(…)
A viragem à direita é um fenómeno político
escrito em maiúsculas, integral e totalizante (…) capaz de virar ao contrário
os valores que julgamos maioritários nas sociedades democráticas.
(…)
O potencial deste movimento de deslocação em
Portugal é assustador.
(…)
Abre a derradeira oportunidade para derrubar a
relação de forças que até hoje protegeu o essencial da Constituição da
República Portuguesa: os direitos, liberdades e garantias, a universalidade do
acesso aos serviços públicos essenciais e a Segurança Social.
(…)
Neste cenário, o desmantelamento dos aspetos
democráticos fundamentais da República é uma possibilidade.
(…)
Ainda há tempo para a resistência democrática e
para defender a Constituição.
(…)
Ainda há batalhas por travar e uma delas é a
escolha do próximo Presidente da República.
(…)
[Sobre Gouveia e Melo não lhe conheço] convicções
políticas nem pensamento próprio sobre uma ideia de país, além da necessidade
de nos armarmos para a guerra.
(…)
Defendo há muito tempo que a aposta deve ser na
convergência ampla em defesa do Estado social e das liberdades constitucionais,
sem abdicar de posições corajosas sobre as ameaças ao direito internacional e à
paz.
(…)
É evidente que António José Seguro não
representa essa candidatura.
(…)
Temos o dever de encontrar essa candidatura.
(…)
Ainda estamos no tempo das decisões
individuais.
(…)
Gostaria de apoiar um candidato que seja
claramente a favor do reconhecimento da Palestina, onde hoje se traçam limites
da humanidade, e que possa levar a resistência democrática e a defesa dos
direitos constitucionais à segunda volta das presidenciais.
(…)
António Sampaio da Nóvoa cumpre estes critérios
e, se avançar, terá o meu apoio.
Joana Mortágua, “Expresso” online
[Em Portugal] é visível que o discurso de ódio e os comportamentos
discriminatórios estão a aumentar no espaço público e no digital.
(…)
O
aumento da discriminação tem efeitos profundos, afetando não só a vida das
pessoas visadas, mas também a coesão da sociedade como um todo.
(…)
A
regularidade deste tipo de discurso enfraquece os valores de respeito,
igualdade e convivência pacífica fundamentais para uma sociedade democrática e
justa.
(…)
[O
discurso de ódio] Está muitas vezes ligado à disseminação de estereótipos e à
desinformação, criando ambientes onde a discriminação é tolerada ou até
incentivada.
(…)
É
essencial que a sociedade e as instituições reajam de forma firme e coordenada,
com ações que promovam a inclusão, a responsabilidade e a cidadania ativa.
(…)
É essencial implementar políticas públicas e
programas educativos que valorizem a diversidade cultural, social e identitária.
(…)
É
crucial que programas de literacia social e cidadania ensinem e promovam os
valores da igualdade, do respeito e da não-discriminação.
(…)
[As entidades competentes devem] recolher dados
e responder rapidamente aos casos de discurso de ódio e discriminação.
(…)
[Há que] garantir canais acessíveis de
denúncia e fornecer proteção, apoio psicológico e apoio jurídico às vítimas de
discriminação e violência é essencial.
(…)
[É
essencial que o espaço mediático assuma] a responsabilidade de prevenir e combater a propagação do discurso de
ódio e da desinformação.
(…)
O combate ao discurso de ódio e à discriminação
(…) é um esforço coletivo, que exige o envolvimento de todas as pessoas.
(…)
Acreditamos que é o momento de intensificar a
ação, de forma individual e coletiva.
Paula Carneiro, Cláudia
Pedra e Américo Nave, “Público” (sem link)
Donald Trump faz o que quer da NATO, do G7, da ordem liberal internacional e dos
líderes europeus. E fá-lo com o à-vontade de quem sabe que ninguém se
lhe opõe, seja no Irão ou em Gaza.
(…)
Tornou-se, no palco atlântico, o único ator que
realmente importa.
(…)
Contudo, mais inquietante do que aquilo que
Trump faz é o que a Europa já não faz.
(…)
[Mark Rutte é] o mesmo que,
durante 14 anos como primeiro-ministro dos Países Baixos, não cumpriu a meta dos
2% de investimento em defesa.
(…)
O frugal de ontem é o apóstolo da defesa hoje.
Não há coerência nem visão, apenas oportunismo.
(…)
[Trump] reescreve compromissos à sua medida,
transforma cimeiras em cultos de personalidade e converte as relações
multilaterais em instrumentos de chantagem.
(…)
A última reunião da NATO, em Haia, foi disso
prova evidente.
(…)
O G7 decidiu isentar as multinacionais
americanas de um limiar mínimo global de tributação.
(…)
Os países mais industrializados do mundo
cederam.
(…)
O sistema justaposto que agora se propõe é, no
fundo, um eufemismo diplomático para a impunidade fiscal.
(…)
A pergunta impõe-se: que soberania resta à
Europa?
(…)
[Trump] é o sintoma de um ecossistema mediático
e político que recompensa o ruído em detrimento da substância.
(…)
O que não aparece no ecrã, não existe. O que
não cria drama, não tem valor.
(…)
O
estilo de Trump é o do homem que exige ser protagonista mesmo quando os
holofotes deviam estar virados para os factos.
(…)
[A Europa é] o continente que outrora se uniu
aos Estados Unidos para forjar a ordem liberal resigna-se agora a uma posição
subalterna.
(…)
As elites europeias – herdeiras de Monnet e
Delors – perderam o pé: confundem realismo com resignação, diplomacia com
subserviência.
(…)
E Portugal? Participa nos rituais, mas raramente os questiona.
(…)
Proclama hoje 3,5%, como ontem proclamava 2%,
com o mesmo entusiasmo retórico e a mesma vacuidade estratégica.
(…)
A
ausência de uma posição inequívoca sobre a Palestina, a complacência perante o
constante bloqueio no seio do Conselho Europeu e o seguidismo acrítico em
relação a Washington revelam um país que também renunciou a ter posições
próprias.
(…)
A
questão, afinal, é simples. Quer a Europa continuar a existir como ator
relevante, ou limitar-se a ser um apêndice da Casa Branca?
(…)
Não há soberania partilhada quando apenas uma
das partes dita as regras.
(…)
Ao
omitir a China, que já garantiu que não deixará cair a Rússia, confirma a visão
da Aliança como um instrumento de um só homem.
(…)
Ao
evitar falar sobre Gaza,
sobre a fome deliberada, os armazéns destruídos, as crianças a morrer à sede,
abdica do papel de árbitro e aceita o de espectador cúmplice.
(…)
Onde estão os estadistas?
(…)
A Europa reduz-se a um mero mercado, um espaço
de deferência, um museu: politicamente periférica, moralmente esgotada,
militarmente irrelevante.
Manuel Serrano, “Público” (sem link)
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