sexta-feira, 16 de setembro de 2022

CITAÇÕES

 
Depois da apresentação do seu tão esperado programa de resposta à inflação (…) a ideia do “truque” instalou-se depressa.

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Que o Governo não tenha antecipado que o gato escondido com rabo de fora seria imediatamente revelado é demonstrativo de um véu de prosápia que só pode ser assacado à existência de uma maioria absoluta.

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Em modo de alarme e de controlo de danos, o Governo despachou então o líder parlamentar para atacar os críticos, mandou a ministra dos Assuntos Parlamentares evocar a troika.

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Fez muito, e ainda beneficiou do mais notável acontecimento comunicacional do século, a morte da rainha em diretos televisivos por 10 dias sem descanso, mas fez tudo confuso.

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A bem dizer, ainda não assentou numa explicação unificada sobre o futuro das pensões. Nem o pode fazer.

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Não é caso menor, como muita gente observou, dado o peso social dos pensionistas e, já agora, dada a sensibilidade social do assunto.

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As pensões são muito baixas.

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Mais de um milhão de pessoas abaixo desse valor [490 euros], e para estas pessoas a inflação é superior à média global da economia.

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O Governo teme esta visibilidade do empobrecimento e procurou corrigir a perceção do truque. 

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dizer às pessoas que é o “maior aumento” das últimas décadas, [é outro truque] esperando que não se perceba que se trata de um valor nominal e que o valor real desce no conjunto de 2022 e 2023.

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O primeiro-ministro convocou as suas tropas para atenuar o efeito desta polémica, mas não impediu que se chocassem dois discursos: o de que corrigirá os valores e o de que é reciso mudar a lei.

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[Mudar a lei] consiste simplesmente em impor na lei a redução das pensões a partir de 2024 em termos reais.

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É preciso acrescentar que, em 2022, o poder de compra das pensões está a ser efetivamente reduzido.

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A pensão perde em 2022 em termos reais, perderá com a inflação de 2023 e perderá mais no futuro.

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No dia em que [o Governo] apresentar [a nova lei] serão feitas as contas do empobrecimento que o PS vai impor.

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A afirmação de que a lei deve ser mudada pois não foi concebida para períodos de inflação é sinistra. 

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[O Governo] deveria ter sido leal com a população e explicado que a lei garantiria as pensões contra a inflação só quando não houvesse inflação.

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O entusiasmo da direita com tal “reforma estrutural” bem se pode compreender.

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O Governo pede aos pensionistas que aplaudam o seu próprio empobrecimento.

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Afinal, é mesmo para isto [recorrer aos bolsos dos pensionistas] que serve uma maioria absoluta.

Francisco Louçã, “Expresso” Economia (sem link)

 

Durante o seu [de Costa] primeiro governo não se pode, em abono da verdade, falar de um tempo novo, mas foi possível vislumbrar o que seria um tempo novo ou seja, um tempo diferente daquele PS/PSD/CDS nos habituaram.

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Um tempo novo seria o de atenção para com os mais desfavorecidos, de lisura, de transparência, de honradez em vez de cupidez e corrupção, de palavra respeitada face à palavra dada.

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Outro [tempo] veio em que a estabilidade era o tudo para permitir a Costa prosseguir o caminho da bazuca.

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A maioria absoluta traz cada dia novas instabilidades e o regresso à pior matriz do PS a mandar “nisto tudo” e sem travões na AR.

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[O empobrecimento] volta ao quotidiano dos portugueses que vivem muito pior desde que o PS passou a governar só.

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As medidas anunciadas com toda a pompa a fim de enganar os papalvos vão exatamente em sentido contrário ao anunciado.

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Até a palavra dada é desrespeitada e não haverá a atualização das pensões de acordo com a taxa de inflação.

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Sempre que o PS governa em maioria absoluta ou similar as questões essenciais como o Ensino e Educação, Saúde, Segurança Social e Justiça esbarram com interesses privados que encontram na direção do PS uma tendência para lhes satisfazer os apetites.

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Lamentavelmente para António Costa é mais importante o poder dos mercados financeiros, sem qualquer escrutínio, do que as aspirações legítimas dos seus eleitores.

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Este é o programa dos social-democratas ou dos liberais?

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Os entusiastas da desregulamentação do mercado energético na U.E. (comandados à distância por certos interesses dos EUA) obrigam os povos da União a sacrifícios brutais em contraste com os lucros sem medida das empresas que dominam o mercado. Nem aqui o PS assume a coragem de taxar lucros desmedidos.

Domingos Lopes, “Público” (sem link)

 

A verdadeira economia de mercado repousa no duplo fundamento da livre iniciativa e de um mercado que exiba alguma vitalidade.

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[O Brasil e outros países subdesenvolvidos] ostentam o bizarro paradoxo de se apresentarem como economias de mercado, sem mercado.

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As iniciativas do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, destinadas a desconcentrar a renda nacional, redistribuindo-a ainda que de forma moderada para parcelas expressivas da população até então alijadas do mercado consumidor, haviam promovido uma tonificação da economia, ao dinamizar o mercado interno.

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[As iniciativas do governo Lula] tinham por vocação viabilizar o futuro de um modelo de produção capitalista, só possível com a multiplicação dos agentes económicos atuando no mercado.

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A resistência de boa parte das elites brasileiras a essa experiência inovadora na política económica, que não conflitava com a bases do sistema capitalista, foi tenaz.

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Com a riqueza distribuída é possível produzir em escala, tornando os preços das mercadorias, (…), mais competitivos.

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[Os ricos sentiram que] poderiam perder um privilégio dos mais caros para eles: o da exclusividade da riqueza.

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Essa pertinaz mentalidade preconceituosa (…) trava nosso [referente ao Brasil] desenvolvimento económico, tem ao que parece matriz cultural no legado da escravatura.

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[A brutal concentração das riquezas em favor das classes dominantes no Brasil e noutros países do terceiro mundo constitui] um paradoxo com a ideia de uma economia de mercado e uma desanimadora constatação que tais nações ainda não superaram a era pré-capitalista.

José Carlos Tortima, “Público” (sem link)


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