(…)
O Governo acredita que a inovação tem retorno
económico imediato.
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Com este raciocínio nunca teriam existido
vacinas contra a covid e boa parte das inovações tecnológicas.
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A investigação fundamental arrisca e inova e,
por isso, precisa do Estado.
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A investigação dependente das empresas é
tendencialmente conservadora, só apostando no que já conhece.
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A ciência é necessária para desenvolver
políticas públicas, sem retorno financeiro.
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Também foi o automatismo ideológico que levou
ao descalabro nas políticas da habitação.
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A Comissão Europeia criticou o baixo controlo
dos preços e a pressão do AL. Até os bancos já assumem o erro.
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Mas nada foi tão longe como a contrarreforma
laboral.
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Será, afinal, um recuo na grande evolução da
última década — a redução do trabalho precário — e na vida familiar.
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Quanto à precariedade, alimentam-se os falsos
recibos verdes, os trabalhadores das plataformas digitais perdem o que conseguiram,
desaparece a criminalização do trabalho não declarado.
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Incentiva-se o trabalho temporário fraudulento.
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Propõem-se perdas nos direitos de parentalidade.
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A ministra garante que há “muitas práticas”
abusivas, mas nem sabe quantas mães pedem redução de horário, quanto mais as
que abusam.
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Para o Governo, a família é o núcleo central da
sociedade até pôr o lucro em causa.
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A CAP exige 60 horas semanais de trabalho.
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A CIP quer despedimentos livres e faltas
justificadas não remuneradas.
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É provável que, depois do chumbo constitucional
de algumas propostas, até comece a ganhar fôlego uma revisão e uma
radicalização da composição do TC.
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O Governo mais extremista da nossa democracia
constitucional não se explica apenas com os dois terços de direita. Também se
explica com o outro terço.
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[O problema é] haver um lado que se calou,
levando a este perigoso desequilíbrio.
Daniel Oliveira, “Expresso”
(sem link)
Como escutar as palavras de Benjamin Netanyahu sem ficar assoberbado
pela dimensão do cinismo e ainda acreditar na humanidade?
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Este é
o primeiro-ministro de um Estado que cometeu todos os crimes de guerra
possíveis e imaginários contra uma população encurralada numa armadilha mortal.
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Ensaia, com o apoio dos Estados Unidos, uma
limpeza étnica e uma ocupação definitiva da Faixa de Gaza.
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O
líder de um Estado que usa a fome como arma de guerra quer-nos fazer crer que o
preocupa a forma como são tratados dois reféns que, ao fim de 671 dias, o seu
poderoso Exército não pôde (ou não quis) libertar?
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Como haveriam de estar gordos e saudáveis os
reféns israelitas se morrem à fome os civis palestinianos?
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Como é
que a bendita tradição judaico-cristã, hoje tão em voga como forma de afirmação
cultural e política da extrema-direita, se conjuga com o extermínio de um povo?
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[Netanyahu] nem pestaneja quando os
próprios israelitas apelidam a operação militar israelita em Gaza de
“genocídio”.
António Rodrigues, “Público”
(sem link)
As intenções que estão subjacentes ao desprezo e ao
desrespeito pelo pacto social, que tem de regular e mediar as relações entre
trabalhadores e empresas, não podem ser promovidas pelo Estado.
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As declarações da ministra do Trabalho, Maria do Rosário
Ramalho, se revelam incompreensíveis e denotam uma insensibilidade e ligeireza
que não se compadece com o argumento da impreparação.
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Onde estão os abusos que justifiquem a redução dos horários
de trabalho para as mães em fase de amamentação?
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Nos últimos cinco anos, a Autoridade para as Condições do
Trabalho (ACT) multou dez empresas e advertiu outras 13 por questões
relacionadas com o direito à amamentação.
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Segundo a ACT, há casos em 23 empresas que infringiram a lei
e nenhum caso de infracção por parte dos trabalhadores.
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O Ministério do Trabalho admitiu que não tem dados concretos
sobre o número de mães que cometeram as alegadas irregularidades, nem sequer
sobre o número de mães a amamentar.
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Há responsáveis no Ministério do Trabalho que parecem
precisar de uma dose de realidade ou de terapia ocupacional.
Quando
se fala em ativismo, imaginamos figuras como Greta
Thunberg: valente, sozinha, sentada no chão com o seu cartaz nas mãos a
fazer greve “pelo futuro”.
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Pensamos em nomes que marcaram a história ao
sacrificarem a sua liberdade ou a vida em nome dos seus combates.
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[Ativismo] é uma forma de ver, de estar e de
agir no mundo.
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Não se faz ativismo, é-se ativista.
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É ter lucidez suficiente para ver o que “está
mal”, indignar-se e transformar essa indignação em ação.
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É ver um caminho. É suportar a frustração.
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É aceitar ter a utopia como horizonte.
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A
pessoa ativista, em geral, quer viver para continuar o combate, mas aceita o
risco e o seu lugar de pequena pedra do edifício.
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O
ativismo é normalmente assimilado a causas importantes, em prol do bem
coletivo, a partir de princípios e valores humanistas, como a igualdade,
justiça ou liberdade.
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O mundo precisa de mais ativistas e é possível
educar para o ativismo.
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Mais do que ensinar civismo ou cidadania
abstrata, trata-se de educar para a ação consciente.
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É ensinar que o nosso poder em democracia não
se esgota no voto, inclui manifestações, greves, boicotes, ocupações, artivismo, petições.
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[O
ativismo] é um trabalho pessoal sem fim. Por isso, acredito que todas as formas
de ativismo são válidas, da pequena à grande pedra, todas são importantes na
construção do caminho.
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A amplitude de hashtags como #metoo ou #blacklivesmatter funcionou também graças à partilha de ativistas de
sofá.
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Nos
países em que é possível assinar petições ou iniciativas legislativas cidadãs
para levar propostas de lei a serem discutidas nos parlamentos, o clique
funciona.
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O digital e o real são mundos complementares.
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Aliás, hoje é quase impossível não passar por
um ativismo híbrido.
Luísa Semedo, “Público”
(sem link)
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