sábado, 8 de janeiro de 2022

MAIS CITAÇÕES (163)

 
Não se vira a página prosseguindo a utilização da precariedade e do desemprego, secundarizando a qualidade da gestão e o papel determinante de boa organização do trabalho.

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Não se vira a página alimentando o populismo fascizante através de condescendência com a pobreza e as desigualdades, de insuficiências da justiça, da tolerância com o racismo, ou de entretenimentos alienantes.

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A baixa produtividade é em si mesmo um problema.

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Promessas de virar a página sem políticas que rompam, paulatinamente e a prazo, com este passado/presente são inexequíveis. 

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Não foi por falta de estabilidade que o seu governo não rompeu plenamente com as políticas de austeridade e não começou a encetar os passos necessários para esse novo virar de página.

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[A esquerda deve] construir uma agenda e sustentar um governo que mobilize um amplo leque de forças sociais e políticas e as ponha a dialogar, que promova a recuperação socioeconómica, uma política industrial e investimento em setores económicos promissores, um desenvolvimento justo e sustentável.

Carvalho da Silva, JN

 

Numa campanha eleitoral que se passa quase exclusivamente na comunicação social, os debates televisivos, mais de 30, acabam por ter mais importância do que se fossem mitigados por eventos de campanha, que a pandemia hoje não permite.

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Uma campanha eleitoral totalmente dependente da comunicação social abre caminho a perversidades.

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Trata-se de opinião, de manipulação, de parti-pris, simpatias e antipatias escondidos sob a intangibilidade da condição profissional. 

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Por exemplo, a frieza de Catarina Martins e Rui Tavares, o cansaço de Jerónimo, a habilidade de Costa, os labirintos em que se enreda Rio, a agressividade monocórdica de Ventura, tudo isto se percebe de imediato, seja quais forem as simpatias que se tenha por cada um deles.

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Aquilo para que os debates pouco servem é para discutir propostas ou programas de governação, com o tempo curto de mais para pensar e discutir a sério.

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A comunicação social está sempre a queixar-se de que não se discutem os “problemas dos portugueses”, porém aceita um modelo que impede qualquer discussão.

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Transformar [os debates] em combates, que é comunicacionalmente mais atractivo, impede que se tracem as “linhas vermelhas” com propostas antidemocráticas que o crescendo populista está a colocar em cima da mesa.

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Já se ganhava alguma coisa se ele [Ventura] fosse confrontado com as suas propostas antidemocráticas que ele debita como se fossem “normais”.

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A demagogia sobre os salários dos políticos, conduz a que haja apenas candidatos desqualificados para quem qualquer salário é bom.

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Ou pura e simplesmente dizer-lhe que numa democracia há o primado da lei, e que as garantias de defesa e do ónus da prova são para todos, assassinos e corruptos incluídos.

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E que penalizar os “crimes de colarinho branco” com o dobro das penas dos assassinos é uma perversão da justiça.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)

 

Ao contrário do que o comentariado branco defende não existe arte apolítica, existe arte que politiza e arte que despolitiza.

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Quando é que uma artista negra acumulará prestígio suficiente para que o seu mérito seja reconhecido como tal? 

Mamadou Ba e Ana Teixeira Pinto, “Público” (sem link)

 

Para manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus, os governos teriam de intervir nas decisões das empresas e dos cidadãos.

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Setenta por cento das maiores empresas não pagam taxa carbono e nos Estados Unidos os 5% mais ricos geram 32% das emissões de CO2. Com que autoridade vão os governos agir sobre as escolhas individuais?

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Quando algo tem de ser organizado, como é o caso da transição ecológica, é necessário autoridade.

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O exercício da autoridade implica, neste caso, que empresas e cidadãos aceitem obedecer, ou seja, aceitem abdicar da sua liberdade de ação.

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Como impor as restrições necessárias para evitar o colapso ambiental? E para diminuir as desigualdades, condição indispensável à transição ecológica?

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Parece-me mais sensato enfrentar o dilema e deixar de considerar a autoridade como sempre um mal.

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Contrariamente aos detentores de poder, os que exercem autoridade não usam meios de coerção porque a autoridade é voluntariamente aceite.

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Preservar o ecossistema pode e deve ser constituído como “mundo comum” – o que na realidade é.

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A função da autoridade é precisamente a de zelar pelo interesse comum, que consiste hoje em manter a possibilidade da vida na Terra.

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Pensar que as sociedades humanas podem ser guiadas só pela ciência e pela razão é uma ilusão.

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A história recente mostra que não se consegue assim lutar contra os apelos ao ódio e ao medo. 

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Não se pode ignorar que existem conflitos entre os interesses individuais e o interesse comum.

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Não teremos mundo se não fizermos alterações radicais nos próximos vinte anos.

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As democracias políticas ocidentais não souberam impor-se aos poderes económicos, do qual ficaram reféns.

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Conseguir a transição ecológica exige, todavia, que os estados se imponham aos gigantes económicos. 

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Exige também um aprofundamento da democracia económica, especificamente, que os trabalhadores participem nos órgãos de governo e nas decisões das empresas.

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Essa participação representa uma oportunidade privilegiada para que os trabalhadores tomem consciência dos custos ecológicos dos produtos que consomem.

Helena Lopes, “Público” (sem link)

 

A ferrovia traduz de modo perfeito o desafio com que as atuais gerações se confrontam com a complexidade dos seus obstáculos.

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Sobra pouco tempo ara a descarbonização e ela passa inevitavelmente e em larga medida pela passagem rápida para a ferrovia como sistema de mobilidade.

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Ninguém pode negar que, dê por onde der, a muito curto prazo, passageiros e mercadorias terão de circular fluidamente sobre carris em toda a UE.

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Nada diminui a incontroversa prioridade que a EU tem de dar – e depressa – à ferrovia.

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A ferrovia impõe à Europa um exercício de verdade, de vontade e de união.

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[Portugal] desinvestiu mais do que qualquer outro país europeu na ferrovia e nas suas ligações internas e externas.

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A política de comboios estará sempre no topo das prioridades e das urgências enquanto política de ambiente, de mobilidade e de coesão comunitária.

Luísa Schmidt, “Expresso” (sem link)


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