(…)
O peso no preço dos produtos alimentares no aumento da
inflação é deveras significativo, apresentando uma subida de quase 17% em
setembro, comparando com o mesmo mês do ano de 2021. Trata-se da taxa mais
elevado desde julho de 1990.
(…)
A tendência de subida do custo de vida vai manter-se e a
fatura energética, nos próximos tempos, poderá ter um aumento superior a 40
euros.
(…)
Outra situação explosiva tem a ver com o aumento das taxas de
juro, levando a que muitas famílias não consigam pagar a prestação das suas
habitações num futuro próximo.
(…)
[O Governo de Costa] envereda por manobras propagandísticas e
trapaceiras, escondendo-se atrás da maioria absoluta do PS, de forma autista e
arrogante.
(…)
Ainda estamos à espera do anúncio de taxar os que mais têm
lucrado com a crise – as empresas da energia, farmacêuticas, banca parasitária
e grandes superfícies comerciais.
(…)
Tal como nas crises anteriores do capitalismo, nesta crise
será mais do mesmo – se não houver uma resposta a sério. Serão as classes
trabalhadoras e o povo português a arcar com todo o seu peso.
(…)
É chegada a hora de vir para a rua e gritar bem alto que não
têm de ser sempre os mesmo a pagar a crise que outros estão a provocar e a
beneficiar.
João Vasconcelos, Esquerda.net
A maioria
absoluta foi o pior que poderia ter acontecido ao PS.
(…)
Veremos
se esta [crise] não transformará Costa no Hollande português — o homem que teve
tudo na mão e quase extinguiu o seu partido.
(…)
Tudo
mudou nestes sete anos. Nas margens da direita, lastro do desgaste do tempo da
troika, cresceram espaços de protesto antidemocrático.
(…)
A CGTP
acompanha o processo de fechamento do PCP, evidente na escolha de uma
funcionária sindical para sua coordenadora, e a UGT é um simulacro de central.
(…)
Tirando
em alguns sectores da Função Pública, o sindicalismo está no osso.
(…)
[É
preciso que os eleitores de esquerda percebam que] alimentaram as condições
para o PS dar a maior guinada à direita da sua história.
(…)
Condenaram
as correntes mais à esquerda do PS à inutilidade.
(…)
O PS
governará contra boa parte do seu eleitorado e para Costa isso nem é um
problema. O seu futuro político, a existir, não será por cá.
(…)
O
apelo de Montenegro ao voto no candidato do Chega a vice-presidente da
Assembleia da República deixa claro que, se for aritmeticamente necessário, a
direita governará com Ventura.
(…)
A
questão é quem lidera [uma aliança entre neoliberais e neofascistas]. Em Itália
já é a extrema-direita.
(…)
A
direita moderada será cada vez mais uma coisa do passado.
(…)
Perante
isto, a estratégia do centro-esquerda é apresentar-se como a última fronteira
do cordão sanitário com a extrema-direita.
(…)
Hoje,
um social-democrata tradicional já é um radical.
(…)
Esta
crise tem todas as componentes para mudar radicalmente a nossa política.
(…)
Com
uma crise social profunda e sem uma oposição combativa à esquerda ou
alternativa moderada à direita, talvez venham a ter uma surpresa nas próximas
eleições.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
(…)
De
novo o país confronta-se com o alarme da falta de água.
(…)
O que
está em causa é a forma irresponsável como os Estados aceitam enganar-se e
enganar os seus cidadãos quanto à sustentabilidade do uso intensivo e crescente
de água na agricultura.
(…)
Agora
e no futuro é todo o país que terá falta de água.
(…)
Há
muito para fazer na racionalização das águas, mas não gastando-a cada vez mais,
tal como aconteceu em plena seca severa.
(…)
O que
faz então com que se continuem a entregar subsídios comunitários para novas
instalações de explorações agrícolas altamente exigentes em água?
(…)
Em
nenhum outro ponto os ministérios do Ambiente e da Agricultura parecem tão
alheios um ao outro como na questão da água que a ambos diz nuclearmente
respeito.
(…)
Todos
os dias são denunciados novos casos de escassez e o licenciamento de novos
abusos da água.
(…)
O mais
importante aquífero regional — Querença-Silves — está a ser levado a uma crise
gravíssima pela instalação rápida de vastas extensões de amendoal e abacateiros
num desrespeito insultuoso a tudo e a todos.
(…)
É a
partir de dentro do nosso próprio país que uma cadeia assegurada pelo
Ministério da Agricultura nos traz os “maus ventos e os maus casamentos”.
Luísa Schmidt, “Expresso” (sem link)
Em Espanha é esperado um aumento da
coleta fiscal de 7,7% obtido à custa de "novas figuras tributárias",
isto é, de novos impostos sobre lucros extraordinários da banca, das
energéticas e, ainda (…)
(…)
Em Espanha, cumprindo a lei, o Governo já
se comprometeu a atualizar as pensões para 2023 de acordo com a taxa de
inflação verificada, ou seja, em cerca de 8,5%.
(…)
Portugal e Espanha são igualmente membros
da União Europeia e da Zona Euro, estão os dois na Península Ibérica e têm
outras semelhanças, designadamente, na cor política base dos seus atuais
governos.
(…)
O problema é que a cor ganha ou perde
vivacidade em função dos contextos.
(…)
Em Espanha o PSOE não tem maioria e
governa em aliança com um partido de Esquerda, com quem partilha pastas
ministeriais.
(…)
O PS gosta é de ser solteiro próximo de
ricos, ter maioria absoluta que lhe permita ser dono da bola, pôr e dispor do
poder, por vezes exercido por elementos de baixa qualidade.
(…)
Outro promotor dos perniciosos namoros do
PS com a Direita é o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, mestre na
utilização do argumento da média como prova de que, se a um frango foi cortada
uma asa, logo esse frango foi partido em dois.
(…)
Ora, a inflação está a comer o valor real
dos salários e Centeno ainda está preocupado com o impacto que os diminutos
aumentos nominais dos salários poderão ter na inflação,
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