico" para invadir o Kuwait em 1990.

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O facto de Marrocos ter reivindicado o Sara Ocidental na década de 1960 não lhe dá qualquer crédito por ter abordado a questão na ONU.

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Para além da ocupação ilegal do Sara Ocidental, Marrocos também atacou a Argélia em outubro de 1963 e a Espanha (ilha de Perejil) em julho de 2002, sempre na prossecução das suas ambições coloniais e sonhos expansionistas.

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É um facto bem conhecido que, desde 1960 até ao reconhecimento da sua independência, em 2002, Timor foi incluído na lista da ONU de Territórios Não Autónomos, tal como o Sara Ocidental foi incluído na mesma lista desde dezembro de 1963.

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O facto que o embaixador [de Marrocos, em artigo assinado no Público] tenta esconder, deliberadamente ou por pura ignorância, é que Timor-Leste só foi tratado ao abrigo do Capítulo VII após o referendo realizado a 30 de agosto de 1999 sob a supervisão da ONU.

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O processo de paz no Sara Ocidental não avançou simplesmente porque Marrocos receou que qualquer referendo livre e democrático, baseado em eleitores determinados pela ONU, conduzisse à independência do Sara Ocidental.

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Nenhuma solução pode ser justa ou duradoura se não permitir o direito inalienável do povo do Sara Ocidental à autodeterminação, que só pode ser exercido através de um processo credível, democrático e genuíno sob a supervisão da ONU.

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Marrocos, juntamente com a Indonésia, votou contra as resoluções da Assembleia Geral da ONU sobre Timor-Leste, a começar pela resolução A/RES/31/53 de 1 de dezembro de 1976, que reafirmava o direito do povo de Timor-Leste à autodeterminação e à independência.

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De facto, a história repete-se, e o que vemos hoje no Sara Ocidental ocupado faz-nos lembrar Timor-Leste sob a ocupação indonésia.

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[Timor-Leste] é também um país que mantém relações estreitas de solidariedade e cooperação com a República Saraui (RASD).

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Compreenderá que a marcha do povo do Sara Ocidental para a liberdade, sob a direção da Frente Polisário, é imparável e que, mais cedo ou mais tarde, o povo saraui conquistará a sua soberania?

Omar Mih, representante da Frente Polisário em Portugal, “Público” (sem link)


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