(…)
A escolha [da mais credenciada equipa do país
nesta matéria] é significativa: território, decisões e dinheiro. Em suma:
governação pura e dura.
(…)
As notícias não foram, pois, otimistas e
centraram-se em quatro áreas de grande vulnerabilidade do país: 1.
temperaturas extremas, com previsão do aumento, duração e severidade das ondas
de calor; 2. redução progressiva da precipitação anual com secas severas
em número crescente; (…) 3. incêndios rurais em crescendo; (…) 4. zonas
costeiras severamente afetadas por fenómenos de subida do mar (…).
(…)
[O
estudo mostra] que sairá sempre
mais cara a inação do que agir já na implementação das medidas de adaptação.
(…)
Contudo, apesar dos alertas, as estruturas de
governação parecem tomadas por uma estranha paralisia que impede a efetividade
das medidas que a gravidade dos problemas exigem.
(…)
Além do que já lá está, continuaram a
aprovar-se novos empreendimentos turísticos na linha de costa em vários pontos
do país.
(…)
[Está nesta condição] a inédita e infame
aprovação por parte do PS, PSD, CDS e IL de impedir o acesso público à Costa da
Galé, o que significa a privatização de um troço de praia.
(…)
Abriu-se um precedente que outros promotores se
apressarão a explorar.
(…)
[O
problema é que estamos] perante um
assalto à mão armada sobre a economia das gerações futuras.
(…)
Enquanto em cada vez mais países ocidentais a
responsabilidade está nos donos das casas e dos empreendimentos através das
seguradoras (…) no caso português, (…) é o Estado, ou seja,
todos nós, quem se responsabiliza pelas perdas e danos causados pelas
destruições que ali ocorrerem.
(…)
Seremos nós e as próximas gerações quem irá
ainda por cima indemnizar os donos que agora se preparam para construir junto
ao mar e até chamar ‘sua’ à praia em frente.
Luísa Schmidt, “Expresso”
Felizmente,
durante uma significativa parte da minha curta vida cresci num meio são, onde
não existiam homens e mulheres, homossexuais ou lésbicas, trans ou cis, brancos
ou negros, normais ou anormais.
(…)
Existiam
apenas pessoas, com virtudes e defeitos, mas que sempre procuraram o melhor
para si e para a comunidade onde se inseriam.
(…)
Fruto desta feliz bolha, despertei tarde para
os dramas comuns que uma pessoa queer sofre.
(…)
Um dos problemas de despertar demasiado tarde
para a nossa realidade é que o choque é muito maior.
(…)
Quando
sentimos a discriminação e a vemos de perto, quando ouvimos um estranho dizer
que não somos normais, ou que Deus nos odeia (…) a revolta dentro de nós rebenta como uma bomba.
(…)
[Quando
o normal] passa a ser o medo de viver a nossa realidade, porque sabemos que há
alguém à nossa volta que está contra a nossa existência (…) então aí há uma razão para se celebrar o
mês do orgulho LGBTQI+.
(…)
A
normalidade morreu a partir do momento em que o primeiro indivíduo foi atacado
por pessoas, tão humanas quanto nós, só por ter cometido esse pecado mortal que
é ser como é, única e integralmente.
(…)
Estes
guardiões dos bons costumes, que atacam as mulheres por serem livres com o seu
corpo, que diminuem pessoas negras por serem negras, são os mesmos que condenam
as pessoas queer à
insegurança de serem elas mesmas.
(…)
Para
estes homens e mulheres somos todos demasiado queer, porque todos nós já fizemos isto, tal
como eles e elas fizeram com os seus maridos e esposas.
(…)
Ao radicalismo do ódio respondemos com o
radicalismo do amor.
(…)
E é dentro desta resposta que o mês do orgulho
LGBTQI+ se integra.
(…)
É a
merecida homenagem a todos os que vivem a ousadia de celebrar o sonho absoluto:
de um dia viver em normalidade, sem medos de ser discriminado porque amamos
alguém cujo género é igual ao nosso.
Henrique França, “Público” (sem link)
É gratificante ver milhares e milhares de famílias com níveis
de vida muito modestos a viverem, com evidente felicidade, estas cerimónias
[relacionadas com a queima das fitas].
(…)
Felizmente, a Universidade já não é só para minorias
privilegiadas.
(…)
Entretanto, desapareceu a velha relação entre o canudo e o
emprego, e a vida com que a esmagadora maioria destes jovens vai deparar será
dura.
(…)
No total de pessoas empregadas em 2023, tínhamos 32,5% com
Ensino Superior, quando em 1998 eram apenas 8,9%.
(…)
O maior impulso estruturante para o desenvolvimento do país e
para uma vida melhor é o avanço, quantitativo e qualitativo, na formação
escolar.
(…)
O diferencial de ganho médio de quem concluiu o Ensino
Superior, comparado com o ganho do conjunto da população empregada no setor
privado, embora venha a decrescer, é ainda (em 2022) de mais cerca de 52%.
(…)
Estes jovens vão deparar-se com falta de emprego qualificado,
com precariedade e propostas de baixos salários, com impossibilidade de acesso
à habitação.
As 209
páginas do Plano de Emergência da Saúde (PES), recentemente apresentado pela
ministra da Saúde, foi a oportunidade encapotada para o Sistema Nacional de
Saúde começar a dar os primeiros passos.
(…)
Dramatizando
a designação do plano, o Governo quer fazer crer que herdou uma situação de tal
forma catastrófica que só um PES é capaz de repor os cuidados de saúde que
ainda são prestados num patamar aceitável.
(…)
O PES
resume-se a um conjunto de medidas que visam, explicitamente, convidar os
sectores privado e social a entrarem pela porta grande do SNS.
(…)
Se a
Lei de Bases da Saúde interdita as parcerias público-privadas na gestão clínica
dos hospitais, transformou-se essa interdição numa oportunidade de comprar cuidados
de saúde àqueles sectores.
(…)
De
outra maneira, a entrada no SNS [no mercado] não é casuística, é um convite
para se alojar, servindo-se dos impostos pagos pelos contribuintes.
(…)
Esta
canibalização leva a que, do SNS que se conhece, restem os ossos, roubando-lhe
ainda a sigla, como se já não bastasse.
(…)
Um
plano que tem na prevenção e na promoção matéria que daria para as 209 páginas,
ou mais, só pode ser da autoria de quem tem destes elementos estruturais a
imagem daqueles raros trevos com quatro folhas.
(…)
Os profissionais da saúde são tratados com a
retórica de quem os deseja ver pelas costas.
(…)
Quando chega à remuneração e ao plano de
carreira, a fuga é o que melhor as caracteriza.
Cipriano Justo, “Público”
(sem link)
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