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quinta-feira, 2 de junho de 2011

FMI aperta tecto na dívida pública - PS, PSD e CDS aprovaram



O próximo Governo – da troyka, ps,psd e cds- tem de cumprir limites rigorosos no endividamento do Estado em 2011 e em 2012: até ao final deste ano, segundo um documento ontem divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública total não poderá exceder 175,9 mil milhões de euros, e no próximo ano o tecto máximo é de 189,4 mil milhões de euros.

O endividamento externo de Portugal é considerado tão grave que o FMI não esconde a sua preocupação com a dívida das famílias e das empresas, que já representa 260% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. É neste contexto de excesso de endividamento do Estado e dos privados que a troika, constituída pelo FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, decidiu fixar um tecto máximo para a dívida pública total.

Para 2011, o limite de 175,9 mil milhões de euros tem de ser cumprido entre o final de Junho e o final de Dezembro. E este período não é estabelecido por acaso: em 15 de Junho, segundo o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), Portugal terá de amortizar mais de 15 mil milhões de euros em dívida directa do Estado.

Neste momento, a dívida directa do Estado, com as emissões em Maio de bilhetes do tesouro, será superior a 161 mil milhões de euros. E a dívida total do Estado, somando a esse valor as dívidas das autarquias e das regiões autónomas, já estará muito próxima do tecto máximo fixado até ao final de 2011.

O Governo terá de cumprir o tecto ao endividamento nas revisões trimestrais que a troika realizará em Portugal, no âmbito da ajuda externa, durante 2011 e também no próximo ano.

CONTA COM VERBA ABERTA NO BANCO DE PORTUGAL

Até ao final de Junho, a troika irá transferir para uma conta no Banco de Portugal (BdP) uma verba de mil milhões de euros, que ficará de imediato disponível para capitalizar a Banca. Essa verba faz parte dos 12 milhões de euros destinados aos bancos. Carlos Costa, governador do BdP assinou o acordo com Teixeira dos Santos.

TAXA SOCIAL E IVA ALTERADOS COM SIM DO GOVERNO

O Governo de José Sócrates comprometeu-se com a troika, como consta do documento ontem divulgado pelo FMI, a aplicar uma grande redução na Taxa Social Única. Para compensar a quebra nas receitas desta taxa, o Executivo assume que poderá haver mudanças na estrutura do IVA.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

BE joga tudo por Pureza


Um cartaz do candidato era projetado num ecrã plantado no palco do Teatro Académico Gil Vicente. "Coimbra tem uma voz à esquerda". Essa voz é José Manuel Pureza.

Para reeleger o seu líder parlamentar, que sondagens colocam fora de S. Bento, o Bloco de Esquerda (BE) faz uma campanha dentro desta campanha. Nos comícios em que está presente Francisco Louçã, nenhum outro candidato a deputado noutro distrito teve uma décima parte do destaque que é dado a José Manuel Pureza.


A bola de neve que rola em Coimbra, e que sai das fronteiras do BE, também ajuda, claro. Antes dos discursos da longa noite de segunda-feira (terminou à meia-noite, após uma intervenção de Francisco Louçã que demorou 42 minutos), foram projetados vídeos com várias declarações de apoio a José Manuel Pureza.

Nessas imagens, lá estavam dirigentes nacionais do Bloco (como Miguel Portas, por exemplo), mas sobretudo personalidades coimbrãs, entre as quais alguns professores universitários, como Boaventura Sousa Santos ou João Leal Amado. O papel de José Manuel Pureza na "defesa de Coimbra" é comum aos vários depoimentos.

Também Joana Amaral Dias, ex-deputada que desde há alguns anos está distanciada da direção de Francisco Louçã, fez um apelo ao voto em José Manuel Pureza.

Abraço socialista


Quando subiu ao palco do Gil Vicente, Pureza saudou os "homens de esquerda que não são do Bloco". Quis destacar os nomes de alguns: José Reis, Rosário Gama, Elísio Estanque, António Casimiro Ferreira, Jorge Leite, Boaventura Sousa Santos. Alguns deles, como Rosário Gama, Elísio Estanque e António Casimiro Ferreira, são militantes do PS. "A cidadania é o avesso do medo", disse o candidato do Bloco de Esquerda.

Prosseguindo no agradecimento dos que estão ao seu lado, José Manuel Pureza destacou o "grande exemplo de coragem e de liberdade que estão a dar ao país".

Um país que se encontra "empatado e encalhado", segundo o candidato. Os 'empatas' são os partidos do Bloco Central, cabendo ao BE ser o fiel da balança. "A responsabilidade do BE é desempatar o país", afiança.

E querendo fazer pontes com os que agora lhe estendem a mão e o impulsionam, o cabeça de lista por Coimbra garante que o Bloco de Esquerda fará "todas as convergências necessárias" em direção a uma "mudança socialista". A meta ficou traçada: "O Bloco não quer menos do que governar o país".

Mais do que um deputado


"É com os socialistas que não desistem de ser socialistas que queremos estar" - uma formulação que, apesar de não ter mencionado os comunistas, os inclui, como explicou José Manuel Pureza ao Expresso no final do comício. "Coimbra quer ter muitas vozes nessa construção do Governo de esquerda", afirmou Pureza.

Para manter o seu líder parlamentar em S. Bento, o BE colocou toda a sua máquina em campo e reuniu em Coimbra um vasto leque de apoios, com figuras coimbrãs de outros sectores da esquerda. Se José Manuel Pureza for eleito, o Bloco ganhará mais do que um simples deputado. Mas se não for, também perderá muito mais do que um deputado.