sábado, 9 de abril de 2022

MAIS CITAÇÕES (176)

 
Queríamos acreditar que o avanço do conhecimento científico e tecnológico, com as suas potencialidades positivas e negativas (…) haviam de reduzir as guerras e as barbáries que lhes estão associadas.

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Precisamos de ter em conta as nossas raízes, as culturas e espaços onde estamos, mas também as dos outros que podem estar muito distantes de nós.

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A fortuna que [a nível mundial atualmente] ocupa o primeiro lugar é ligeiramente superior ao volume de riqueza produzida em Portugal num ano.

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Nos dez lugares de topo [dos mais ricos do mundo] surge um conjunto de homens, predominantemente norte-americanos [oito].

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Desconfio que ali só constam as fortunas semilegais ou a parte legal das fortunas daqueles indivíduos.

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E em todos os regimes, de formas mais diretas ou indiretas, os muito, muito ricos estão sempre no cerne dos poderes instituídos, ou impõem-se como poderes fátuos dominantes.

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Por certo, nas democracias liberais e ou plurais, em que vivemos, há mais transparência e algum controlo, mas não nos esqueçamos de que nelas o "roubo legal" é cada vez maior e mais refinado.

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Tenhamos presente que os muito, muito ricos gostam do estatuto de filantropos, mas não esqueçamos que nunca cederam riqueza e privilégios sem muita luta.

Carvalho da Silva, JN

 

Um único problema: sem nunca o referir explicitamente, [Santos Silva] dedicou praticamente todo o discurso a um partido com 12 deputados, concedendo-lhe muito mais relevância do que o povo lhe atribuiu. 

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Escolhe o adversário, promovendo-o, pela importância que lhe dá, a alternativa ao poder vigente.

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O confronto deve ser entre alternativas democráticas, não entre os democratas e os seus inimigos.

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Emmanuel Macron destruiu o sistema partidário francês, secou tudo à sua volta e concentrou em si a representação do regime. 

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Macron precisa de Le Pen, para ter os democratas como reféns. Le Pen precisa de Macron, como representante de um regime sem alma nem alternativas dentro de si.

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O PS não destruiu o sistema partidário português. Mas a ‘geringonça’ e o seu desfecho teve, ironicamente, um efeito semelhante. 

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E o PS ocupou o centrão, tampão para a influência de Ventura na governação. 

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[A candidata socialista] sobrevive à avalanche Mélenchon, que concentra o voto útil do que resta da esquerda.

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Mesmo sabendo que Le Pen desilude nas urnas, porque o eleitorado se mobiliza para a derrotar, é claro que a proximidade a Putin não a penalizou.

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O pior ainda está para vir. Sempre que pensamos nas repercussões da guerra, falamos da crise económica, alimentar ou energética, na inflação ou no recuo da globalização. 

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Agora, é a extrema-direita que está bem colocada. Na Europa, nas suas versões putinistas ou não. 

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Em geral, não se perde a liberdade porque as pessoas queiram abdicar dela, mas porque ela deixa de garantir mínimos de bem-estar. 

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Na realidade, o ambiente que esta guerra está a criar aproxima-se das águas em que a extrema-direita se sente bem.

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Quem celebra por estes dias o renascimento da Europa não percebe que a Europa que desponta não é aquela com que sonhámos. 

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

Já não me surpreendo com muita coisa, mas, mesmo assim, verifico que há muito mais defensores da censura do Estado Novo do que pensava. 

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O que se pretende dizer é que a censura do passado não era assim tão excepcional, nem grave, nem especial, porque hoje também há “censura”, o que a torna uma constante “natural” do exercício do poder.

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Alguns aspectos dessa pseudo-similitude são resultado da ignorância e da ligeireza crítica e, acima de tudo, da circulação à direita da ideia de que criticar o Estado Novo é algo de “esquerdista”.

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[Os impulsos censórios dos nossos dias] não se comparam nem de perto nem de longe com a censura da ditadura.

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A censura da ditadura não tinha lei, era discricionária, não tinha recurso nem apelo e, para além de proibir, podia levar à prisão.

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No limite, levava à queima de livros, como aconteceu em Portugal, ao modo da Alemanha nazi.

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A censura era uma instituição do poder ditatorial, que comunicava com todas as outras instituições repressivas.

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Comparar esta censura com a existência de impulsos censórios é “lavar” a violência da ditadura.

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Os governantes mentiam deliberadamente para enganar as pessoas.

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[A censura] é a proibição de livros, artigos, desenhos, peças de teatro, filmes, poemas populares, canções, capas de discos, reclames, tudo.

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São os mesmos que minimizam a censura do Estado Novo aqueles cujo discurso político mais traços mostra do efeito antidemocrático do rastro da censura.

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Na ditadura, de facto, era ocultada a existência e gravidade da corrupção.

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Conhecer o que a censura real da ditadura cortava revela muito da hipocrisia do regime, que nos queria “proteger” daquilo mesmo que escondia como se não existisse.

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A grande vítima da censura é a liberdade.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)

 

Entre 2000 e 2020 houve sete anos com reduções de precipitação superiores a 30% da normal.

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[Segundo os especialistas do IPCC] as projeções mais otimistas que possibilitam cumprir o Acordo de Paris, limitando o aquecimento global abaixo dos 2ºC, apontam para um forte agravamento dos impactos da seca com passagem da classificação de risco e impacto de moderado para elevado já em 2050. 

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Temos por isso muito pouco tempo para preparar o país para esta realidade.

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Além da escassez de água, também os recursos necessários à adaptação do território e das atividades socioeconómicas às alterações climáticas são escassos para tamanha urgência.

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Perante o novo clima, é preciso adaptar os ecossistemas agrários para proteger a sua capacidade produtiva de bens alimentares e serviços essenciais ao sustento do território e das populações locais.

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Neste caminho a aplicação de meios públicos (naturais, financeiros, técnicos e operacionais) tem de seguir critérios que respondam ao interesse público, desde logo, ao nível ambiental e da equidade social e territorial.

Ricardo Vicente, “Público” (sem link)


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