sábado, 5 de novembro de 2022

MAIS CITAÇÕES (205)

 
Alguém um dia descreverá os dois dias em que um Presidente [Bolsonaro], deambulando pelo Palácio da Alvorada, recusou assumir a derrota.

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[Alguém um dia descreverá] como assistiu às rápidas e preventivas declarações de todos os líderes mundiais, num aviso para que nem um soldado [brasileiro] saísse do quartel.

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Durante um ano [Bolsonaro] alimentou a tese da fraude. Perante os resultados, ficou em silêncio, esperando que a contestação alastrasse.

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No seu curto discurso, feito 48 horas depois do que era devido, Bolsonaro apoiou os movimentos golpistas.

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[Bolsonaro aplaudiu protestos] onde se exigia que os militares esmagassem a democracia.

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Como de costume, limitou-se a seguir à risca o seu modelo americano.

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É verdade que, ao contrário de Trump, Bolsonaro não tem poder financeiro e não tomou conta de um partido estruturante para a democracia brasileira, porque esse partido não existe.

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Não terá metade do país, mas tem um exército de cegos que usará como tropa de choque contra Lula ou em sua própria defesa.

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A diferença do resultado foi curta e Lula nem tem base parlamentar sólida para impedir um impeachment, que é quase certo que acabará por vir.

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 Lula acabou o seu segundo mandato com uma aprovação de 83%.

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Olhem para o que foram os bloqueios golpistas e imaginem como será, com esta crise económica, um Lula sem Senado nem Congresso e o exército de alienados que Bolsonaro ou quem tome o seu lugar continuará a controlar.

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O pesadelo não acabou. Nem no Brasil, nem no mundo.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

Os peritos da CE que avaliaram as políticas ambientais do país devem ter ficado intrigados perante o nosso péssimo desempenho em matéria de conservação da natureza. 

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Segundo o relatório da CE, entre 2013 e 2018 o mau estado de conservação dos habitats aumentou 28%, comparativamente aos cinco anos anteriores.

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Acrescentamos nós, devido ao depauperamento de meios técnicos e humanos das áreas protegidas, que nem sequer têm um diretor que dê a cara pelos resultados dessa (má) gestão.

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E, continua o relatório, Portugal não fez um plano de ação contra as espé­cies invasoras e pouco fez pelas suas florestas, que cobrem 37,2% do território.

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Portugal tem 22,4% do seu território terrestre protegido e 3,5% do território marinho, percentagens que, segundo o Pacto Ecológico Europeu (PEE), terão de aumentar até 30%.

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Veja-se o caso da linha costeira, onde, mesmo com garantido avanço do mar, continua a ameaça de empreendimentos turísticos, em muitos casos porque os planos da Rede Natura não estão feitos.

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A nossa má situação é muito menos o resultado de decisões erradas do que da arte sonsa de manter tudo inerte e sem decisão.

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O PEE está em vigor e estabelece que o restauro da biodiversidade deve ser integrado em todas as políticas, com benefícios evidentes

Luísa Schmidt, “Expresso” (sem link)

 

Foi assinalado ontem, dia 4, o Dia Europeu da Igualdade Salarial, data a partir da qual, simbolicamente, o trabalho das mulheres deixa de ser remunerado até ao último dia do ano.

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Dito de outra forma, as mulheres trabalhadoras, da globalidade dos estados-membros da União Europeia, auferem retribuições 16% inferiores às dos homens. 

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Porque persiste esta diferenciação salarial? 

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Elas são discriminadas nos salários - apenas uma das discriminações que sofrem - porque não são tidas em conta as diferenças nas condições em que surgem no mercado de trabalho.

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Ou priorizam a conciliação entre a vida profissional e a familiar, ou se focam em absoluto na carreira abdicando de ter filhos e de organizar família.

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[Consultando dados estatísticos oficiais] constatamos uma ténue redução das diferenças salariais.

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Se não recuperarmos [a contratação coletiva], as desigualdades acentuar-se-ão.

Carvalho da Silva, JN

 

A guerra na Europa veio agravar uma crise que se adivinhava como global, contribuindo para o aumento da espiral inflacionista – que já se verificava antes da invasão – e para o aumento de custos associados ao abastecimento energético.

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Como todas, esta crise atinge mormente as franjas mais vulneráveis da sociedade, promovendo um reforço da desigualdade e injustiça social.

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Segundo a Pordata, 43,5% dos portugueses possuem um vencimento mensal igual, ou inferior, a 554 euros, o que os coloca em risco de pobreza.

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Sem a ajuda do Estado português, quase metade da população nacional encontra-se em risco de pobreza ou exclusão social. 

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Após as transferências sociais, este valor diminui para 18,4%, ou seja, mais de 2 milhões de portugueses, ainda que apoiados pelo Estado, encontram-se em risco de pobreza.

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Actualmente, Portugal é o 2.º país da Europa com mais pessoas a viver em más condições.

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Existe uma geração que é agora confrontada com uma realidade pela qual não é responsável e para a qual não está preparada.

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Mais de 40% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção têm menos de 25 anos.

Paulo Martins Fernandes, “Público” (sem link)

 

Há muitos factores que explicam a crise actual da democracia, os mais importantes têm que ver com os estragos na qualidade de vida, mas também na dignidade da vida, de muitos milhões de pessoas nos países onde há democracias.

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Os dois momentos trágicos que vivemos, a pandemia e a guerra na Ucrânia, aceleraram o processo, mas de há muito uma economia para os ricos, incapaz de defrontar a exclusão e a desigualdade, seja dos trabalhadores, seja dos refugiados, fez passo a passo agravar fossos entre uns e outros.

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Todos estão revoltados, avós, pais, mães e filhos, com alvos diferentes, mas profundamente insatisfeitos, seja com as reformas, os salários e as condições de trabalho, e a precariedade, e, atingidos pela carestia de vida, têm uma sensação de impotência crescente.

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A pobreza “antiga” era mais simples, a pobreza e a queda na pobreza nos dias de hoje são muito mais complexas.

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[Os políticos parecem indiferentes perante as dificuldades dos cidadãos e] esta indiferença mata o elo da representação, fere a democracia.

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Esta indiferença é um maná para os populistas e o seu discurso do ressentimento.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)



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