Mariana Pereira Guimarães, “Público”
domingo, 6 de abril de 2025
FRASE DO DIA (2421)
TODOS TÊM DIREITO À PROTEÇÃO NA SAÚDE E HABITAÇÃO DIGNA: A CONSTITUIÇÃO FAZ 49 ANOS
Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de
dimensão adequada, e o Estado assegura o direito à habitação. Parece lógico,
não?
Está escrito na Constituição, que faz agora 49 anos que entrou em vigor.
VIOLAÇÃO NÃO SE FILMA, CONDENA-SE E DEVE SER CRIME PÚBLICO
As vítimas têm de saber que a sociedade está do seu lado.
Sabe mais em: https://www.nowcanal.pt/.../bloco-de-esquerda-defende-que...
ULTIMAS NOTÍCIAS DE DIREITOS HUMANOS
Os ataques dos colonos israelitas continuam na Cisjordânia ocupada, os
direitos LGBTI na Hungria estão a ser ameaçados, o estado de Ahmadreza Djalali
piorou na prisão no Irão, mas não faltaram também boas notícias.
Percorra as últimas notícias de Direitos Humanos e diga-nos nos comentários
qual foi para si a melhor notícia. AI
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sábado, 5 de abril de 2025
MAIS CITAÇÕES (327)
(…)
Deve estar enganado quem, nos EUA, na Europa ou
noutras latitudes, se refugia na ideia de que basta fazer de morto e esperar
que a tempestade passe. O baralho está a ser manipulado.
(…)
O “livre comércio” sempre funcionou bem a favor
dos poderosos, nem sempre a favor dos outros. Sustentou uma certa “ordem” num
longo espaço temporal.
(…)
Em regra, favoreceu a imposição do abaixamento
dos custos do trabalho, dos salários e da proteção social, mas foi apresentado
sempre como determinante para o desenvolvimento e a democracia.
(…)
Esquecemo-nos de que nem poderes divinos
garantem aos seres humanos alianças eternas.
(…)
Habituamo-nos a ver os países ricos numa defesa
acérrima do “livre comércio” e os pobres a tentarem condições pontuais de
“protecionismo” para minorar os sacrifícios dos seus cidadãos. Agora, este
filme surge de pernas para o ar.
(…)
A mensagem de Trump identifica-se com o que ele
sente: falta de emprego digno e baixo nível de vida.
[Robert F. Kennedy Jr.] foi
empossado como secretário da Saúde dos EUA, uma ideia tão absurda como pôr um
terraplanista aos comandos da NASA (com, claro está, intensidade apaixonada)
(…)
Neste
recém-instalado reinado anticiência já despontam os primeiros sinais de alerta.
Há um surto de sarampo no Texas, cujo foco inicial foi um grupo de cristãos
evangélicos, com escolas próprias, nas quais a maior parte das crianças não
está vacinada.
(…)
RFK
Jr. não é apenas um inócuo antivacinas na intimidade, antes externaliza e
inocula a estupidez. Causa mossa, tem inclusivamente um passado ativista
anti-vacinação.
(…)
Mas
nada será como dantes, com todo o poder da saúde americana agora nas suas mãos,
sob o desígnio Make America
Healthy Again.
(…)
Entretanto,
este surto de sarampo continua a somar casos, RFK Jr. faz recomendações
tresloucadas sobre como (não) conter a gripe das aves e os EUA saem da Organização
Mundial da Saúde (OMS).
(…)
É, sem meias palavras, um imenso retrocesso
civilizacional. Os negacionistas tomaram as rédeas do poder.
(…)
O passo seguinte neste reinado é cercar aqueles
que combatem o obscurantismo – os cientistas.
(…)
Já está a acontecer, sob a forma de
despedimentos e redução de financiamento científico
(…)
A ex-maior comunidade científica do mundo (na
verdade, foi recentemente ultrapassada
pela da China) está em risco de colapso.
(…)
Eis um governo visceralmente anti-intelectual,
a obstaculizar o avanço científico a um nível nunca visto.
(…)
[Esta
cruzada anti intelectual] está a perseguir estudantes universitários que se
manifestaram pelos direitos humanos na Palestina e corta ou planeia cortar
fundos a diversas universidades que se recusaram a
reprimir as manifestações dos seus estudantes.
(…)
Julgo
não haver exemplos deste tipo de ataque frontal à liberdade académica noutros
países cujo regime seja outro que não o totalitarismo.
(…)
Ao que tudo indica Trump não será um querido
líder entre os cientistas.
(…)
Este é
o atual cenário americano, onde o absurdo
permeia a realidade. Nem todos quererão viver nesta segunda vinda do
obscurantismo.
Pedro Laires, “Público”
(sem link)
A fuga
de cérebros é um fenómeno histórico com diversos exemplos. Nós próprios temos
vários, que infelizmente vão no sentido que nos prejudica.
(…)
Na
última década, Portugal foi dos países europeus onde a fuga de cérebros mais se
acentuou, com um significativo impacto
económico que foi até recentemente estimado.
(…)
No extremo oposto, talvez nenhum outro país
tenha beneficiado tanto da fuga de cérebros como os EUA.
(…)
Isto
aconteceu quando o contexto político e social era desfavorável no nosso lado e
próspero no outro lado do Atlântico.
(…)
A tendência inverte-se e surgem sinais de marcha-atrás no
êxodo de talentos.
(…)
[Foi
da Alemanha, no contexto da ascensão do nazismo que muitos] cientistas
emigraram – o que contribuiu para que os EUA se firmassem como a maior potência
científica e tecnológica (e, já agora, militar) do mundo no pós-guerra.
(…)
Hoje, o obscurantismo americano repele cérebros
e a Europa deverá estar pronta para os acolher.
(…)
A
reversão deste fenómeno é, portanto, uma inequívoca oportunidade para a Europa,
que deverá saber atrair os melhores talentos nas áreas técnico-científicas em que está mais atrasada.
(…)
Nós, por cá, deveríamos saber acompanhar esta
“corrida aos cérebros”.
(…)
Relembrar
que não é só a ciência que está a ser atacada, mas que esta é uma investida da
indecência e do absurdo em toda a linha, ataca também a educação, a cultura
e os direitos fundamentais.
(…)
Que
toda esta tragédia americana, que se abate sobre o mundo, nos sirva pelo menos
de ferramenta e seja uma oportunidade para ganharmos alguma sabedoria.
Pedro Laires, “Público”
(sem link)
Vivemos tempos estranhos. Não apenas difíceis.
Mas estranhos, porque o que antes nos causava indignação agora muitas vezes nos
deixa apenas em silêncio.
(…)
O medo voltou, mas com novas máscaras. E com
ele, a coragem. Parece contraditório, mas não é. Há um medo que paralisa, sim.
(…)
Mas há também a ausência do medo que se
transforma em arrogância e abuso.
(…)
[Há políticos] a violar direitos humanos com a
maior das naturalidades. E nada acontece.
(…)
Não há sanções, nem sociais, nem legais, nem
morais.
(…)
Assistimos a uma espécie de flexibilização da
ética e da legalidade.
(…)
O medo deixa de ser reação e passa a ser
condição e é aí que a liberdade se desfaz.
(…)
Vamos aprendendo, quase sem notar, a aceitar
certos abusos como parte do funcionamento normal das coisas.
(…)
Porque quando deixamos de acreditar que vale a
pena lutar, abrimos caminho para que tudo continue como está, e pior, como se
fosse natural!!!!
(..)
É preciso dar maior visibilidade ao que temos
vindo a assistir em vários cantos, grupos, comunidades, onde as pessoas se
juntam e dizem basta.
(…)
A coletivização da coragem talvez seja a única
saída real que temos.
Fátima Alves, “diário as beiras”
FRANCISCO LOUÇÃ, NO “EXPRESSO DA MEIA-NOITE”
SIC Notícias
Expresso da Meia-Noite, sobre as tarifas de Trump
PROPAGANDISTAS DE ISRAEL LANÇAM NOVOS BOATOS SOBRE O BLOCO
Há dois meses, foi prontamente desmentido o boato de que existem empresas a
funcionar na sede do Bloco. Há agora uma nova mentira: o prédio adquirido em
2005 teria pertencido à família Mortágua, com obras pagas pela Câmara.
https://www.esquerda.net/.../propagandistas-de.../94424
É PRECISO CORAGEM PARA BAIXAR AS RENDAS
A TURBULÊNCIA TOMOU CONTA DOS ESTADOS UNIDOS
Uma semana que ficará para a história das
bolsas, da economia e, provavelmente, para a história mundial.
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sexta-feira, 4 de abril de 2025
CITAÇÕES
(…)
Com Montenegro, basta-me saber que recebia uma avença de
casinos enquanto era primeiro-ministro e tropeçar nas sucessivas
meias-verdades, omissões e coincidências entre os seus negócios privados,
relações partidárias e funções técnicas para confirmar, a cada notícia que sai,
que elegemos um videirinho.
(…)
As condições de governabilidade até eram excessivas para uma
coligação com 29% que não mostrou interesse em construir entendimentos
parlamentares com quem quer que fosse.
(…)
Apesar de ser óbvio que o que corre bem já corria bem e o que
corre mal piorou mais um pouco.
(…)
Montenegro apresentou uma moção de confiança que sabia
chumbada, recorrendo ao sufrágio popular para atestar a sua própria honestidade.
(…)
É impossível que esta campanha não seja sobre a razão pela
qual vamos a votos: as condições éticas para Montenegro ocupar o cargo que
ocupa.
(…)
Ainda só começámos a puxar o fio à meada e já se percebeu que
Montenegro será um poço de casos nos próximos anos.
(…)
Não há vitória eleitoral que apague a sua biografia.
(…)
E não foi por falta de sinais, com uma carreira feita de
ajustes diretos com autarquias do PSD.
(…)
As eleições não sufragam o cumprimento da lei. Só tribunais o
podem fazer.
(…)
Foi escolha de quem achou, muito provavelmente com razão, que
o mau momento reputacional seria compensado pelo bom momento económico e
orçamental.
(…)
Imagino que restarão dois temas nesta campanha: os casos de
Montenegro e a governabilidade. E parece haver a tentação de separar os dois.
Só que eles estão ligados.
(…)
As histórias continuarão lá todas.
(…)
Montenegro será um primeiro-ministro vulnerável. Uma
vulnerabilidade ditada por muitas suspeitas e algumas certezas.
(…)
A extrema-direita cresce com a degenerescência da democracia.
Ela não representa a indignação.
(…)
A reeleição e reforço de um primeiro-ministro com este perfil
ético pode corresponder ao derradeiro episódio de uma era.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
Num
país [India] onde a violência entre comunidades aumentou no ano passado 84% em relação a 2023, de acordo com um estudo do Centro
para o Estudo da Sociedade e do Secularismo (…) Sadhan [uma aldeia a poucos quilómetros do Taj Mahal]
resiste com amor.
(…)
“As pessoas pensam no Taj Mahal como o símbolo
máximo do amor”, conta à mesma agência o antigo lutador Kedar Singh, orgulhoso
habitante da aldeia.
(…)
Jameel
Jadon, antigo líder da aldeia, critica as políticas radicais fomentadas por
Nova Deli desde que a extrema-direita
hindu chegou ao poder há uma
década.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
Booker,
senador democrata de Nova Jérsia (um dos 14 afro-americanos eleitos para o
Senado na história dos EUA), falou no plenário do Senado durante 25 horas e quatro minutos.
(…)
O
discurso de Booker contra um Presidente empenhado em fazer o país recuar em
muitas das conquistas sociais dos últimos 70 anos transformou-se, dizia a NBC News, num “momento catártico para para uma vasta faixa
de eleitores desmoralizados em todo o país”, ansiosos por uma verdadeira
oposição do Partido Democrata ao que Trump e o Partido Republicano estão a fazer.
(…)
O seu
interesse não era ser uma pedra na engrenagem, mas chamar a atenção para os
perigos da engrenagem posta em marcha por esta Casa Branca.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
O
Eternauta [filme] é, na
realidade, uma obra realista sobre as ditaduras que se abatem sem dó nem
piedade sobre as sociedades e sobre aqueles que resistem a se submeter a esses
poderes obscuros arriscando a sua própria vida.
(…)
A
Oesterheld interessava contar a história, não de um solitário sobrevivente como
o criado por Daniel Defoe, mas de um grupo.
(…)
Ao invés do herói solitário tantas vezes
encenado pelo cinema norte-americano (…) emergiu o que vemos em O Eternauta, a luta do herói colectivo.
(…)
Como
tão bem diz a sinopse da série, “a única maneira de continuar vivo é resistir e
lutar juntos”, pois “ninguém se salva sozinho”.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
Nos
cantos menos lidos da Bíblia podem estar ensinamentos que nos ajudam a navegar
estes tempos de violência e desespero. E a partir dessa sombra [o padre franciscano Richard Rohr]
tenta alumiar-nos o caminho.
(…)
Com
esta obra, o autor de O Cristo
Universal procura, com auxílio dos profetas, ajudar-nos a viver com
a raiva que sentimos por todas as injustiças que vemos à nossa volta.
António
Rodrigues, “Público” (sem link)
O reforço de segurança à volta da juíza que acusou Marine Le
Pen deveria inspirar-nos, a todos, ao cerco sanitário necessário à poluição
produzida pelos autodenominados impolutos.
(…)
Limpar Portugal é um belíssimo “slogan” para quem tem feito
vida subvertendo a lei dos mais fracos, porventura porque pretende colocar o
país verdadeiramente limpo, ou seja, como resultado de um saque.
(…)
[Em França],dois dias depois da condenação da líder da União
Nacional por desvio de fundos do Parlamento Europeu, são mais do que muitos os
ataques a juízes pela extrema-direita, nomeadamente a Bénédicte de Perthuis,
juíza especialista em crimes financeiros, agora com protecção policial diária.
(…)
É o primeiro momento em que a França se confronta com uma
camisa de forças onde a democracia luta com a demagogia e a violência que lhe
está associada.
(…)
Uma vez mais, é a França a iluminar caminho.
(…)
As fontes de
financiamento da extrema-direita europeia estão bem estudadas e documentadas,
nomeadamente a portuguesa.
(…)
Sair à rua
é, ainda hoje, uma demonstração de determinação e poder. Amanhã será um sábado
quente no mundo.
(…)
Talvez seja
na rua, no combate ao medo, mais do que nos “outdoors”, que se venha a limpar a
política.