sábado, 8 de junho de 2024

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Na semana em que se celebrou o Dia Mundial do Ambiente convém relembrar o estudo sobre a prospetiva das alterações climáticas em Portugal apresentado em maio e que, estranhamente, foi tão pouco anunciado que quase passou desapercebido.

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A escolha [da mais credenciada equipa do país nesta matéria] é significativa: território, decisões e dinheiro. Em suma: governação pura e dura.

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As notícias não foram, pois, otimistas e centraram-se em quatro áreas de grande vulnerabilidade do país: 1. temperaturas extremas, com previsão do aumento, duração e severidade das ondas de calor; 2. redução progressiva da precipitação anual com secas severas em número crescente; (…) 3. incêndios rurais em crescendo; (…) 4. zonas costeiras severamente afetadas por fenómenos de subida do mar (…).

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[O estudo mostra] que sairá sempre mais cara a inação do que agir já na implementação das medidas de adaptação.

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Contudo, apesar dos alertas, as estruturas de governação parecem tomadas por uma estranha paralisia que impede a efetividade das medidas que a gravidade dos problemas exigem.

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Além do que já lá está, continuaram a aprovar-se novos empreendimentos turísticos na linha de costa em vários pontos do país.

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[Está nesta condição] a inédita e infame aprovação por parte do PS, PSD, CDS e IL de impedir o acesso público à Costa da Galé, o que significa a privatização de um troço de praia.

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Abriu-se um precedente que outros promotores se apressarão a explorar.

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[O problema é que estamos] perante um assalto à mão armada sobre a economia das gerações futuras.

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Enquanto em cada vez mais países ocidentais a responsabilidade está nos donos das casas e dos empreendimentos através das seguradoras (…) no caso português, (…) é o Estado, ou seja, todos nós, quem se responsabiliza pelas perdas e danos causados pelas destruições que ali ocorrerem.

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Seremos nós e as próximas gerações quem irá ainda por cima indemnizar os donos que agora se preparam para construir junto ao mar e até chamar ‘sua’ à praia em frente.

Luísa Schmidt, “Expresso”

 

Felizmente, durante uma significativa parte da minha curta vida cresci num meio são, onde não existiam homens e mulheres, homossexuais ou lésbicas, trans ou cis, brancos ou negros, normais ou anormais.

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Existiam apenas pessoas, com virtudes e defeitos, mas que sempre procuraram o melhor para si e para a comunidade onde se inseriam.

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Fruto desta feliz bolha, despertei tarde para os dramas comuns que uma pessoa queer sofre.

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Um dos problemas de despertar demasiado tarde para a nossa realidade é que o choque é muito maior.

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Quando sentimos a discriminação e a vemos de perto, quando ouvimos um estranho dizer que não somos normais, ou que Deus nos odeia (…) a revolta dentro de nós rebenta como uma bomba.

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[Quando o normal] passa a ser o medo de viver a nossa realidade, porque sabemos que há alguém à nossa volta que está contra a nossa existência (…) então aí há uma razão para se celebrar o mês do orgulho LGBTQI+​.

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A normalidade morreu a partir do momento em que o primeiro indivíduo foi atacado por pessoas, tão humanas quanto nós, só por ter cometido esse pecado mortal que é ser como é, única e integralmente.

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Estes guardiões dos bons costumes, que atacam as mulheres por serem livres com o seu corpo, que diminuem pessoas negras por serem negras, são os mesmos que condenam as pessoas queer à insegurança de serem elas mesmas.

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Para estes homens e mulheres somos todos demasiado queer, porque todos nós já fizemos isto, tal como eles e elas fizeram com os seus maridos e esposas.

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Ao radicalismo do ódio respondemos com o radicalismo do amor.

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E é dentro desta resposta que o mês do orgulho LGBTQI+ se integra.

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É a merecida homenagem a todos os que vivem a ousadia de celebrar o sonho absoluto: de um dia viver em normalidade, sem medos de ser discriminado porque amamos alguém cujo género é igual ao nosso.

Henrique França, “Público” (sem link)

 

É gratificante ver milhares e milhares de famílias com níveis de vida muito modestos a viverem, com evidente felicidade, estas cerimónias [relacionadas com a queima das fitas].

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Felizmente, a Universidade já não é só para minorias privilegiadas.

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Entretanto, desapareceu a velha relação entre o canudo e o emprego, e a vida com que a esmagadora maioria destes jovens vai deparar será dura.

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No total de pessoas empregadas em 2023, tínhamos 32,5% com Ensino Superior, quando em 1998 eram apenas 8,9%.

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O maior impulso estruturante para o desenvolvimento do país e para uma vida melhor é o avanço, quantitativo e qualitativo, na formação escolar.

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O diferencial de ganho médio de quem concluiu o Ensino Superior, comparado com o ganho do conjunto da população empregada no setor privado, embora venha a decrescer, é ainda (em 2022) de mais cerca de 52%. 

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Estes jovens vão deparar-se com falta de emprego qualificado, com precariedade e propostas de baixos salários, com impossibilidade de acesso à habitação.

Carvalho da Silva, JN

 

As 209 páginas do Plano de Emergência da Saúde (PES), recentemente apresentado pela ministra da Saúde, foi a oportunidade encapotada para o Sistema Nacional de Saúde começar a dar os primeiros passos.

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Dramatizando a designação do plano, o Governo quer fazer crer que herdou uma situação de tal forma catastrófica que só um PES é capaz de repor os cuidados de saúde que ainda são prestados num patamar aceitável.

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O PES resume-se a um conjunto de medidas que visam, explicitamente, convidar os sectores privado e social a entrarem pela porta grande do SNS.

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Se a Lei de Bases da Saúde interdita as parcerias público-privadas na gestão clínica dos hospitais, transformou-se essa interdição numa oportunidade de comprar cuidados de saúde àqueles sectores.

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De outra maneira, a entrada no SNS [no mercado] não é casuística, é um convite para se alojar, servindo-se dos impostos pagos pelos contribuintes.

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Esta canibalização leva a que, do SNS que se conhece, restem os ossos, roubando-lhe ainda a sigla, como se já não bastasse.

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Um plano que tem na prevenção e na promoção matéria que daria para as 209 páginas, ou mais, só pode ser da autoria de quem tem destes elementos estruturais a imagem daqueles raros trevos com quatro folhas.

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Os profissionais da saúde são tratados com a retórica de quem os deseja ver pelas costas.

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Quando chega à remuneração e ao plano de carreira, a fuga é o que melhor as caracteriza.

Cipriano Justo, “Público” (sem link)


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