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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Louçã: Sócrates traz "impostos no bolso"

“Acabou o jogo de palavras” e “caiu a máscara” de José Sócrates, afirmou Francisco Louçã esta quarta-feira à noite, em Braga, referindo-se à redução da Taxa Social Única acordada entre o primeiro-ministro demissionário e o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
“Atreve-se a chegar às eleições com um aumento de impostos no bolso”, sem explicar aos portugueses quanto mais é que vão pagar e quanto menos vão ter de garantia na sua pensão, acusou o candidato pelo Bloco de Esquerda.


“Hoje acabaram todas as dúvidas”, afirmou Louçã. E justificou: “O segundo memorando confirma que o Governo assinou com o FMI uma ‘significativa’ redução da Taxa Social Única [TSU], quer dizer, uma grande redução da contribuição da entidade patronal”. Estava dado o mote para, logo de seguida, Louçã afirmar que “vai haver um aumento de impostos para compensar essa diferença”. Em causa, defendeu, está a sustentabilidade da Segurança Social e o futuro pagamento de reformas.

E avisou Sócrates que tem “dois dias para explicar onde é que quer aumentar impostos”. Apelando ao voto útil à esquerda, Louçã acusou o primeiro-ministro de não querer sequer responder aos eleitores socialistas, que são os primeiros a ser “enganados por estas medidas”.

“Não é pura incompetência, é mentira organizada sobre a Segurança Social”, disse Louçã. Que acusou PS, PSD e CDS de serem “troca-tintas”, que querem “tudo para quem tem tudo e nada para o país que precisa”.

No final, duas palavras com destinos diferentes e o mesmo objectivo: o voto. Uma para a abstenção e os jovens, porque sem eles, diz Louçã, não há combate contra a precariedade e a pobreza, e outra acerca do voto útil, dirigida a todos os que já votaram no “PS ou noutros partidos”.

“A escolha é entre perder e ganhar o voto”, rematou o candidato. O “voto perdido” é um voto que deixa as pensões serem congeladas, os salários reduzidos e a economia às portas da bancarrota com juros impagáveis e uma dívida cada vez maior, disse o líder bloquista.

FMI aperta tecto na dívida pública - PS, PSD e CDS aprovaram



O próximo Governo – da troyka, ps,psd e cds- tem de cumprir limites rigorosos no endividamento do Estado em 2011 e em 2012: até ao final deste ano, segundo um documento ontem divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública total não poderá exceder 175,9 mil milhões de euros, e no próximo ano o tecto máximo é de 189,4 mil milhões de euros.

O endividamento externo de Portugal é considerado tão grave que o FMI não esconde a sua preocupação com a dívida das famílias e das empresas, que já representa 260% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. É neste contexto de excesso de endividamento do Estado e dos privados que a troika, constituída pelo FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, decidiu fixar um tecto máximo para a dívida pública total.

Para 2011, o limite de 175,9 mil milhões de euros tem de ser cumprido entre o final de Junho e o final de Dezembro. E este período não é estabelecido por acaso: em 15 de Junho, segundo o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), Portugal terá de amortizar mais de 15 mil milhões de euros em dívida directa do Estado.

Neste momento, a dívida directa do Estado, com as emissões em Maio de bilhetes do tesouro, será superior a 161 mil milhões de euros. E a dívida total do Estado, somando a esse valor as dívidas das autarquias e das regiões autónomas, já estará muito próxima do tecto máximo fixado até ao final de 2011.

O Governo terá de cumprir o tecto ao endividamento nas revisões trimestrais que a troika realizará em Portugal, no âmbito da ajuda externa, durante 2011 e também no próximo ano.

CONTA COM VERBA ABERTA NO BANCO DE PORTUGAL

Até ao final de Junho, a troika irá transferir para uma conta no Banco de Portugal (BdP) uma verba de mil milhões de euros, que ficará de imediato disponível para capitalizar a Banca. Essa verba faz parte dos 12 milhões de euros destinados aos bancos. Carlos Costa, governador do BdP assinou o acordo com Teixeira dos Santos.

TAXA SOCIAL E IVA ALTERADOS COM SIM DO GOVERNO

O Governo de José Sócrates comprometeu-se com a troika, como consta do documento ontem divulgado pelo FMI, a aplicar uma grande redução na Taxa Social Única. Para compensar a quebra nas receitas desta taxa, o Executivo assume que poderá haver mudanças na estrutura do IVA.