sábado, 18 de setembro de 2021

CITAÇÕES

 
A pequena trupe que insultou Ferro Rodrigues, enquanto almoçava em família, é reveladora de esquinas do nosso país.

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O gesto era calculado, não só para ali incomodar o presidente do Parlamento mas para o atazanar pelos tempos fora em partilhas de Facebook.

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O efeito de espelho infinito é a chave da estratégia do lamaçal. 

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Apesar desse primeiro falhanço [da reprodução dos coletes amarelos] e até da extravagância do antivacinismo em Portugal, é essa política que agora revemos na malta que desembocou no restaurante de Ferro Rodrigues.

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Parece pouco e é ainda pouco, mas estas combinações tóxicas tornaram-se uma moda invasiva que empossa uma nova estirpe de figurões. São os profetas “antissistema”.

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Trump, o primeiro iluminado desta saga, propunha mezinhas para curar a pandemia.

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Aí estão a técnica, os meios e a vontade febril de brilhar nas redes de lama. 

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É assim que se forma gente cujo limite é o seu próprio espelho e que está disposta a tudo para impor a lei da selva.

Francisco Louçã, “Expresso” (sem link)

 

O Governo encheu o peito e garantiu que vai arrasar com as suas 64 propostas de mexidas nas leis laborais.

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Só um em cada três jovens tem trabalho com contrato estável. É uma tragédia geracional.

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Seria de aplaudir se, conhecido o problema, o Governo propusesse respostas.

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Manter-se-á a Lei Uber, que responsabiliza os intermediários e assim protege a empresa beneficiária.

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[O período experimental passa] a ser definido como tal mesmo quem tiver trabalhado 47 meses em várias empresas ou 23 meses numa só.

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O mapa das 64 propostas congela as leis neste triste apodrecimento da vida de quem trabalha.

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[Embora reconhecendo a crise geracional que a precariedade está a provocar] desta artimanha [do Governo] só se pode concluir que as suas propostas não resultam de defeito, mas de feitio.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Em «Factos Escondidos da História de Portugal», [do comentador televisivo José Gomes Ferreira] anunciado como «um olhar surpreendente e revelador sobre o passado e a verdade», apresenta-se uma sucessão de completas falsidades, de há muito denunciadas, mostradas, todavia, como se fossem achados.

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O problema reside num mercado que vive do sensacionalismo e da tentativa de manipular o passado ao serviço de alguns dos interesses do presente. 

Rui Bebiano, Diário as beiras

 

[A construção do poder local democrático] rapidamente se tornou num dos principais pilares para o progresso que Portugal alcançou em indicadores relativos a direitos fundamentais como a saúde, o ensino e a proteção social.

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No plano do exercício da política, o poder local é, provavelmente (embora não em todas as suas práticas), o espaço mais vivo da democracia.

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O Governo e, em particular, o primeiro-ministro - dado o peso da sua palavra - têm colocado o Programa de Reestruturação e Resiliência (PRR) com enorme presença na campanha eleitoral em curso. 

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O PRR é (no essencial bem) um conjunto de políticas limitadas e dirigidas. Pedir-lhe o que ele não poderá dar significa gerar falsas expectativas nas populações.

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O PRR não nos parece concebido para uma aplicação na escala local, nem teria de assim ser. 

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O PRR e outros programas de investimento necessários para a recuperação económico-social de que o país necessita deverão ser feitos de forma descentralizada.

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Nestes dias faça-se tudo o que for democraticamente possível para que seja grande a participação dos portugueses nas eleições. No dia 26, votemos!

Carvalho da Silva, JN

 

Há críticas ao PCP parecidas com as críticas ao PSD: os seus radicais acusam-no de ser meigo com o PS, e por isso ter uma crise de influência eleitoral, e, de passagem, de “salvar” o Governo.

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Uma variante muito repetida na comunicação social como “análise” é a afirmação de que, se o PCP tiver um mau resultado eleitoral, será mais difícil haver um acordo sobre o Orçamento.

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As razões da crise do PCP são muito mais fundas do que as circunstâncias dos últimos anos.

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Penso que, se não houvesse entendimentos com o PS, ou seja, se o PSD e o CDS estivessem a governar, as coisas seriam ainda mais críticas.

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A comparação entre o PSD e o PCP tem sentido para os radicais de ambos os lados, mas esgota-se nessa razão de ser e, quando se quer ir mais longe, perde-se o sentido.

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O PCP tem uma crise estrutural, que pouco tem a ver com as políticas.

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A contestação a Rio vem do interior do PSD, e dos círculos da direita radical nos lóbis e na comunicação social.

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Os críticos da direita radical contra Rio precisam desesperadamente de que o PSD tenha um mau resultado eleitoral, e trabalham para isso.

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Na política portuguesa há duas questões que não são “amáveis”, são de murro mesmo: não tanto o Orçamento, mas a negociação do Orçamento, e saber se o PSD será capturado pela direita radical.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)

 

A erradicação do amianto das escolas que vemos agora em velocidade de cruzeiro começou com uma pequena associação de pais e encarregados de educação na freguesia de Moscavide e Portela, no concelho de Loures.

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[Estava] em causa, a presença de amianto – um material altamente cancerígeno – na grande maioria das escolas do país, nomeadamente nos telhados e telheiros em fibrocimento.

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Em pouco tempo, nove agrupamentos do concelho de Loures formavam um grupo coeso e determinado, que daria origem ao Movimento Escolas Sem Amianto (MESA).

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A esta causa, juntaram-se sindicatos, como a Fenprof, associações ambientalistas, como a Zero, e toda a sociedade civil.

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O MESA assumia uma dimensão nacional e engrossava as suas fileiras com pais, professores, alunos e funcionários .

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Ignorado pelas autoridades competentes em Portugal, o MESA apresentaria, em conjunto com a Fenprof e várias associações ambientalistas, com destaque para a Zero, uma queixa na delegação portuguesa da Comissão Europeia.

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Hoje, quase um ano e meio depois [da apresentação do Plano Nacional de Remoção do Amianto das escolas e em plena fase de controlo da pandemia, outros desafios se colocam às várias comunidades escolares.

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E quando alguém disser que “não vale a pena” e que “nunca nada muda”, virá à lembrança a história do MESA.

André Julião, “Público” (sem link)

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