quarta-feira, 7 de setembro de 2022

CITAÇÕES À QUARTA (19)

 
O embuste mais sofisticado é o das pensões. 

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[No caso do IVA da energia esquece-se] a explicação fundamental de que pouca da energia está abrangida pelos 13% e que, quanto ao resto, continuam os 23%.

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[No caso das pensões] primeiro, oferecer em outubro um adiantamento do aumento legal previsto para 2023 e depois, a partir do início do próximo ano, reduzir o impacto do aumento que seria imposto por lei e, para esse efeito, mudar mesmo a lei.

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O efeito dessa dupla manobra, além do engodo do pagamento em outubro, é manter no conjunto dos dois anos uma redução do valor real da pensão e, a partir de janeiro de 2024, diminuir a base de incidência dos futuros ajustamentos à inflação. 

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O valor efetivo da pensão vai cair em termos reais e ficará abaixo do que a lei impunha.

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É uma velha obsessão do PS.

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O caso da pensão média de velhice na Segurança Social, que, segundo os últimos dados oficiais, teria sido de 468 euros em 2020.

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Se, em contrapartida, essas pensões tivessem sido atualizadas este ano pelos 8%, mesmo considerando uma inflação abaixo da real, e se no próximo ano se aplicasse a lei que imporia o aumento de 8%, o valor recebido pelos pensionistas ao longo dos dois anos – para não perderem poder de compra e na hipótese incerta de que a inflação em 2023 seja igual à deste – seria de mais 831 euros do que o que lhes entrará nas contas.

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A diferença é mais de um mês e meio de pensão.

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A medida do governo para as pensões é uma intrujice.

Francisco Louçã, “Expresso” online (sem link)

 

A “meia pensão” extra para os pensionistas, a pagar em outubro, com a contrapartida da redução da atualização das pensões a partir de janeiro, que terá repercussão perpétua no seu valor.

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Costa fez do anúncio um exercício de habilidade.

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O único objetivo é assegurar poupança no Orçamento de 2023, à custa da diminuição dos rendimentos reais dos pensionistas.

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A medida significa que o Governo incumprirá a lei e a garantia dada no Parlamento em maio.

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Como o valor cortado em 2023 nunca será reposto, a partir de 2024 ele passa a estar inscrito para sempre nas pensões.

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Na energia, ficam a menos de meio, porque o IVA só baixa para uma parte da fatura elétrica.

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Nos salários, zero: mantém-se a falácia do perigo da “espiral inflacionista” para impor uma perda real de rendimento a quem trabalha.

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Nos dividendos, não se toca.

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Não há fixação de preços de bens essenciais para impedir a especulação que alimenta a inflação e nem sequer se taxam os lucros extraordinários das petrolíferas ou da banca.

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Tudo somado, o pacote do governo aposta na contração estrutural de salários, pensões e outras prestações sociais, agravando as dificuldades da maioria e aumentando a desigualdade entre capital e trabalho.

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Não admira que Marcelo (…) aplauda o pacote e diga que “o PSD ajudou imenso”.

José Soeiro, “Expresso” online

 

No ano em que enfrentamos o maior surto inflacionista dos últimos 30 anos, o governo mantém como objetivo descer o défice e descer a dívida pública.

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As medidas, avaliadas em 2400 milhões de euros, podem ser suportadas pelo aumento extraordinário de receita fiscal, obtido graças à inflação.

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É a chamada omeleta sem ovos. Só que todos sabemos que não se fazem omeletas sem ovos.

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Quem está então a fornecer os ovos? Estúpido, somos nós.

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Quem vive dos rendimentos do seu trabalho, e não vê o seu salário atualizado em função do aumento de preços, está a carregar o andor.

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Está a ser-lhes [aos portugueses] exigido que façam um sacrifício perante o altar das contas certas.

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Até onde levaremos a nossa capacidade de sacrifício em prol de nos protegermos do trauma [da consolidação das contas]?

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A perda de poder de compra é permanente e definitiva, apesar de a inflação poder ser excecional.

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A escolha do próprio Governo [é privilegiar as contas públicas em detrimento da qualidade de vida dos portugueses].

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Ainda há pouco tempo falávamos de aumentos salariais reais, mas agora já só estamos a falar de aumentos que compensem a perda do valor do dinheiro.

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O que deve ser considerado - com a continuação da perda do poder de compra – é o risco de se verificar uma diminuição da procura e, com ela, uma recessão.

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A diminuição do PIB levaria ao aumento da dívida pública. Lá se vão as contas certinhas.

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Estamos a tempo de repor os salários da função pública e de devolver qualidade de vida aos portugueses.

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Não temos a corda ao pescoço, mas temos o cinto muito apertado e estamos a pôr o pescoço a jeito.

Carmo Afonso, “Público” (sem link)

 

Foi Ieltsin, um fantoche incompetente apoiado e promovido pelos EUA, que abriu as portas à liberalização selvagem que ainda hoje muitos julgam ser a receita para construir democracias sólidas e economias robustas.

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O fim da URSS não dava lugar a uma democracia. O fim do comunismo não dava lugar a uma economia de bem-estar.

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Mas contando que não se opusesse ao ocidente, a Rússia tinha direito ao estatuto de democracia de borla.

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Gorbatchov não conseguiu deixar as sementes para uma sociedade livre e democrática. 

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O problema de Gorbatchov não foi pôr fim à URSS e muito menos à ditadura de partido único. Foi não ter força política para que alguma coisa de decente para o seu povo nascesse no seu lugar. 

Daniel Oliveira, “Expresso” online


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