domingo, 11 de outubro de 2020

MAIS CITAÇÕES (103)

 
O conservadorismo liberal ficou com esta bandeira desde então [Milton Friedman, 1970] — o lucro é a única responsabilidade social da empresa.

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[Martin Wolf, desiludido com Friedaman acha] que esta regra é antissocial e gera autoritarismo. Nas suas palavras, há uma linha direta de Friedman para Trump.

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Argumenta Wolf que, se o mundo fosse unicamente um conjunto de empresas a lutar pelo seu lucro, teríamos um problema — não haveria outra regra que não a destruição social.

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Esse mundo desregulado é o de Trump, em que um magnata falido pode arrogar-se o direito de não pagar impostos e usa a política para se proteger a ferro e fogo.

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Se não há responsabilidade social, tudo é possível.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Somos o quinto país europeu no que toca a subida dos preços do imobiliário durante a pandemia.

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Os preços do imobiliário sobem porque a taxa de juro é muito baixa (…); sobem porque a crise social só atinge, para já, os trabalhadores mal pagos e a procura de habitação continua forte para quem tem dinheiro.

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A mais grave [consequência] é que preços altos continuam a empurrar os jovens para as periferias.

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Outro efeito deste deslumbramento com o mercado é perder a oportunidade de reverter o alojamento local para arrendamento de longa duração.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

As medidas [preconizadas pelo FMI para o programa de ajustamento em  Portugal (2008-2015)] provocaram mais estragos do que o previsto e, mesmo para o efeito pretendido, foram excessivas [reconhecido pela instituição].

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Mesmo um liberal pode um dia entender que a destruição económica não se festeja nem se recomenda.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

A polémica da semana no Tribunal de Contas não pode caducar numa semana de polémica.

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O Governo prefere cortar o mal pela raiz cortando também o bem pela raiz.

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Há tipicamente duas formas de combater a corrupção: ou antes, prevenindo com regras, ou depois, combatendo com punição grave.

Pedro Santos Guerreiro, “Expresso” (sem link)

 

Se há problema específico com os dinheiros europeus é, precisamente, a dificuldade de execução ou equívocos na escolha das prioridades.

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Fazer generalizações de “roubalheira” ou agitar o espectro de corrupção futura esquece a via-sacra de controlo a que estão sujeitos os dinheiros europeus.

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A cultura de monitorização, planeamento e avaliação entrou nas políticas públicas portuguesas por influência do financiamento europeu.  

Pedro Adão e Silva, “Expresso” (sem link)

 

Usar a litigância para impedir que o Estado ganhe com a concorrência é uma arte.

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À conta de impugnações de concursos, a CP gasta €7 milhões anuais a alugar comboios que já podia ter comprado.

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Por todo o país perde-se dinheiro público em nome do bom uso do dinheiro público.

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Para quem queira tratar bem o dinheiro público, há a ponderação entre a transparência e a eficácia.

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A roubalheira dos fundos comunitários é um mito nascido do tempo em que ela realmente acontecia, quando aderimos à CEE.

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De lá para cá mudou muito na Europa e não há gasto mais escrutinado do que este.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

O que não existe é um estado “zero” de conflitualidade nem mesmo à força, nem nas democracias, nem nas ditaduras, nem na anarquia, nem na teocracia, nem no comunismo nem na mais pacífica, civilizada, ordeira, moderada, social-democracia.

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A questão não está em não existirem conflitos, está em saber como é que se formam os ciclos de conflito, e como é que eles se tornam numa tempestade perfeita.

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Mas o espaço para a democracia alarga ou encolhe conforme os tempos, e agora está a encolher, e não encolhe sempre da mesma maneira.

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Uma das coisas, não a única, mas uma das mais poderosas como geradora de ressentimento, é a percepção de muitos trabalhadores fabris de que é o seu trabalho que suporta a sociedade, e não tem o reconhecimento que lhes é devido.

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Quando Hillary Clinton os chamou de “deploráveis”, num excelente exemplo de como uma única frase pode destruir uma campanha, transformou-os numa coisa que até então não existia: a “base” de Trump.

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A fractura eleitoral mais aguda nos EUA nas eleições de 2020 é a que separa os eleitores brancos sem escolaridade de todos os outros.

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A escolaridade tornou-se hoje mais do que um factor instrumental no acesso ao emprego e no valor do salário, mas no local onde passa uma fractura social entre os que têm e os que sentem que não têm ou não têm mesmo.

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Parece irónico escrever-se isto em Portugal quando por todo o lado se repete o lugar-comum da “geração mais bem preparada”, num país onde os fenómenos populistas também crescem com os mesmos mecanismos de ressentimento antielitista.

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A questão é que o diploma sem as vantagens económicas e sociais está longe de ser percebido como um diploma, pelo que tê-lo é a mesma coisa ou pior do que não tê-lo, e não esbate o sentimento de que na sociedade são eles [trabalhadores pouco escolarizados] que fazem todo o trabalho duro e não uma elite com o “dr.” antes.

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O lubrificante deste ressentimento são as redes sociais, porque dão um meio de expressão e contacto para todos aqueles que se sentem excluídos do discurso respeitável e encartado.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)


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