(…)
Precisamos de ter em conta as nossas
raízes, as culturas e espaços onde estamos, mas também as dos outros que podem
estar muito distantes de nós.
(…)
A fortuna que [a nível mundial
atualmente] ocupa o primeiro lugar é ligeiramente superior ao volume de riqueza
produzida em Portugal num ano.
(…)
Nos dez lugares de topo [dos mais ricos
do mundo] surge um conjunto de homens, predominantemente norte-americanos [oito].
(…)
Desconfio que ali só constam as fortunas
semilegais ou a parte legal das fortunas daqueles indivíduos.
(…)
E em todos os regimes, de formas mais
diretas ou indiretas, os muito, muito ricos estão sempre no cerne dos poderes
instituídos, ou impõem-se como poderes fátuos dominantes.
(…)
Por certo, nas democracias liberais e ou
plurais, em que vivemos, há mais transparência e algum controlo, mas não nos
esqueçamos de que nelas o "roubo legal" é cada vez maior e mais
refinado.
(…)
Tenhamos presente que os muito, muito
ricos gostam do estatuto de filantropos, mas não esqueçamos que nunca cederam
riqueza e privilégios sem muita luta.
Um
único problema: sem nunca o referir explicitamente, [Santos Silva] dedicou
praticamente todo o discurso a um partido com 12 deputados, concedendo-lhe
muito mais relevância do que o povo lhe atribuiu.
(…)
Escolhe
o adversário, promovendo-o, pela importância que lhe dá, a alternativa ao poder
vigente.
(…)
O
confronto deve ser entre alternativas democráticas, não entre os democratas e
os seus inimigos.
(…)
Emmanuel
Macron destruiu o sistema partidário francês, secou tudo à sua volta e
concentrou em si a representação do regime.
(…)
Macron
precisa de Le Pen, para ter os democratas como reféns. Le Pen precisa de
Macron, como representante de um regime sem alma nem alternativas dentro de si.
(…)
O PS
não destruiu o sistema partidário português. Mas a ‘geringonça’ e o seu
desfecho teve, ironicamente, um efeito semelhante.
(…)
E o PS
ocupou o centrão, tampão para a influência de Ventura na governação.
(…)
[A
candidata socialista] sobrevive à avalanche Mélenchon, que concentra o voto útil
do que resta da esquerda.
(…)
Mesmo
sabendo que Le Pen desilude nas urnas, porque o eleitorado se mobiliza para a
derrotar, é claro que a proximidade a Putin não a penalizou.
(…)
O pior
ainda está para vir. Sempre que pensamos nas repercussões da guerra, falamos da
crise económica, alimentar ou energética, na inflação ou no recuo da
globalização.
(…)
Agora,
é a extrema-direita que está bem colocada. Na Europa, nas suas versões
putinistas ou não.
(…)
Em
geral, não se perde a liberdade porque as pessoas queiram abdicar dela, mas
porque ela deixa de garantir mínimos de bem-estar.
(…)
Na
realidade, o ambiente que esta guerra está a criar aproxima-se das águas em que
a extrema-direita se sente bem.
(…)
Quem
celebra por estes dias o renascimento da Europa não percebe que a Europa que
desponta não é aquela com que sonhámos.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
Já não me surpreendo com muita coisa, mas,
mesmo assim, verifico que há muito mais defensores da censura do Estado Novo do
que pensava.
(…)
O que
se pretende dizer é que a censura do passado não era assim tão excepcional, nem
grave, nem especial, porque hoje também há “censura”, o que a torna uma
constante “natural” do exercício do poder.
(…)
Alguns
aspectos dessa pseudo-similitude são resultado da ignorância e da ligeireza
crítica e, acima de tudo, da circulação à direita da ideia de que criticar o
Estado Novo é algo de “esquerdista”.
(…)
[Os impulsos censórios dos nossos dias] não se comparam nem
de perto nem de longe com a censura da ditadura.
(…)
A
censura da ditadura não tinha lei, era discricionária, não tinha recurso nem
apelo e, para além de proibir, podia levar à prisão.
(…)
No limite, levava à queima de livros, como aconteceu em
Portugal, ao modo da Alemanha nazi.
(…)
A censura era uma instituição do poder ditatorial, que
comunicava com todas as outras instituições repressivas.
(…)
Comparar esta censura com a existência de impulsos censórios
é “lavar” a violência da ditadura.
(…)
Os governantes mentiam deliberadamente para enganar as
pessoas.
(…)
[A censura] é a proibição de livros, artigos, desenhos, peças
de teatro, filmes, poemas populares, canções, capas de discos, reclames, tudo.
(…)
São os
mesmos que minimizam a censura do Estado Novo aqueles cujo discurso político
mais traços mostra do efeito antidemocrático do rastro da censura.
(…)
Na ditadura, de facto, era ocultada a existência e gravidade
da corrupção.
(…)
Conhecer
o que a censura real da ditadura cortava revela muito da hipocrisia do regime,
que nos queria “proteger” daquilo mesmo que escondia como se não existisse.
(…)
A grande vítima da censura é a liberdade.
Pacheco Pereira, “Público” (sem link)
Entre 2000 e 2020 houve sete anos com reduções de
precipitação superiores a 30% da normal.
(…)
[Segundo os especialistas do IPCC] as
projeções mais otimistas que possibilitam cumprir o Acordo de Paris, limitando
o aquecimento global abaixo dos 2ºC, apontam para um forte agravamento dos
impactos da seca com
passagem da classificação de risco e impacto de moderado para elevado já em
2050.
(…)
Temos por isso muito pouco tempo para preparar o país para
esta realidade.
(…)
Além
da escassez de água, também os recursos necessários à adaptação do território e
das atividades socioeconómicas às alterações climáticas são escassos para
tamanha urgência.
(…)
Perante
o novo clima, é preciso adaptar os ecossistemas agrários para proteger a sua
capacidade produtiva de bens alimentares e serviços essenciais ao sustento do
território e das populações locais.
(…)
Neste
caminho a aplicação de meios públicos (naturais, financeiros, técnicos e
operacionais) tem de seguir critérios que respondam ao interesse público, desde
logo, ao nível ambiental e da equidade social e territorial.
Ricardo Vicente, “Público” (sem link)
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