quarta-feira, 9 de novembro de 2022

CITAÇÕES À QUARTA (27)

 
Em Portugal, como em tantos países do mundo, há escolas a serem ocupadas pelos jovens que se mobilizam pela justiça climática. 

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Num mundo que caminha irresponsavelmente para uma catástrofe, eles e elas são a voz do bom senso e da urgência.

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À frente da ONU, [António Guterres] tem-se mostrado incansável na denúncia e no alerta sobre o que estamos a viver e na insistência de um pacto entre os países.

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Na Europa, a temperatura sobe ao dobro do resto do mundo.

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Na Alemanha (mas também a China) anuncia-se (…) um regresso ao carvão e o abandono da substituição dessa fonte energética.

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As empresas de combustíveis fósseis lucram como nunca.

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Os países mais pobres são aqueles que mais têm sofrido com os efeitos das alterações climáticas. 

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O seu território a desaparecer, literalmente, com a subida do nível do mar, como acontece em países insulares.

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Os países mais ricos, que são os que historicamente mais contribuíram e os que mais beneficiaram economicamente com as emissões de carbono, continuam a não investir suficientemente na transição.

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Calcula-se entre 160 mil e 340 mil milhões de dólares por ano o valor que seria preciso para as políticas de “Perdas e Danos” que visam compensar os países mais pobres.

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Alguns países, com os EUA, Canadá e Austrália à cabeça, estão no pelotão da frente dos que mais poluíram e dos que menos contribuíram, em termos relativos.

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Portugal também está longe de ter contribuído com o que devia: menos 30% do que era sua obrigação.

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O responsável governamental pela economia já deu vários sinais de que quer reabrir essa frente [de exploração de gás em Portugal].

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[O Egito, país onde decorre a Cimeira do Clima tem]60 mil presos políticos, em que as manifestações estão proibidas há dez anos e em que os ativistas estão impedidos de fazer protestos de rua durante a COP.

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[Há muitos] patrocínios completamente contraditórios com as práticas das empresas em causa, neste caso é ainda pior.

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A questão do clima está hoje na agenda política porque houve um movimento social a empurrá-la, a obrigar os Estados a não a ignorar.

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Não há justiça climática sem direitos humanos e não há direitos humanos com repressão política e sem liberdade de expressão.

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O silêncio do governo português sobre isto, a manter-se, não me representa.

José Soeiro, “Expresso” online

 

A evidência do passado é assim usada como uma prevenção contra a repetição que parece anunciar, desdizendo o que diz.

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A sua força [da Marcha sobre Roma, que em 29 de outubro de 1922 alcandorou Mussolini ao poder] baseou-se na concentração da ação de uma força pequena de manifestantes, não na potência militar nem na sublevação popular.

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Antes de mais, Mussolini manipulava uma força inspiradora, a criação do mito, e orgulhava-se disso.

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Bolsonaro era aclamado pelos seus como sendo ele próprio o “Mito”, ou Trump multiplica o “Make America Great Again”.

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[Mussolini] não teve oposição, o rei Vittorio Emanuele III recusou-se a declarar o estado de sítio e convidou-o para ser primeiro ministro.

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Num discurso em Udine, um mês antes da marcha, [Mussolini] foi mais longe, afirmando que o fascismo seria o braço armado da política económica liberal, e, portanto, a garantia para a classe dominante.

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Trump apelou ao ataque [ao Capitólio] mas pôs-se ao fresco, a aventura desabou, faltou alguém no papel do rei – que era ele próprio – e os militares não se mexeram, como para já não se moveram por Bolsonaro.

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Se obtiver a esperada maioria na Câmara dos Representantes e talvez até no Senado, o Partido Republicano encerrará as diligências parlamentares para investigar o assunto, embora não possa parar os tribunais.

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O ascenso dos bufões do século XXI baseia-se no novo Frankenstein da política norte-americana, o Partido Trumpista, que foi forjado em poucos anos no laboratório do negacionismo democrático e das mais espantosas teorias de conspiração, e que instituiu que os resultados das eleições só se aceitam se confirmarem a vitória do próprio Frankenstein.

Francisco Louçã, “Expresso” online

 

Há hoje um feminismo liberal que entende a eleição de Meloni como um serviço à causa feminista.

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Por cá apressaram-se algumas a sublinhar que a eleição de uma mulher é, em si, um ganho, independente da ideologia e da política.

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Esta dissociação implica olhar para uma mulher na política como um vasilhame, sem ideologia nem agenda política.

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Sem lutas, sem mulheres reais, o feminismo é, assim, esvaziado de história.

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[Outro problema] é o branqueamento do pensamento desigualitário e antifeminista da extrema-direita. 

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O terceiro problema é ignorar o valor instrumental das novas lideranças femininas no “mainstreaming” da extrema-direita. 

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Caríssimas feministas liberais, por ora até podemos esquecer que se evocam Tatcher eu evoco os mineiros e a destruição dos serviços públicos.

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[É bom] não ignorar o papel que o feminismo liberal poderá ter tido nos sucessos de Trump, de Le Pen, no recuo da agenda dos direitos sexuais e reprodutivos nos EUA.

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[Apelo] a que não deixem cair a agenda que até conseguiram consensualizar com as outras, as feministas incapazes de esquecer que mais de um quarto das mulheres portuguesas vive com o salário mínimo.

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Depois do aplauso, como fica o combate contra as violências de género, a agenda dos direitos sexuais e reprodutivos e a dos direitos das pessoas LGBT?

Cecília Honório, “Público” (sem link)

 

A prevalência crescente da digitalização e da inteligência artificial no ambiente escolar ameaça desumanizar o processo de ensino, retirando-lhe laços insubstituíveis de presença, comunicação e conexão humanas.

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[O ministro João Costa] disse, na RTP 3, no dia da última greve, que o Ministério da Educação já colocou mais de 26 mil professores, em resposta a necessidades manifestadas pelas escolas desde o início do ano lectivo. Absolutamente falso.

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Mas são as afirmações do próprio ministro que expõem a desfaçatez com que adultera os factos. (…) Nem a mentir é competente.

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[Um relatório do Eurostat revela que em 2021] 22,9% das crianças e jovens portugueses com menos de 18 anos viviam em situação de pobreza ou exclusão social.

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A esta triste realidade, o discurso enviesado e ideologicamente comprometido do Ministério da Educação diz nada. 

Santana Castilho, “Público” (sem link)


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