sábado, 7 de maio de 2022

CITAÇÕES

 
A comunicação social registou o incómodo dos automobilistas que esperaram por segunda-feira para encher o depósito, aproveitando o anunciado abatimento dos preços, para perceberem então que iam ao engano.

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[Com a redução do ISP] algumas distribuidoras notaram a possibilidade de aumentarem a sua margem e mantiveram os preços ou reduziram-nos menos do que o devido. 

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O mercado funcionou como sabe funcionar, com o faro da oportunidade.

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Só que para que essa perda de receita fiscal [resultante da baixa do ISP] beneficiasse os consumidores seria necessário, como é natural, que a diferença fosse totalmente transferida para o preço final. 

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Por um estranho efeito de magia, a concorrência em que se enfrentariam [as poucas empresas de distribuição de combustível] costuma registar uma harmoniosa consonância de estratégias. 

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E na mesma semana, com o à vontade dos vencedores, a Galp anunciou que sextuplicou os seus lucros no primeiro trimestre do ano em relação ao período homólogo.

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O Estado fingiu falar com voz grossa e os preços ficaram na mesma, no meio de atabalhoadas justificações da Galp a respeito do câmbio do euro e dos preços internacionais.

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A indisfarçada impotência do Estado em relação às empresas da energia tem vindo a acentuar-se, ao ponto de estas desmentirem o primeiro-ministro até quando ele anuncia uma medida com impacto público.

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Se há nisto uma lição, é que o sistema regulatório é anedótico, pois são as empresas dominantes que determinam os preços. 

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Segundo as contas do FMI, que inquiriu 900 mil empresas em 27 países e ao longo de década e meia em todos os sectores, houve um grupo de empresas, as 10% mais poderosas, que subiram os preços quando queriam, faculdade que usaram com abundância (mais 35%)

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[O mercado funciona como] um sistema em que a produção, a remuneração e a distribuição do rendimento são determinadas por quem manda.

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E quem manda não é quem elegemos.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Moscovo prepara-se para uma parada bélica sem precedentes, demonstração de força em versão-montra de 10 mil soldados e de quase uma centena de asas e hélices de combate aéreo.

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A guerra na Ucrânia está para durar e para fazer vítimas. O cansaço e a surpresa já se introduzem no discurso oficial.

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É indiscutível que os planos de Putin, estrategicamente decididos, medidos e ponderados há meses, sofreram um enorme abalo quando se depararam com o choque da realidade.

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Com atraso significativo nos seus "timings" de guerra, cada vez mais isolado e com a Rússia como Estado pária do direito internacional, as manifestações magnas de poder são para Putin tão importantes como as leis internas que o eternizam no comando.

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Como se tinha como certo, a inexistência de uma porta de saída é para Putin o maior alimento bélico que necessita para se autojustificar.

Miguel Guedes, JN

 

O que detestam então os anticomunistas? A esquerda.

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No comunismo, e no Bloco de Esquerda, é onde estão apenas políticas de esquerda, onde não há centro e onde ninguém se intitula “liberal”.

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O que está em causa no anticomunismo é um conflito com ideais de esquerda democrática sob a aparência de conflito com ideais de esquerda totalitária.

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[Guerra:] trata-se de uma tragédia, sobretudo para os ucranianos, e para a esquerda portuguesa também não é boa.

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[Quanto à guerra] o centro-esquerda passou a ter um discurso semelhante ao do centro-direita tradicional.

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Quem sente em si anticomunismo deve verificar se não encontra também fascismo.

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O que é novo, entre nós, é essa aproximação do centro-esquerda aos discursos do centro-direita, e da direita radical, que criticam a esquerda e que a isolam e a assinalam como um mal a ser expurgado da vida política.

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A primeira coisa a dizer sobre isto é que acusa falta de maturidade política quem faz críticas, dessa natureza, ignorando as consequências, também políticas, do que faz.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)

 

[Diante dos horrores da história] não entendemos, achamos que faríamos diferente, que hoje seria impossível.

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Continua a haver trabalho forçado, tráfico de seres humanos, crianças a morrer à fome ou por causa das guerras, feminicídios, violações, continuam a morrer pessoas no Mediterrâneo.

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A partir do momento em que temos consciência destes mecanismos, precisamos também de os contrariar, precisamos de deixar de pensar que a culpa, a responsabilidade é sempre do outro.

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Este fenómeno do não falar porque não se acredita na nossa palavra, ou porque se incomoda, também o conhecemos nas questões de racismo ou de violência contra as mulheres.

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Estamos, hoje, a assistir em direto e a cores a uma máquina poderosa de desinformação com a ajuda de pessoas reais e não entidades abstratas.

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Comentadores, jornalistas, políticos, gurus das redes sociais e tantas outras pessoas partilham sem despudor propaganda, procedem a um escrutínio desmesurado e seletivo do lado ucraniano.

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A dúvida, a diversão. No meio de tudo isto, está o povo ucraniano. Continuam a ser mortos, violados, continuam a fugir para salvar a vida. Os resistentes russos continuam a ser perseguidos.

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Como é que as suas [das vítimas] vozes poderão ser ouvidas no meio do barulho dos discursos que invalidam e invisibilizam as suas experiências?

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O que podemos nós fazer? Podemos aprender com outras lutas.

Luísa Semedo, “Público” (sem link)

 

O governador da Florida, Ron DeSantis, formado em História e Direito, proibiu 54 manuais de Matemática por incluírem a Teoria Crítica da Raça e novos métodos pedagógicos como a Aprendizagem Emocional e Social.

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[DeSantis limita-se] a embarcar nessa tremenda guerra cultural que está a levar os Estados Unidos para um obscurantismo de costumes, violento e impositivo.

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[O mesmo se passa com] o documento de trabalho do Supremo Tribunal dos EUA sobre o direito ao aborto que, de forma inédita, (…) [mostra] que a mais alta instância judicial do país se prepara para (…) escancarar as portas à proibição da interrupção voluntária da gravidez em muitos estados dos EUA.

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Em relação aos manuais da Florida, os grupos mais conservadores do país defendem que se trata de formas de doutrinação da juventude.

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[Estamos de novo perante uma] América profundamente reaccionária que tenta condicionar o pensamento, a história e até os factos à sua visão obscurantista do mundo.

António Rodrigues, “Público” (sem link)


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