sábado, 25 de setembro de 2021

CITAÇÕES

 
O movimento do chamado renascimento árabe Al Bath na Síria e no Iraque, a FLN na Argélia com Houari Boumediene, no Egito de Nasser, no Iémen do Sul são exemplos vibrantes de sociedades renascidas da ocupação em que o papel das mulheres assumiu relevo.

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Na OLP era perfeitamente visível o extraordinário papel das mulheres na luta mais geral do povo palestiniano pelo direito a edificar o seu Estado livre e soberano da ocupação israelita.

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Estes países tinham uma conceção do islão que permitiu aos movimentos de libertação nacional integrá-lo de forma positiva nesse quadro político e sociológico.

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O Afeganistão dos anos 60/70 era nesta matéria um país ainda mais avançado nos grandes centros urbanos onde as mulheres tinham o seu papel nos mais variados setores da vida económica, social e cultural.

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[A partir dos anos 80] a Arábia Saudita espalhou por todo o mundo muçulmano os seus pregadores e as suas escolas de difusão do wahabismo sunita, a versão mais fundamentalista e retrógrada do islão.

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Com a invasão do Afeganistão pela URSS, a Arábia Saudita investiu com os EUA somas incalculáveis de dólares no apoio aos autodesignados mujahedin.

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A implosão da URSS também contribuiu para uma viragem do nacionalismo árabe para uma visão fundamentalista que a Arábia Saudita impulsionou.

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[Com a desastrosa invasão do Iraque] o Islão apareceu aos muçulmanos como a sua única identidade.

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O papel da mulher na Arábia Saudita serviu também de inspiração aos taliban.

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Foi daquele país que se transpôs a sharia para ser a lei fundamental, ou seja, a Constituição do país.

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Os jihadistas sunitas beberam até a última gota este fel/inferno que impõem às mulheres onde tomam o poder.

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Num mundo em que o tempo acelera, os talibans vão tentar impor o regresso ao passado com todo o cortejo de horrores.

Domingos Lopes, “Público” (sem link)

 

[A última] década [foi] de retrocesso e resistência, marcada pela visibilidade das lutas feministas e por (muitos) recuos.

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 Dez anos marcados pela ascensão da extrema-direita e pela crise pandémica, demolindo décadas de conquistas nos direitos das mulheres.

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Somos, ainda, cidadãs de segunda – mesmo nos contextos onde os direitos das mulheres são formalmente consagrados. 

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O masculino (falsamente neutro) é ainda a norma: na tecnologia, nas políticas públicas, nos transportes, no planeamento urbano.

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Habitamos um mundo desenhado para homens e que negligencia as necessidades específicas de metade da população.

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Nestes dez anos, assistimos à expansão da extrema-direita e às eleições de Trump e Bolsonaro, galvanizadas pela misoginia descarada e orgulhosa.

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Em Portugal, pela mão de um oportunista (mais do que um fascista convicto – o que talvez o torne perigosamente hábil), assiste-se também à intensificação do discurso de ódio racista e sexista.

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Tudo isto é impossível de compreender sem ter em conta a hegemonia da masculinidade e a construção do género enquanto poder.

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Também na luta contra a violência sexual – o pilar da dominação masculina – assistimos a avanços e recuos.

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Perante todos os retrocessos, uma conquista: a consciência colectiva de que a violência sexual é infernalmente comum, e não uma aberração biográfica.

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Em Portugal, as reacções ao #Metoo (chegámos a ter um #EuTambém?) foram sintomáticas do quão presente e resistente é ainda a cultura da violação, que normaliza a violência sexual e pune as vítimas que denunciam.

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Em Portugal, emergiram colectivos, associações e plataformas feministas, de diferentes cunhos e orientações políticas.

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Ocupámos mais espaços, construímos redes. Somos mais visíveis, estamos mais vocais.

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A vitória da visibilidade do discurso feminista não é, porém, isenta de perigos e recuos.

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Tendemos a falar mais em igualdade de género do que em direitos das mulheres, em violência de género do que em violência contra as mulheres.

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Os últimos dez anos relembram-nos que não há direitos perpetuamente adquiridos, que possamos tomar por seguros: tudo é reversível, a todo o tempo, em todas as partes do mundo.

Maria João Faustino, “Público” (sem link)

 

O conteúdo [do discurso de Guterres na abertura da 76.ª Assembleia Geral da ONU] não é um rol de más notícias de um arauto da desgraça, mas sim a identificação de uma parte significativa de problemas que a sociedade humana deve encarar.

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Os grandes poderes económicos e financeiros, que se alimentam das divisões e de empurrar contínuo de milhões de seres humanos para o precipício, estão em condições de dizer "os cães ladram, a caravana passa".

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Além disso, foi bem evidente que muitos países têm, em altos cargos do Estado, irresponsáveis e oportunistas de várias matizes e até autênticos facínoras políticos, como Bolsonaro.

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A maioria dos seres humanos vão sendo atomizados, acantonados no individualismo, distanciados do papel das organizações e instituições das democracias.

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No manifesto internacional do movimento ambientalista "Fridays for Future" que convocou a Greve Climática Estudantil desta sexta-feira, constatam-se alertas para a relação entre problemas ambientais e sociais.

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Hoje, na contratação de jovens quadros altamente qualificados, começa a ser comum oferecer um salário de mil euros ou pouco mais.

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Surgem bem identificados por António Guterres grandes campos de problemas com que se depara a Humanidade: a paz; a crise climática; o fosso entre ricos e pobres; a desigualdade de género; o acesso ao digital; e a disfunção e ruturas entre gerações.

Carvalho da Silva, JN

 

Seria preciso esperar pela segunda década do presente século para que a paridade legal chegasse finalmente a vários domínios concretos da vida das pessoas LGBTI

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Desde 2018, o país dispõe também de uma Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não Discriminação.

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Perante todos estes avanços, não é de surpreender que Portugal ocupe em 2021 a quarta posição no Rainbow Map, um relatório anual que classifica e analisa a situação jurídica e política das pessoas LGBTI em 49 países europeus.

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Foi notória, ao longo dos últimos dez anos, a abertura paulatina do país à diversidade sexual e de género e à celebração dos direitos humanos LGBTI.

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Por outro lado, não obstante todas estas mudanças positivas, o preconceito e a discriminação ainda se fazem sentir no dia-a-dia das pessoas LGBTI em Portugal.

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De ressaltar ainda que, dentro do grupo LGBTI, foram as pessoas com identidades trans e intersexuais que reportaram experiências mais negativas.

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Muitos são os desafios colocados por este cenário de crescente igualdade legal, progressiva visibilidade social mas também de persistente discriminação.

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O progresso não é, pois, linear e, mais do que nunca, é preciso garantir não só a igualdade legal plena, mas acções concretas no terreno.

Jorge Gato, “Público” (sem link)


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