sábado, 2 de agosto de 2025

MAIS CITAÇÕES (344)

 
As injustiças e desigualdades, a pobreza e miséria humanas que atravessam a sociedade atual - globalmente mais rica que nunca - são, muito, o resultado de leis e práticas governativas injustas, sempre anunciadas como bondosas. 

(…)

O mundo do trabalho é das áreas onde mais se incrementa o exercício de vender gato por lebre.

(…)

Nunca se assumiu uma avaliação dos impactos causados pelas alterações introduzidas em 2003 que agonizaram a contratação coletiva e aceleraram precariedades.

(…)

O Governo move-se por uma agenda política retrógrada, que o contexto nacional e externo sintonizou com grandes interesses do setor financeiro e económico.

(…)

A modernização proclamada combina a liberalização dos despedimentos (…), com a facilitação do outsourcing após despedimentos.

(…)

É acentuada a precarização das relações laborais.

(…)

O Governo quer revogar a maior parte dos critérios para reconhecimento do contrato de trabalho dos trabalhadores das plataformas digitais.

(…)

É a velha receita de normalizar a precariedade para provar que esta não existe.

(…)

O atrofiamento da negociação coletiva prossegue.

(…)

Recupera-se o banco de horas individual, permitindo aos patrões contornar as disposições das convenções coletivas. 

(…)

O direito à greve é atrofiado.

(…)

O liberalismo económico e a conceção fascista de que os trabalhadores são seres suspeitos encontram eco no Parlamento.

Carvalho da Silva, JN

 

Não há neutralidade ideológica: há ideologias, ponto, e nós somos seus construtores e delas dependentes. 

(…)

Afirmar que, na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, deve constar a matéria A e não a B é tão ideológico como afirmar que não deve ter a matéria A e ter a B, ou não ter nenhuma...

(…)

É impensável que a escola não aborde, com ou sem disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, com ou sem Aprendizagens Essenciais, os direitos humanos ou questões de saúde pública, sexualidade incluída.

(…)

A escola não pode ignorar as complexidades e os problemas da sociedade atual, problemas que galgam os muros das escolas e aos quais é fundamental dar resposta.

(…)

São matérias de importância capital para a sociedade enquanto um todo e que não podem ficar amarradas, aqui sim, à ideologia de uns ou à moral de um determinado grupo.

(…)

É atribuída ao conselho geral, não ao conselho pedagógico, a competência de definir as orientações e os critérios para a Estratégia de Educação para a Cidadania em cada agrupamento de escolas.

Francisco Gonçalves, “Público” (sem link)

 

Durante décadas, os Estados Unidos foram os campeões da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos.

(…)

[Contudo] durante a Guerra Fria, os EUA derrubaram Governos democraticamente eleitos na Grécia, no Irão, no Chile e noutros locais em nome do combate ao comunismo. 

(…)

Mas se antes os EUA muitas vezes não conseguiam praticar o que pregavam, agora nem sequer pregam. 

(…)

No seu primeiro mandato, o desprezo de Trump pelo Estado de direito culminou na sua tentativa de subverter o princípio mais importante da democracia: a transição pacífica do poder. 

(…)

Quem conhece Trump pode não ter ficado surpreendido; a grande surpresa foi o facto de cerca de 70% dos republicanos acreditarem que as eleições foram manipuladas.

(…)

Para muitos apoiantes de Trump, a democracia e o Estado de direito são menos importantes do que a preservação do modo de vida americano.

(…)

Infelizmente, há demagogos em todo o mundo mais do que dispostos a adaptar a fórmula de Trump, ou seja, espezinhar as instituições democráticas e repudiar os valores que as sustentam.

(…)

Um exemplo proeminente é o ex-Presidente do Brasil Jair Bolsonaro.

(…)

Mais uma vez, Trump deixou claro que adora tarifas e abomina o Estado de direito.

(…)

E agora, ignorando a Constituição dos EUA (…) ele ameaçou impor uma tarifa de 50% ao Brasil, a menos que o país cesse o processo judicial contra Bolsonaro.

(…)

O Congresso nunca decretou tarifas como um instrumento para induzir os países a obedecer aos ditames políticos de um Presidente.

(…)

O que o Brasil está a fazer é um contraste marcante com o que aconteceu nos EUA. 

(…)

A cumplicidade [de Trump] num ataque [ao Capitólio] que resultou em cinco mortos e mais de 100 polícias feridos deixou de ser crime.

(…)

Tal como a China, o Brasil recusou-se a ceder à intimidação dos EUA. 

(…)

Lula tem defendido a soberania do seu país não só no domínio do comércio, mas também na regulação das plataformas tecnológicas controladas pelos EUA. 

(…)

[O que motivou Lula a tomar a sua posição] foi uma crença genuína no direito do Brasil de seguir as suas próprias políticas sem interferência externa.

(…)

Sob a liderança de Lula, o Brasil escolheu reafirmar o seu compromisso com o Estado de direito e a democracia.

(…)

Trump enfraqueceu a democracia e o Estado de direito nos EUA — talvez de forma irreparável. 

Joseph Stiglitz, “Expresso” (sem link)

 

Como em todos os governos de todas as cores políticas, as propostas que estes apresentam para resolver os problemas das pessoas são sempre as melhores, as mais bem-intencionadas e todas irrepreensivelmente equilibradas.

(…)

Se a AD quer alterar o Código do Trabalho, é porque está no seu direito, porque se sente legitimada para o fazer, porque ganhou as eleições e porque nunca escondeu o seu pendor mais liberal em várias matérias.

(…)

Em boa verdade, o mercado de trabalho de hoje apresenta novíssimos desafios.

(…)

Obviamente, é preciso enfrentar este mundo novo e a forma como os governos optarem por fazê-lo é que os define.

(…)

E é aqui que as coisas se complicam. 

(…)

Sendo inegável a necessidade de mudar, não me parece que o caminho justo seja o de desqualificar os trabalhadores, como se fossem eles o único grão de areia a emperrar a máquina.

(…)

Este ponto de partida é acentuado pelas alíneas dedicadas à parentalidade, sobretudo, aos direitos das mães — as faltas por luto gestacional, a alteração do horário flexível de trabalho, o limite do período de amamentação, por exemplo.

(…)

Num país de poucos recursos e de baixos salários, envelhecido e com poucos filhos, em que, os donos e os gestores das empresas pretendem, segundo o Expresso, “despedimentos facilitados e mais horas de trabalho”, o trabalhador tem uma via estreita pela frente.

Pedro Candeias, “Público” (sem link)


Sem comentários:

Enviar um comentário