(…)
Num mundo que caminha irresponsavelmente para uma catástrofe,
eles e elas são a voz do bom senso e da urgência.
(…)
À frente da ONU, [António Guterres] tem-se mostrado
incansável na denúncia e no alerta sobre o que estamos a viver e na insistência
de um pacto entre os países.
(…)
Na Europa, a temperatura sobe ao dobro do resto do mundo.
(…)
Na Alemanha (mas também a China) anuncia-se (…) um regresso
ao carvão e o abandono da substituição dessa fonte energética.
(…)
As empresas de combustíveis fósseis lucram como nunca.
(…)
Os países mais pobres são aqueles que mais têm sofrido com os
efeitos das alterações climáticas.
(…)
O seu território a desaparecer, literalmente, com a subida do
nível do mar, como acontece em países insulares.
(…)
Os países mais ricos, que são os que historicamente mais
contribuíram e os que mais beneficiaram economicamente com as emissões de
carbono, continuam a não investir suficientemente na transição.
(…)
Calcula-se entre 160 mil e 340 mil milhões de dólares por ano
o valor que seria preciso para as políticas de “Perdas e Danos” que visam
compensar os países mais pobres.
(…)
Alguns países, com os EUA, Canadá e Austrália à cabeça, estão
no pelotão da frente dos que mais poluíram e dos que menos contribuíram, em
termos relativos.
(…)
Portugal também está longe de ter contribuído com o que
devia: menos 30% do que era sua obrigação.
(…)
O responsável governamental pela economia já deu vários
sinais de que quer reabrir essa frente [de exploração de gás em Portugal].
(…)
[O Egito, país onde decorre a Cimeira do Clima tem]60 mil
presos políticos, em que as manifestações estão proibidas há dez anos e em que
os ativistas estão impedidos de fazer protestos de rua durante a COP.
(…)
[Há muitos] patrocínios completamente contraditórios com as
práticas das empresas em causa, neste caso é ainda pior.
(…)
A questão do clima está hoje na agenda política porque houve
um movimento social a empurrá-la, a obrigar os Estados a não a ignorar.
(…)
Não há justiça climática sem direitos humanos e não há
direitos humanos com repressão política e sem liberdade de expressão.
(…)
O silêncio do governo português sobre isto, a manter-se, não
me representa.
José Soeiro, “Expresso” online
A evidência do passado é assim usada como uma prevenção
contra a repetição que parece anunciar, desdizendo o que diz.
(…)
A sua força [da Marcha sobre Roma, que em 29 de outubro de
1922 alcandorou Mussolini ao poder] baseou-se na concentração da ação de
uma força pequena de manifestantes, não na potência militar nem na sublevação
popular.
(…)
Antes de mais, Mussolini manipulava uma força inspiradora, a
criação do mito, e orgulhava-se disso.
(…)
Bolsonaro era aclamado pelos seus como sendo ele próprio o
“Mito”, ou Trump multiplica o “Make America Great Again”.
(…)
[Mussolini] não teve oposição, o rei Vittorio Emanuele III
recusou-se a declarar o estado de sítio e convidou-o para ser primeiro ministro.
(…)
Num discurso em Udine, um mês antes da marcha, [Mussolini]
foi mais longe, afirmando que o fascismo seria o braço armado da política
económica liberal, e, portanto, a garantia para a classe dominante.
(…)
Trump apelou ao ataque [ao Capitólio] mas pôs-se ao fresco, a
aventura desabou, faltou alguém no papel do rei – que era ele próprio – e os
militares não se mexeram, como para já não se moveram por Bolsonaro.
(…)
Se obtiver a esperada maioria na Câmara dos Representantes e
talvez até no Senado, o Partido Republicano encerrará as diligências
parlamentares para investigar o assunto, embora não possa parar os tribunais.
(…)
O ascenso dos bufões do século XXI baseia-se no novo
Frankenstein da política norte-americana, o Partido Trumpista, que foi forjado
em poucos anos no laboratório do negacionismo democrático e das mais espantosas
teorias de conspiração, e que instituiu que os resultados das eleições só se
aceitam se confirmarem a vitória do próprio Frankenstein.
Francisco Louçã, “Expresso” online
Há hoje um feminismo liberal que entende a eleição de Meloni
como um serviço à causa feminista.
(…)
Por cá
apressaram-se algumas a sublinhar que a eleição de uma mulher é, em si, um
ganho, independente da ideologia e da política.
(…)
Esta dissociação implica olhar para uma mulher na política
como um vasilhame, sem ideologia nem agenda política.
(…)
Sem lutas, sem mulheres reais, o feminismo é, assim,
esvaziado de história.
(…)
[Outro problema] é o branqueamento do pensamento
desigualitário e antifeminista da extrema-direita.
(…)
O terceiro problema é ignorar o valor instrumental das novas
lideranças femininas no “mainstreaming” da extrema-direita.
(…)
Caríssimas
feministas liberais, por ora até podemos esquecer que se evocam Tatcher eu
evoco os mineiros e a destruição dos serviços públicos.
(…)
[É bom] não ignorar o papel que o
feminismo liberal poderá ter tido nos sucessos de Trump, de Le Pen, no recuo da
agenda dos direitos sexuais e reprodutivos nos EUA.
(…)
[Apelo] a que não deixem cair a agenda
que até conseguiram consensualizar com as outras, as feministas incapazes de
esquecer que mais de um quarto das mulheres portuguesas vive com o salário
mínimo.
(…)
Depois
do aplauso, como fica o combate contra as violências de género, a agenda dos
direitos sexuais e reprodutivos e a dos direitos das pessoas LGBT?
Cecília Honório, “Público” (sem link)
A
prevalência crescente da digitalização e da inteligência artificial no ambiente
escolar ameaça desumanizar o processo de ensino, retirando-lhe laços
insubstituíveis de presença, comunicação e conexão humanas.
(…)
[O ministro João Costa] disse,
na RTP 3, no dia da última greve, que o Ministério da
Educação já colocou mais de 26 mil professores, em resposta a necessidades
manifestadas pelas escolas desde o início do ano lectivo. Absolutamente falso.
(…)
Mas são as afirmações do próprio ministro que expõem a
desfaçatez com que adultera os factos. (…) Nem a mentir é competente.
(…)
[Um relatório do Eurostat revela que em 2021] 22,9% das
crianças e jovens portugueses com menos de 18 anos viviam em situação de
pobreza ou exclusão social.
(…)
A esta triste realidade, o discurso enviesado e
ideologicamente comprometido do Ministério da Educação diz nada.
Santana Castilho, “Público” (sem link)
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