A
decisão europeia desta semana, bloqueando o carvão russo, é uma encenação que
pouco afeta o invasor.
(…)
Nenhum
dos lados da guerra tem recuo possível, pelo que a paz se tornou uma quimera.
(…)
Os
efeitos da guerra ucraniana serão uma cisão planetária, necessariamente longa,
dado que a Alemanha não pode cortar agora o fornecimento de gás russo.
(…)
Como
mais de metade das exportações russas não têm por destino a Europa e mesmo sem
elas o país continua a ter um superávite comercial.
(…)
A
guerra continuará de todas as formas. A globalização que conhecemos
desvaneceu-se.
(…)
A
guerra secular acelera o fracasso da globalização, o que cria um mundo mais
imprevisível.
(…)
As
sanções determinam mudanças estruturais no mapa dos poderes mundiais, ainda
mais do que soluções emergenciais.
(…)
O que
elas atingem é a financeirização, o coração da globalização.
(…)
A
estratégia das sanções é criar dois planetas financeiros separados.
(…)
A rede
financeira mundial fragmenta-se, com o risco suplementar do bloqueio da oferta
de energia e alimentos.
(…)
Haverá
duas internets, dois sistemas de pagamentos e de comércio, duas economias que
chocarão entre si.
(…)
Haverá
duas internets, dois sistemas de pagamentos e de comércio, duas economias que
chocarão entre si.
Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)
A
inflação é um monstro suspeito, atemoriza as economias que já não se lembram
dele.
(…)
A
medida [aumento das taxas de juro] só tem uma justificação: reforçar a
disciplina social protegendo os lucros, mesmo que em prejuízo da economia no
seu todo.
(…)
Aumentar
os juros para reduzir a procura agregada e o poder de compra da população,
mesmo que provocando uma recessão.
(…)
No
caso da região europeia os preços não são empurrados pelos salários, (…), mas
pela alta do custo da energia.
(…)
[Em
Portugal] vai haver de novo uma compressão salarial na Administração Pública em
2022.
(…)
Porque
é que os governantes haviam de fazer o que está certo [limitar os preços da
energia] e beneficiar a população se podem optar pelo que favorece uma clientela?
Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)
Esta primeira moção de rejeição pela
extrema-direita dos "portugueses de bem" está mal para o debate e
óptima para a celebração de coisa nenhuma.
(…)
Que as outras forças partidárias sejam
capazes de estar à altura do primado da política e não da sua absoluta negação.
(…)
A inadequação do PG e do OE ao novo
contexto da guerra na Ucrânia que condiciona toda e qualquer perspectiva que
hoje se tome como certa é gritante.
(…)
O combate à pobreza terá mais a cara da
distribuição de dividendos do que a da luta pela dignidade do trabalho e
da manutenção de um patamar mínimo de poder de compra pelos mais desfavorecidos
trabalhadores e pensionistas.
(…)
O massacre em Bucha poderia ter servido
para calar aqueles que se arrumam na duplicidade de razões.
Esta guerra é contra o clima. Não existe nenhuma informação
pública sobre as emissões dos exércitos.
(…)
Não há
documentação sobre as emissões do fabrico de armas nem das que se produzem nas
manobras e manutenção dos exércitos.
(…)
Temos,
todavia, um dado: os EUA emitiram 1200 milhões de toneladas de gases efeito de
estufa nas guerras desde 2001 o equivalente a 257 millhões de automóveis/ano.
(…)
O
mundo, segundo o SIPRI (Instituto para a Paz de Estocolmo), gastou mais 2 mil
milhões de milhões (2.000.000.000) de dólares em armas e sem que uma única voz
tenha rompido o tenebroso silêncio do politicamente correcto.
(…)
Nem
uma voz se ouviu a contestar o aumento de quase 100% das despesas militares,
nos nossos países, para 2%. Vergonhoso.
(…)
Esta guerra é, nenhum dos nossos especialistas o diz, uma
guerra climática, por combustíveis fósseis.
(…)
Esta
guerra (…) também é o desmascarar final da nuclear, civil e militar.
(…)
Não há nenhum nuclear seguro.
(…)
São
igualmente os direitos humanos pisoteados em nome de ideias que ao longo da
história têm conduzido às maiores vilezas, massacres, holocausto sob qualquer
das suas diversas formas.
(…)
Os
apelos permanentes a um escalar do conflito são totalmente contraproducentes.
Só se acaba com a guerra lutando contra a guerra.
(…)
Parar
já esta loucura, caminhar para um cessar-fogo, e a construção de novas relações
que excluam o ódio e promovam a fraternidade entre os povos.
António Eloy, “Público” (sem link)
A
medida que o Bloco impôs no anterior mandato da Câmara Municipal de Lisboa – suspender novas licenças de alojamento local em zonas
muito pressionadas – reduziu em 9% o preço das rendas naquelas zonas
e reduziu em 20% a compra e venda de casas.
(…)
Quem diria que resulta termos políticas públicas que regulem
a forma como organizamos as nossas cidades?
(…)
O direito à habitação tem de ser o primeiro critério de
qualquer política que possa interferir com ele.
(…)
A
limitação introduzida pelo Bloco foi mais um ato de emergência do que uma
política de fundo, mas obteve efeitos relevantes.
(…)
Todas
estas possibilidades estão agora em cima da mesa e serão realidade se se
construírem maiorias sociais e políticas que as defendam.
(…)
Será,
portanto, tempo de juntar forças, pensar a cidade e as alterações legislativas
(municipais e nacionais) que tragam gente para o centro e que baixem o preço
das rendas.
Vasco Barata, “Público” (sem link)
Faz sentido condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia e
admitir que existem factores que a motivaram.
(…)
Faz sentido reconhecer que esses factores existem e
considerar que não servem como justificação ou legitimação da invasão.
(…)
Faz sentido apoiar a Ucrânia e questionar as ligações do
governo ucraniano a milícias neonazis.
(…)
Faz sentido reconhecer que Putin está ligado à
extrema-direita e que Zelenskii também está.
(…)
Faz
sentido concordar com uma intervenção de Zelenskii no nosso Parlamento e exigir
que não se faça acompanhar de combatentes de extrema-direita.
(…)
Faz
sentido não concordar com a posição do PCP, relativamente a esta guerra,
e reconhecer a sua importância na vida democrática e a sua essencialidade nas
lutas fundamentais.
(…)
Reconhecer
ao outro o direito a ter uma opinião, ouvi-la e não lhe atribuir à força
conotações que o próprio rejeita.
(…)
Por
cada vez que alguém compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho
silvestre, seca uma flor campestre.
(…)
São partidos que dão contributos de verdadeira
social-democracia à política portuguesa.
Carmo Afonso, “Público” (sem link)
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