sexta-feira, 27 de maio de 2022

CITAÇÕES

 
Como sempre que se reúne Davos, a Oxfam publica o seu relatório sobre a desigualdade. 

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Conclui que, ao longo da pandemia, por cada 30 horas houve mais um milhão de pessoas a viver em pobreza extrema e surgiu outro multimilionário.

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A novidade está no vigor desse crescimento: durante os dois anos os bilionários acumularam mais riqueza do que nos 23 anteriores, passando a deter 14% do PIB mundial.

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Para resumir tudo, as dez pessoas mais ricas têm um património que vale tanto como o dos 40% mais pobres do planeta.

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Há várias explicações para estes sucessos e nenhuma delas é o mérito destes multimilionários.

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O mal dos outros foi o seu bem.

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Há outras formas de enriquecer que são ainda menos confessáveis. A primeira é a injustiça fiscal.

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[Biden] propõe agora um pagamento mínimo de 20% para quem tem mais de cem milhões de dólares, para corrigir um buraco na lei.

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Hoje, as 400 pessoas mais ricas dos EUA pagam em média 8% de imposto sobre o rendimento.

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Ninguém duvida de que a proposta será recusada.

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Uma segunda forma de enriquecer é a fraude. 

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O programa dos EUA para a pandemia, o Cares, registou uma fraude de pelo menos 4,5%, 100 mil milhões de dólares.

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No entanto, nenhuma destas formas de enriquecer tem impacto comparável ao da desigualdade que mina as nossas sociedades.

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[Para Michael Sandel, professor de Filosofia de Harvard] esta noção do triunfo de alguns e do fracasso de muitos enraíza-se, como todas as ideias poderosas, na ancestralidade religiosa, a de um deus omnipotente que pune e recompensa.

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O mérito seria abençoado pela divindade.

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Diz ele que o mercado, prometido como gerador da meritocracia, reforçou o monstro da desigualdade ao ponto do grotesco. 

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Quando dez multimilionários têm tanto quanto 3,1 mil milhões de pessoas, a ideia de que é pelo mérito que se sobe ou que pode haver redistribuição é uma ilusão.

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De facto, as economias mais liberais (os EUA) têm menor mobilidade intergeracional do que as do norte da Europa.

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Ou seja, a desigualdade é o roubo da identidade democrática e o seu tormento explica a desagregação da vida contemporânea.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia

 

["Nunca mais é sábado", pode ser uma expressão dita] por aqueles que tanto esperaram para uma mudança de líder no PSD.

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[Sábado] o PSD irá a votos para uma eleição directa que escolhe entre dois candidatos que mostraram tão pouco de si durante a campanha.

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A previsível vitória de Luís Montenegro fará com que o partido ajuste contas com a sua mais notável sombra, o candidato a líder que nunca foi. 

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Os militantes deverão eleger Luís Montenegro num contexto de liderança no deserto, sem perspectiva de poder.

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Um fardo pesado e desanimador para as hostes laranja e que, certamente, hipoteca grandes exaltações triunfantes.

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Os dois candidatos [à liderança do PSD] anularam o seu presente sem apresentarem uma centelha de futuro.

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Um grande deserto que deverá entregar pontos de bandeja à direita do PSD.

Miguel Guedes,JN

 

[Com a tomada do poder pelos taliban, há nove meses] a população sentiu-se abandonada e, ainda hoje, não tem uma figura que lute por si junto da opinião pública mundial.

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Os taliban estão envolvidos numa luta entre uma ala pragmática e outra ultraconservadora, as quais procuram influenciar o rumo da governação e o futuro do movimento.

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O governo não foi reconhecido por nenhum país, o que impede o Afeganistão de exercer os seus direitos e obrigações internacionais.

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Afeganistão vive uma catástrofe humanitária e uma crise económica severa.

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Após a chegada ao poder dos taliban, a ajuda financeira e técnica internacional desapareceu e foram impostas sanções ao país.

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94% da população vive na pobreza extrema.

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A piorar o cenário, a 13 de Maio a ONU admitiu que terá de reduzir o número de afegãos que ajuda de 38% para 8%, por falta de fundos, uma medida que será trágica.

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Verificou-se um retrocesso dos direitos humanos, sobretudo no caso das mulheres. 

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No mundo laboral, as mulheres apenas estão autorizadas a exercer funções no sector da saúde e da educação.

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Enquanto o mundo olha para a Ucrânia, os taliban parecem aproveitar para fazer regressar uma das práticas mais regressivas da sua governação anterior.

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A instabilidade e a violência contra civis, mulheres, minorias étnicas e religiosas, activistas e imprensa aumentou em todo o país.

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Existe o receio que ora a recusa dos taliban em negociar com adversários políticos, ora o aumento da competição entre grupos violentos, fomente uma nova guerra civil no país.

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A China poderá estar interessada em incluir o Afeganistão no seu programa de infra-estruturas à escala global (Road and Belt Initiative).

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A questão é se a China, (…) conseguirá operar ali alguma mudança a curto ou médio prazo.

Sandra Liliana Costa, “Público” (sem link)

 

Enquanto uma parte do mundo está empenhada em travar as alterações climáticas (…), há quem continue a engendrar, discretamente, planos megalómanos para exploração de energia de base fóssil.

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As conclusões dos cientistas são claras. O sofrimento humano será inevitável se não existirem mudanças radicais para reduzir os fatores que contribuem para as alterações climáticas.

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Quando os países forem energeticamente sustentáveis e independentes, os combustíveis fósseis deixarão de poder ser usados como arma de chantagem de regimes ditatoriais e autocráticos sobre países soberanos democráticos.

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Apostar na descarbonização, rumo a uma economia sem combustíveis fósseis, acautelando a justiça climática e a solidariedade social, é assumir que se está do lado certo da história.

Pedro Amaral Jorge, “Público” (sem link)


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