quarta-feira, 6 de agosto de 2025

CITAÇÕES À QUARTA (166)

 
Que país é este que não acorda após a investigação de Maria José Oliveira sobre as torturas, as mortes, os assassinatos de tantos e tantos moçambicanos às mãos da PIDE?

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Cães atiçados às carnes dos colonizados, para lhes arrancarem o “bife”, pedaços da cara, dos braços, das pernas, dos sexos?

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País que usava o trabalho dos presos como escravatura nas casas e terras dos carrascos, ou na construção de obras públicas (…) que país é este?

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Onde está a brandura, o colonialismo português suave de quem mandava os já condenados cavarem a sepultura onde iam, em seguida, ser engolidos pela terra?

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Que país é este, que silêncio vil prossegue com o esquecimento, o doce olvido, perante uma estrutura de morte que englobava, na sórdida cumplicidade, o ditador, os ministros, as chefias, médicos e enfermeiros, pessoas anónimas que sabiam, consentiam, aplaudiam e calavam?

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E porque não soubemos nós punir, denunciar, expor ao mundo, depois da revolução, a ignomínia praticada?

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Que continuidade existe entre este país do mal e as hordas que, hoje, insultam e perseguem imigrantes, os desumanizam como entes inferiores e objetos de ódio?

João Teixeira Lopes, “Público” (sem link)

 

A 21 de Novembro de 1975, o mais revolucionário dos juramentos aconteceu no quartel dos Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), apelidado de “regimento do povo” (uma daquelas expressões bem batidas no PREC).

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A ala revolucionária do Movimento das Forças Armadas estava a ultrapassar pela esquerda (e a grande velocidade) a ala reformista.

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Havia, nos sectores mais moderados, o receio de uma revolução popular onde os militares mais à esquerda teriam um papel essencial.

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A aliança Povo/MFA é consumada naquela cerimónia com a presença com a presença da coordenadora mista das comissões de moradores e trabalhadores da zona da cidade de Lisboa, onde se situava o quartel.

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Também ela teve a palavra, algo inédito, mas o discurso foi todo ao lado e falhou absolutamente as suas previsões.

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Na realidade, não mais os soldados dos RALIS jurariam a bandeira sem cumprir a disciplina militar.

Ruben Martins, “Público” (sem link)

 

A floresta portuguesa está num ponto de viragem.

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O verão de 2025 reforçou a urgência. Já arderam quase 40.000 hectares, sobretudo no Norte e Centro.

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A floresta tornou-se frágil, vítima da combinação entre seca prolongada, abandono rural e paisagens monótonas, dominadas por eucaliptos, pinheiros, matos e exóticas infestantes.

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Insistir em monoculturas de rendimento rápido é condenar o país à repetição da tragédia, ano após ano.

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Portugal precisa de uma nova economia florestal, mais diversa e inteligente.

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A floresta do futuro tem de proteger, produzir e pertencer — com mosaicos resilientes que integrem agricultura regenerativa, sistemas agroflorestais, florestas nativas de rendimento e produtos não lenhosos.

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Territórios vivos, multifuncionais, onde a biodiversidade seja um ativo, não um entrave.

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Mas nenhuma transformação será possível sem inteligência territorial.

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Cabe ao Estado liderar, financiar e coordenar a transição, garantindo o bem comum.

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A vigilância e a resposta rápida continuarão a ser necessárias, mas são apenas parte da solução. A resposta tem de ser sistémica, articulada, estratégica.

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É tempo de apoiar quem transforma, em vez de subsidiar um modelo que arde, esgota e afasta as pessoas.

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Esta transformação pode e deve ser enquadrada no novo contexto europeu. 

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É tempo de articular os objetivos de restauro com as políticas de ordenamento e uso do solo, transformando a crise em oportunidade.

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E temos de ser claros sobre os custos do imobilismo. O que parece “rentável” hoje — plantações intensivas sem gestão — é, na verdade, um modelo insustentável, custeado por riscos coletivos.

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O que está em causa não é apenas o lucro de alguns, mas a segurança de todos.

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Impõe-se um novo pacto para a floresta portuguesa — um compromisso nacional até 2050.

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Transformar a floresta não é apenas uma tarefa técnica: é um desígnio político, ético e civilizacional.

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Só mudaremos o modelo atual se formos capazes de criar uma alternativa melhor.

Helena Freitas, “Público” (sem link)

 

A Educação para a Cidadania no currículo do sistema educativo português tem sido influenciada por transformações decorrentes de diferentes conjunturas sociopolíticas internas e externas.

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A recente proposta curricular do Governo para as aprendizagens essenciais da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento elimina referências explícitas à educação para a sexualidade e à identidade de género.

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Esta alteração, em consulta pública, é apresentada como uma “despolitização” dos conteúdos, quando a educação deve sempre ser organizada, não por razões políticas, mas, sim, por razões sociais.

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Com a divulgação do novo programa em consulta pública, confirma-se que essa “libertação” traduz-se em retirar do currículo praticamente todos os conteúdos relacionados com a sexualidade e a educação social.

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A identidade de género foi completamente excluída dos conteúdos.

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O MECI pode estar a fazer exatamente o contrário do que prometeu: colocar novas amarras ideológicas numa disciplina que nasceu para promover valores universais.

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Em vez de atualizar e enriquecer o currículo, a proposta parece empobrecer a formação dos/as alunos/as.

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A educação sexual nas escolas não é um capricho ideológico, mas sim um direito consagrado por lei e uma necessidade prática.

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Não se trata, pois, de uma querela partidária isolada, mas sim de defender princípios básicos, assentes no respeito pela diversidade, na segurança e bem-estar dos/as alunos/as e na continuidade de um projeto educativo inclusivo.

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Concretizar no currículo um apagão a conteúdos como a igualdade e identidade de género e a educação sexual significa ignorar realidades que existem na vida de muitos/as jovens.

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E, ironicamente, transforma a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento numa versão diminuída de si mesma, deixando os/as jovens entregues à desinformação.

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[A nova proposta de Cidadania e Desenvolvimento] em vez de preparar os/as jovens para os desafios do século XXI (…)  arrisca lançá-los de volta à ignorância e ao preconceito que existiu no passado.

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Este apagão curricular sobre a educação sexual e género não serve o interesse dos/as alunos/s nem da sociedade.

Paulo Marinho, Carlinda Leite e Angélica Monteiro (sem link)


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