quarta-feira, 9 de julho de 2025

CITAÇÕES À QUARTA (162)

 
Um estudo divulgado a partir de Berlim revela que há menos jovens na Europa a acreditar que a democracia é o melhor sistema de governo.

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A viragem à direita é um fenómeno político escrito em maiúsculas, integral e totalizante (…) capaz de virar ao contrário os valores que julgamos maioritários nas sociedades democráticas.

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O potencial deste movimento de deslocação em Portugal é assustador.

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Abre a derradeira oportunidade para derrubar a relação de forças que até hoje protegeu o essencial da Constituição da República Portuguesa: os direitos, liberdades e garantias, a universalidade do acesso aos serviços públicos essenciais e a Segurança Social.

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Neste cenário, o desmantelamento dos aspetos democráticos fundamentais da República é uma possibilidade.

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Ainda há tempo para a resistência democrática e para defender a Constituição.

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Ainda há batalhas por travar e uma delas é a escolha do próximo Presidente da República.

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[Sobre Gouveia e Melo não lhe conheço] convicções políticas nem pensamento próprio sobre uma ideia de país, além da necessidade de nos armarmos para a guerra. 

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Defendo há muito tempo que a aposta deve ser na convergência ampla em defesa do Estado social e das liberdades constitucionais, sem abdicar de posições corajosas sobre as ameaças ao direito internacional e à paz. 

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É evidente que António José Seguro não representa essa candidatura. 

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Temos o dever de encontrar essa candidatura.

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Ainda estamos no tempo das decisões individuais. 

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Gostaria de apoiar um candidato que seja claramente a favor do reconhecimento da Palestina, onde hoje se traçam limites da humanidade, e que possa levar a resistência democrática e a defesa dos direitos constitucionais à segunda volta das presidenciais.

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António Sampaio da Nóvoa cumpre estes critérios e, se avançar, terá o meu apoio.

Joana Mortágua, “Expresso” online

 

[Em Portugal] é visível que o discurso de ódio e os comportamentos discriminatórios estão a aumentar no espaço público e no digital.

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O aumento da discriminação tem efeitos profundos, afetando não só a vida das pessoas visadas, mas também a coesão da sociedade como um todo.

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A regularidade deste tipo de discurso enfraquece os valores de respeito, igualdade e convivência pacífica fundamentais para uma sociedade democrática e justa.

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[O discurso de ódio] Está muitas vezes ligado à disseminação de estereótipos e à desinformação, criando ambientes onde a discriminação é tolerada ou até incentivada.

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É essencial que a sociedade e as instituições reajam de forma firme e coordenada, com ações que promovam a inclusão, a responsabilidade e a cidadania ativa.

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É essencial implementar políticas públicas e programas educativos que valorizem a diversidade cultural, social e identitária.

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É crucial que programas de literacia social e cidadania ensinem e promovam os valores da igualdade, do respeito e da não-discriminação.

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[As entidades competentes devem] recolher dados e responder rapidamente aos casos de discurso de ódio e discriminação.

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[Há que] garantir canais acessíveis de denúncia e fornecer proteção, apoio psicológico e apoio jurídico às vítimas de discriminação e violência é essencial.

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[É essencial que o espaço mediático assuma] a responsabilidade de prevenir e combater a propagação do discurso de ódio e da desinformação.

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O combate ao discurso de ódio e à discriminação (…) é um esforço coletivo, que exige o envolvimento de todas as pessoas.

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Acreditamos que é o momento de intensificar a ação, de forma individual e coletiva.

Paula Carneiro, Cláudia Pedra e Américo Nave, “Público” (sem link)

 

Donald Trump faz o que quer da NATO, do G7, da ordem liberal internacional e dos líderes europeus. E fá-lo com o à-vontade de quem sabe que ninguém se lhe opõe, seja no Irão ou em Gaza.

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Tornou-se, no palco atlântico, o único ator que realmente importa.

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Contudo, mais inquietante do que aquilo que Trump faz é o que a Europa já não faz.

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[Mark Rutte é] o mesmo que, durante 14 anos como primeiro-ministro dos Países Baixos, não cumpriu a meta dos 2% de investimento em defesa.

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O frugal de ontem é o apóstolo da defesa hoje. Não há coerência nem visão, apenas oportunismo.

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[Trump] reescreve compromissos à sua medida, transforma cimeiras em cultos de personalidade e converte as relações multilaterais em instrumentos de chantagem.

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A última reunião da NATO, em Haia, foi disso prova evidente.

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O G7 decidiu isentar as multinacionais americanas de um limiar mínimo global de tributação.

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Os países mais industrializados do mundo cederam.

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O sistema justaposto que agora se propõe é, no fundo, um eufemismo diplomático para a impunidade fiscal.

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A pergunta impõe-se: que soberania resta à Europa?

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[Trump] é o sintoma de um ecossistema mediático e político que recompensa o ruído em detrimento da substância. 

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O que não aparece no ecrã, não existe. O que não cria drama, não tem valor.

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O estilo de Trump é o do homem que exige ser protagonista mesmo quando os holofotes deviam estar virados para os factos.

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[A Europa é] o continente que outrora se uniu aos Estados Unidos para forjar a ordem liberal resigna-se agora a uma posição subalterna.

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As elites europeias – herdeiras de Monnet e Delors – perderam o pé: confundem realismo com resignação, diplomacia com subserviência.

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E Portugal? Participa nos rituais, mas raramente os questiona.

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Proclama hoje 3,5%, como ontem proclamava 2%, com o mesmo entusiasmo retórico e a mesma vacuidade estratégica.

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A ausência de uma posição inequívoca sobre a Palestina, a complacência perante o constante bloqueio no seio do Conselho Europeu e o seguidismo acrítico em relação a Washington revelam um país que também renunciou a ter posições próprias.

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A questão, afinal, é simples. Quer a Europa continuar a existir como ator relevante, ou limitar-se a ser um apêndice da Casa Branca?

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Não há soberania partilhada quando apenas uma das partes dita as regras.

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Ao omitir a China, que já garantiu que não deixará cair a Rússia, confirma a visão da Aliança como um instrumento de um só homem.

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Ao evitar falar sobre Gaza, sobre a fome deliberada, os armazéns destruídos, as crianças a morrer à sede, abdica do papel de árbitro e aceita o de espectador cúmplice.

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Onde estão os estadistas?

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A Europa reduz-se a um mero mercado, um espaço de deferência, um museu: politicamente periférica, moralmente esgotada, militarmente irrelevante.

Manuel Serrano, “Público” (sem link)


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