(…)
[Com a
redução do ISP] algumas distribuidoras notaram a possibilidade de aumentarem a
sua margem e mantiveram os preços ou reduziram-nos menos do que o devido.
(…)
O
mercado funcionou como sabe funcionar, com o faro da oportunidade.
(…)
Só que
para que essa perda de receita fiscal [resultante da baixa do ISP] beneficiasse
os consumidores seria necessário, como é natural, que a diferença fosse
totalmente transferida para o preço final.
(…)
Por um
estranho efeito de magia, a concorrência em que se enfrentariam [as poucas
empresas de distribuição de combustível] costuma registar uma harmoniosa
consonância de estratégias.
(…)
E na
mesma semana, com o à vontade dos vencedores, a Galp anunciou que sextuplicou
os seus lucros no primeiro trimestre do ano em relação ao período homólogo.
(…)
O
Estado fingiu falar com voz grossa e os preços ficaram na mesma, no meio de
atabalhoadas justificações da Galp a respeito do câmbio do euro e dos preços
internacionais.
(…)
A
indisfarçada impotência do Estado em relação às empresas da energia tem vindo a
acentuar-se, ao ponto de estas desmentirem o primeiro-ministro até quando ele
anuncia uma medida com impacto público.
(…)
Se há
nisto uma lição, é que o sistema regulatório é anedótico, pois são as empresas
dominantes que determinam os preços.
(…)
Segundo
as contas do FMI, que inquiriu 900 mil empresas em 27 países e ao longo de
década e meia em todos os sectores, houve um grupo de empresas, as 10% mais
poderosas, que subiram os preços quando queriam, faculdade que usaram com
abundância (mais 35%)
(…)
[O
mercado funciona como] um sistema em que a produção, a remuneração e a
distribuição do rendimento são determinadas por quem manda.
(…)
E quem
manda não é quem elegemos.
Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)
Moscovo prepara-se para uma parada bélica
sem precedentes, demonstração de força em versão-montra de 10 mil soldados e de
quase uma centena de asas e hélices de combate aéreo.
(…)
A guerra na Ucrânia está para durar e
para fazer vítimas. O cansaço e a surpresa já se introduzem no
discurso oficial.
(…)
É indiscutível que os planos de Putin,
estrategicamente decididos, medidos e ponderados há meses, sofreram um enorme
abalo quando se depararam com o choque da realidade.
(…)
Com atraso significativo nos seus
"timings" de guerra, cada vez mais isolado e com a Rússia como Estado
pária do direito internacional, as manifestações magnas de poder são para Putin
tão importantes como as leis internas que o eternizam no comando.
(…)
Como se tinha como certo, a inexistência
de uma porta de saída é para Putin o maior alimento bélico que necessita para
se autojustificar.
O que detestam então os anticomunistas? A esquerda.
(…)
No
comunismo, e no Bloco de Esquerda, é onde estão apenas políticas de esquerda,
onde não há centro e onde ninguém se intitula “liberal”.
(…)
O que
está em causa no anticomunismo é um conflito com ideais de esquerda democrática
sob a aparência de conflito com ideais de esquerda totalitária.
(…)
[Guerra:]
trata-se de uma tragédia, sobretudo para os
ucranianos, e para a esquerda portuguesa também não é boa.
(…)
[Quanto à guerra] o centro-esquerda passou a ter um discurso
semelhante ao do centro-direita tradicional.
(…)
Quem sente em si anticomunismo deve verificar se não encontra
também fascismo.
(…)
O que
é novo, entre nós, é essa aproximação do centro-esquerda aos discursos do
centro-direita, e da direita radical, que criticam a esquerda e que a isolam e
a assinalam como um mal a ser expurgado da vida política.
(…)
A
primeira coisa a dizer sobre isto é que acusa falta de maturidade política quem
faz críticas, dessa natureza, ignorando as consequências, também políticas, do
que faz.
Carmo Afonso, “Público” (sem link)
[Diante dos horrores da história] não entendemos, achamos que
faríamos diferente, que hoje seria impossível.
(…)
Continua
a haver trabalho forçado, tráfico de seres humanos, crianças a morrer à fome ou
por causa das guerras, feminicídios, violações, continuam a morrer pessoas no
Mediterrâneo.
(…)
A
partir do momento em que temos consciência destes mecanismos, precisamos também
de os contrariar, precisamos de deixar de pensar que a culpa, a
responsabilidade é sempre do outro.
(…)
Este
fenómeno do não falar porque não se acredita na nossa palavra, ou porque se
incomoda, também o conhecemos nas questões de racismo ou de violência contra as
mulheres.
(…)
Estamos,
hoje, a assistir em direto e a cores a uma máquina poderosa de desinformação
com a ajuda de pessoas reais e não entidades abstratas.
(…)
Comentadores,
jornalistas, políticos, gurus das redes sociais e tantas outras pessoas
partilham sem despudor propaganda, procedem a um escrutínio desmesurado e
seletivo do lado ucraniano.
(…)
A
dúvida, a diversão. No meio de tudo isto, está o povo ucraniano. Continuam a
ser mortos, violados, continuam a fugir para salvar a vida. Os resistentes
russos continuam a ser perseguidos.
(…)
Como é
que as suas [das vítimas] vozes poderão ser ouvidas no meio do barulho dos
discursos que invalidam e invisibilizam as suas experiências?
(…)
O que
podemos nós fazer? Podemos aprender com outras lutas.
Luísa Semedo, “Público” (sem link)
O
governador da Florida, Ron DeSantis, formado em História e Direito, proibiu 54
manuais de Matemática por incluírem a Teoria Crítica da Raça
e novos métodos pedagógicos como a Aprendizagem Emocional e Social.
(…)
[DeSantis limita-se] a embarcar nessa
tremenda guerra cultural que está a levar os Estados Unidos para um
obscurantismo de costumes, violento e impositivo.
(…)
[O
mesmo se passa com] o documento de trabalho do Supremo Tribunal dos EUA sobre o
direito ao aborto que, de forma inédita, (…) [mostra] que a mais alta instância
judicial do país se prepara para (…) escancarar as portas à proibição da
interrupção voluntária da gravidez em muitos estados dos EUA.
(…)
Em
relação aos manuais da Florida, os grupos mais conservadores do país defendem
que se trata de formas de doutrinação da juventude.
(…)
[Estamos
de novo perante uma] América profundamente reaccionária que tenta condicionar o
pensamento, a história e até os factos à sua visão obscurantista do mundo.
António Rodrigues, “Público”
(sem link)
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