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sábado, 10 de abril de 2010

Um caso de mobbing numa escola portuguesa

É uma carta longa. Foi-me enviada por uma professora devidamente identificada. Publiquei a carta na minha Página do Docstoc. O mobbing é um fenómeno que alastra nas escolas portuguesas desde que foi publicado o Decreto-Lei 15/2007 e o decreto regulamentar 2/2008. A publicação do Decreto-Lei 75/2008 agravou o fenómeno. O sistema de avaliação de desempenho e o novo modelo de gestão criaram as condições para o alastramento do fenómeno. Enquanto essa legislação não for revogada ou profundamente alterada, o mobbing não vai parar de se agravar.

O que é o mobbing?

“Mobbing” designa a pressão, coacção, prepotência e intimidação de professor para professor. Naturalmente que o conceito de “mobbing” abrange 2 vectores principais: conceito horizontal (professor para professor) e, outro, o vertical, de direcção executiva contra professor.

Oiçamos a professora vítima de mobbing:

A minha experiência não se traduz na violência física e não trata de nada do que tem sido mediatizado, embora os danos emocionais, psicológicos e materiais causados sejam profundos e revestidos de extrema injustiça – estou impedida de trabalhar, devido à prepotência de um Director.

Naturalmente que o meu caso se aproxima de milhentos casos que existem neste país. Acontece que, não penso suicidar-me como aconteceu com o meu malogrado colega, nem, igualmente, penso calar-me.

A gota de água foi ter sido posta em causa numa reunião, por uma colega, neste caso Directora de Turma, no sentido de não ter dado cumprimento, num prazo determinado, a uma planificação específica. Como poderia? Mas aguentei os ataques “educados”, perante a audiência que, era, neste caso, um Conselho de Turma.

Vim para casa, completamente esgotada, em pânico. Desanimada porque, malevolamente, estavam a fazer passar a imagem de uma pessoa não cumpridora, quando sempre o tentei ser, ao longo de 18 anos de ensino, com resultados comprovados. Fonte: Um caso de mobbing numa escola portuguesa-texto completo

Profblog

O que leva um professor a suicidar-se



Drama silencioso do «assédio moral» é aspecto pouco conhecido, numa altura em que o «bullying» domina a actualidade

José António Fernandes Martins, 45 anos, era professor de Matemática e Ciências da Natureza na Escola EB 2,3 de Vouzela, e pôs termo à vida no início do presente ano lectivo. Tal como aconteceu com o professor de Música de uma turma do 9º ano da Escola Básica 2,3 de Fitares, Sintra, que se suicidou em Fevereiro depois de se ter queixado várias vezes da indisciplina e das agressões físicas dos alunos, o exercício da actividade docente foi-se tornando num calvário para José António Martins. Mas ao contrário do professor Luís, de Sintra, José António não foi vítima de «bullying».

José António Martins era um professor estimado e respeitado pelos alunos e colegas, que entrou num processo de revolta e depressão por não conseguir coexistir com a carga «sobre-humana» de tarefas e prazos a cumprir que a escola lhe impunha, conforme disse ao tvi24.pt a sua mulher, Delmira Figueiredo, também ela professora.

«Não consigo mais continuar a ser um bom professor. Esta ministra [Maria de Lurdes Rodrigues] conseguiu secar tudo o que havia de bom na profissão docente», escreveu José António Martins durante o processo de assédio moral («mobbing») que o vitimou.

«Não consigo mais ser um bom professor»

Esta frase, encontrada no computador de José António depois da morte, a 21 de Setembro de 2009, é paradigmática de uma «relação de causa-efeito entre as políticas educativas seguidas e o acumular de estados de sofrimento por parte de professores», referiu ao tvi24.pt Santana Castilho, professor universitário e especialista em gestão educativa.

«Escolas são ilhas de tirania»

Paulo Guinote, professor e autor do blogue «A Educação do meu Umbigo» , explica também ao tvi24.pt que os casos extremos do Luís e do José António se aproximam de milhentos casos que existem no país. A violência e a indisciplina, as pressões por parte da tutela e das direcções das escolas, o aumento drástico da carga de trabalho, o stress da avaliação de desempenho e a perda de companheirismo «causa um cocktail explosivo dentro das escolas» e «o que disse esse professor [José António] na mensagem que deixou pode ser dito por qualquer um, mesmo não chegando a esse extremo [suicídio]», defendeu.

«Professores vão cada vez mais ao psiquiatra»

Professora relata drama «escondido» do mobbing

A constatação de que as escolas se transformaram em locais de vivência dolorosa, já levou a Federação Nacional de Professores (FENPROF) a defender que se deve legislar na matéria.

À saída de uma reunião com a ministra Isabel Alçada, a 5 de Abril, o secretário-geral da FENPROF pediu que o stress dos professores seja considerado doença profissional. Mário Nogueira referiu ainda que entre as medidas apresentadas pelo sindicato está também o reconhecimento ao professor do estatuto de autoridade pública dentro do estabelecimento de ensino