(…)
[Alguém
um dia descreverá] como assistiu às rápidas e preventivas declarações de todos
os líderes mundiais, num aviso para que nem um soldado [brasileiro] saísse do
quartel.
(…)
Durante
um ano [Bolsonaro] alimentou a tese da fraude. Perante os resultados, ficou em
silêncio, esperando que a contestação alastrasse.
(…)
No seu
curto discurso, feito 48 horas depois do que era devido, Bolsonaro apoiou os
movimentos golpistas.
(…)
[Bolsonaro
aplaudiu protestos] onde se exigia que os militares esmagassem a democracia.
(…)
Como
de costume, limitou-se a seguir à risca o seu modelo americano.
(…)
É
verdade que, ao contrário de Trump, Bolsonaro não tem poder financeiro e não
tomou conta de um partido estruturante para a democracia brasileira, porque
esse partido não existe.
(…)
Não
terá metade do país, mas tem um exército de cegos que usará como tropa de
choque contra Lula ou em sua própria defesa.
(…)
A
diferença do resultado foi curta e Lula nem tem base parlamentar sólida para
impedir um impeachment, que é quase certo que acabará por vir.
(…)
Lula
acabou o seu segundo mandato com uma aprovação de 83%.
(…)
Olhem
para o que foram os bloqueios golpistas e imaginem como será, com esta crise
económica, um Lula sem Senado nem Congresso e o exército de alienados que
Bolsonaro ou quem tome o seu lugar continuará a controlar.
(…)
O
pesadelo não acabou. Nem no Brasil, nem no mundo.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
Os peritos
da CE que avaliaram as políticas ambientais do país devem ter ficado intrigados
perante o nosso péssimo desempenho em matéria de conservação da natureza.
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Segundo
o relatório da CE, entre 2013 e 2018 o mau estado de conservação dos habitats
aumentou 28%, comparativamente aos cinco anos anteriores.
(…)
Acrescentamos
nós, devido ao depauperamento de meios técnicos e humanos das áreas protegidas,
que nem sequer têm um diretor que dê a cara pelos resultados dessa (má) gestão.
(…)
E,
continua o relatório, Portugal não fez um plano de ação contra as espécies
invasoras e pouco fez pelas suas florestas, que cobrem 37,2% do território.
(…)
Portugal
tem 22,4% do seu território terrestre protegido e 3,5% do território marinho,
percentagens que, segundo o Pacto Ecológico Europeu (PEE), terão de aumentar
até 30%.
(…)
Veja-se
o caso da linha costeira, onde, mesmo com garantido avanço do mar, continua a
ameaça de empreendimentos turísticos, em muitos casos porque os planos da Rede
Natura não estão feitos.
(…)
A
nossa má situação é muito menos o resultado de decisões erradas do que da arte
sonsa de manter tudo inerte e sem decisão.
(…)
O PEE
está em vigor e estabelece que o restauro da biodiversidade deve ser integrado
em todas as políticas, com benefícios evidentes
Luísa Schmidt, “Expresso” (sem link)
Foi assinalado ontem, dia 4, o Dia
Europeu da Igualdade Salarial, data a partir da qual, simbolicamente, o
trabalho das mulheres deixa de ser remunerado até ao último dia do ano.
(…)
Dito de outra forma, as mulheres
trabalhadoras, da globalidade dos estados-membros da União Europeia, auferem
retribuições 16% inferiores às dos homens.
(…)
Porque persiste esta diferenciação
salarial?
(…)
Elas são discriminadas nos salários -
apenas uma das discriminações que sofrem - porque não são tidas em conta as
diferenças nas condições em que surgem no mercado de trabalho.
(…)
Ou priorizam a conciliação entre a vida
profissional e a familiar, ou se focam em absoluto na carreira abdicando de ter
filhos e de organizar família.
(…)
[Consultando dados estatísticos oficiais]
constatamos uma ténue redução das diferenças salariais.
(…)
Se não recuperarmos [a contratação
coletiva], as desigualdades acentuar-se-ão.
A
guerra na Europa veio agravar uma crise que se adivinhava como global,
contribuindo para o aumento da espiral inflacionista – que já se verificava
antes da invasão – e para o aumento de custos associados ao abastecimento
energético.
(…)
Como todas,
esta crise atinge mormente as franjas mais vulneráveis da sociedade, promovendo
um reforço da desigualdade e injustiça social.
(…)
Segundo
a Pordata,
43,5% dos portugueses possuem um vencimento mensal igual, ou inferior, a 554
euros, o que os coloca em risco de pobreza.
(…)
Sem a ajuda do Estado português, quase metade da população
nacional encontra-se em risco de pobreza ou exclusão social.
(…)
Após
as transferências sociais, este valor diminui para 18,4%, ou seja, mais de 2
milhões de portugueses, ainda que apoiados pelo Estado, encontram-se em risco
de pobreza.
(…)
Actualmente, Portugal é o 2.º país da Europa com mais pessoas
a viver em más condições.
(…)
Existe
uma geração que é agora confrontada com uma
realidade pela qual não é responsável e para a qual não está preparada.
(…)
Mais
de 40% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção têm menos de 25 anos.
Paulo Martins Fernandes, “Público” (sem link)
Há
muitos factores que explicam a crise actual da democracia, os mais importantes
têm que ver com os estragos na qualidade de vida, mas também na dignidade da
vida, de muitos milhões de pessoas nos países onde há democracias.
(…)
Os
dois momentos trágicos que vivemos, a pandemia
e a guerra
na Ucrânia, aceleraram o processo, mas de há muito uma economia para
os ricos, incapaz de defrontar a exclusão e a desigualdade, seja dos
trabalhadores, seja dos refugiados, fez passo a passo agravar fossos entre uns
e outros.
(…)
Todos
estão revoltados, avós, pais, mães e filhos, com alvos diferentes, mas
profundamente insatisfeitos, seja com as reformas, os salários e as condições
de trabalho, e a precariedade, e, atingidos pela carestia de vida, têm uma
sensação de impotência crescente.
(…)
A
pobreza “antiga” era mais simples, a pobreza e a queda na pobreza nos dias de
hoje são muito mais complexas.
(…)
[Os
políticos parecem indiferentes perante as dificuldades dos cidadãos e] esta indiferença mata o elo da representação, fere a
democracia.
(…)
Esta indiferença é um maná para os populistas e o seu
discurso do ressentimento.
Pacheco
Pereira, “Público” (sem
link)
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