(…)
[Um
antigo acerto diplomático] parece estar agora a ser substituído por braços de
ferro, ameaças e factos consumados, numa espiral que é assinalável.
(…)
A
primeira razão é que já vai longo o período de baixas taxas médias de lucro e,
ainda mais marcado, de acumulação mínima.
(…)
É uma
tendência generalizada no contexto da recuperação medíocre que se seguiu à
recessão de 2008-09 e agora à de 2020-21.
(…)
No
caso do sistema bancário, a baixa taxa de juros restringiu a margem financeira
e voltou a incentivar as operações sombra em ativos de risco.
(…)
A
baixa dos impostos é o alfa e o ómega do discurso dos representantes do capital.
(…)
A
segunda razão que impulsiona esta vaga de pressões empresariais é o deslizar
do contexto político em tempo pós-e-ante-Trump.
(…)
É de
notar a mudança profunda dos partidos políticos da direita, que decorre desta
nova parentalidade, e a forma como se posicionam nervosamente na defesa dos
interesses de empresas em concreto.
(…)
O caso
da Endesa é [paradigmático].
(…)
O
imbróglio deste discurso é que contradiz a experiência social intensa que
vivemos, ou como a pandemia revelou a importância dos bens comuns na sociedade
moderna, da segurança garantida pelo serviço de saúde até ao apoio ao emprego.
(…)
Marco
Galinha, o dono do “DN”, “JN”, TSF e outros, tem movido uma perseguição
persistente a quem o questiona.
(…)
[Catarina
Martins e Ana Gomes são alvos] presume-se que por terem perguntado como é que
uma empresa próxima do poder recebe metade dos fundos.
(…)
Seria
o Armagedão se o Governo viesse a aplicar um imposto comparável ao italiano,
espanhol ou inglês sobre os “lucros caídos do céu”.
(…)
Este
acirrar de posições tem merecido uma resposta débil e não é de antecipar muito
mais.
(…)
[Nada
restringe] os lucros caídos do céu de mais 153% na Galp e igualmente generosos
noutras empresas dominantes.
Francisco Louçã, “Expresso” (sem link)
A razão pela qual o Aeroporto do Porto é tão prezado internacionalmente
e, simultaneamente, votado ao desprezo no seu próprio país, é um autêntico triângulo
das Bermudas aeroportuário.
(…)
A companhia aérea portuguesa ou se
repensa - enquanto companhia de bandeira de todo o país - ou morre para mais de
metade do seu território e abandona a sua razão de ser e de existir.
A origem de incêndios florestais é sobejamente conhecida.
(…)
Seja
como for, qualquer que seja a modalidade da origem do incêndio, o Estado tem de
estar preparado para controlar a situação ameaçadora do fogo florestal.
(…)
Como se sabe, da área florestal no continente, apenas 3% é
pública, sendo 84% de
propriedade privada.
(…)
[Sendo assim] os recursos preventivos do Estado estão
grandemente ao serviço dos proprietários privados, ainda não cadastrados na sua
totalidade.
(…)
[O Estado pode assumir] a
posse administrativa da área florestal privada, em sentido restrito, alegando a
defesa do interesse público de vida e bens, ficando salvaguardado o direito de propriedade privada.
António Bernardo Colaço, “Público” (sem link)
Nos
tempos que atravessamos, por ironia do destino, os mais velhos sentem que o
tempo custa a passar até chegar ao final do mês, mais propriamente até ao dia
de receber a pensão.
(…)
E tudo
isto porque suportar uma inflação superior a 9%, quando as pensões
aumentaram 1% ou menos, torna-se insustentável para garantir as condições
mínimas de sobrevivência.
(…)
Nestes dois terços [dos portugueses começaram a cortar na
alimentação devido ao aumento do custo de vida] estão incluídos milhares
de pessoas reformadas com as pensões miseráveis que recebem mensalmente.
(…)
As dificuldades atingem todas as pessoas da classe média
cujas pensões se aproximam cada vez mais do salário mínimo.
(…)
Os
produtos alimentares, a habitação e as refeições, que tiveram uma inflação
superior a 8% (segundo estudo do economista Eugénio Rosa), são os que têm maior
peso nos orçamentos das classes médias.
(…)
Portugal
é um dos países da zona euro com menores salários e mais baixas pensões e com
uma das maiores cargas fiscais.
(…)
O
Governo, que vê o Estado a ter lucros excepcionais com a inflação, tem o dever
de solidariedade para com quem está a sofrer o aumento brutal do custo de vida
de distribuir os lucros.
(…)
Há que
acabar com o estigma que coloca as pessoas idosas portuguesas entre as que têm
menos saúde e pior qualidade de vida a nível europeu.
Maria
do Rosário Gama, “Público” (sem link)
Os
confrontos entre grupo armados em Port-au-Prince provocaram a morte de 188 pessoas entre
Abril e Maio, de acordo com os números divulgados esta semana pelo Gabinete
Integrado das Nações Unidas no Haiti.
(…)
O
relato dos representantes da ONU em comunicado mostra como a capital haitiana
se transformou numa zona de guerra em que os civis são as vítimas colaterais.
(…)
A
descoberta recente de 18 armas de guerra, quatro pistolas e quase 15 mil
cartuchos enviados dos Estados Unidos num contentor destinado à Igreja
Episcopal do Haiti, aumentou a ira da população.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
Em
Abril [em El Salvador], no fim do primeiro mês de emergência, já a Amnistia Internacional
falava numa “tempestade perfeita de violações de direitos humanos”, desde
reformas legais que vulneram as leis internacionais a detenções arbitrárias.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
No
segundo trimestre deste ano, foram assassinadas 68 pessoas por dia na África do
Sul, (…) o número mais alto em igual período dos últimos cinco anos.
(…)
A
polícia sul-africana está cada vez mais pressionada para conter a violência sem
ter capacidade para lidar com as causas subjacentes.
(…)
Para
lidar com aquilo que está por trás dessa violência, como a deterioração
socioeconómica, a urbanização, o aumento da desigualdade e o crescimento da
quantidade de armas nas mãos de civis, é preciso uma abordagem mais abrangente
por parte do Governo.
António Rodrigues, “Público” (sem link)
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