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Significativo nesta situação é que os principais órgãos de comunicação social estejam a ignorar o caso que, por sinal, também é pouco simpático para o Governo. Como em política não há coincidências e, como diz o povo, “sabendo nós o que a casa gasta”, é bem provável que ande aqui uma mão invisível a calar a divulgação deste protesto silencioso dos utilizadores das ex-SCUT. Se esta moda pegasse, seria uma excelente forma de contestação a medidas injustas, sem violência e sem ruído mas com muito significado e eficácia.
Na Grécia até se criou um movimento denominado “eu não pago” com mais adeptos cada dia que passa, levando a que muitos cidadãos deixassem de pagar portagens nas autoestradas, bilhetes nos transportes públicos e facturas nos hospitais. Controladores, revisores e médicos apoiam-nos.
No caso português, a medida levada a cabo pelo Governo e apoiada, implícita ou explicitamente por PSD e CDS no sentido de portajar as SCUT não vai significar a entrada de verbas que se esperava, nos cofres do Estado, porque fez regressar uma parte importante do tráfego para as antigas estradas nacionais. Isto ainda leva a outro impacto sobre a economia que se prende com o aumento da morosidade dos transportes assim como do consumo de combustíveis e desgaste das viaturas.
Falamos de importantes argumentos que as populações atingidas poderão passar a usar no sentido de pôr termo a uma medida de flagrante injustiça social, ainda por cima, sem o impacto nas receitas que o Governo pretendia.
Luís Moleiro
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