quarta-feira, 3 de setembro de 2025

CITAÇÕES À QUARTA (170)

 
Israel incorre no risco acelerado de perder muitos dos seus aliados europeus democráticos ocidentais por causa do conflito em Gaza.

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Só os negacionistas e os agentes irresistivelmente engajados com Netanyahu conseguem traduzir os milhares de mortos civis e a fome das crianças em propaganda terrorista.

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Não há outra forma de o dizer: há pessoas nesta guerra a morrer cuja única culpa é viver em Gaza.

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Benjamin Netanyahu afasta cada vez mais Israel do continente onde aconteceu o Holocausto.

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Diz-se que o faz por estar em jogo a sua sobrevivência, com casos de corrupção que impendem sobre si em standby enquanto decorre o conflito.

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Tudo isto tem consequências.

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A empatia, compreensão e responsabilidade dos europeus para com os judeus num contexto de extermínio durante a II Guerra Mundial são amplamente justificadas.

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Mas a memória e o peso histórico não devem limitar a acção política, sobretudo quando demasiadas vozes qualificadas usam a palavra genocídio para caracterizar o que se passa em Gaza.

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Gaza é um imperativo colectivo.

Pedro Candeias, “Público” (sem link)

 

Por vários dias, as televisões transmitiram uma cena de violência doméstica, em que um bombeiro de Machico espancava a mulher à frente do filho de nove anos.

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Uma cena banal num país que passa o tempo a debater o choque com culturas imigrantes que não respeitam as mulheres. 

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Foram assassinadas 22 pessoas (19 mulheres) em contexto de violência doméstica.

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66% dos jovens que já namoraram dizem ter sofrido, pelo menos, uma forma de violência no namoro.

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[A violência doméstica] não povoa o discurso dos políticos que vivem do medo e do alarmismo nem a comunicação social que faz disso negócio.

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É um crime democrático.

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De tão democrático, conseguimos mantê-lo integrado no nosso quotidiano.

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Quando é mostrado (…) acordamos para o nosso quotidiano, para os nossos verdadeiros "valores", sem estrangeiros, pobres ou ciganos para culpar.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

Sejamos claros, Portugal – e o seu sistema de Ensino Superior – não está capacitado para um aumento das propinas.

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A manifestação da intenção, do Sr. Ministro da Educação, Fernando Alexandre, de descongelar as propinas já no ano letivo 2026/2027 é, para dizer o mínimo, injustificada.

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Portugal é o 2º país da União Europeia em que as contribuições familiares mais peso têm no orçamento do estudante.

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Uma restrição dos critérios académicos para atribuição de bolsa levaria a um aumento de 15% no número de estudantes que não conseguem concluir o curso.

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Temos, isso sim, estudantes que se veem, do início ao fim do seu percurso académico, colocados perante situações de tremenda fragilidade financeira devido ao baixíssimo rendimento que têm disponível.

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Apenas 20% dos alunos do Ensino Superior têm pais licenciados.

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A que destino estamos a condenar o elevador social do Ensino Superior, quando numa altura em que sabemos que de um ano para o outro, houve menos 6% de alunos carenciados a candidatarem-se ao Ensino Superior?

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Caminhamos, perigosamente, para uma elitização do ensino, onde quem pode pagar, no imediato, avança; e quem não pode, estagna.

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Fosse intenção do governo reformular o sistema de ensino superior, essa reforma nunca teria de passar pela imposição de novos encargos aos seus estudantes.

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Somos [nós estudantes] quem escreve o amanhã, quem constrói as fundações deste país. 

Gonçalo Osório de Castro, “Expresso” (sem link)

 

A crise imobiliária é agora uma ameaça maior para a democracia na União Europeia (UE), que a guerra na Ucrânia ou as tarifas protecionistas.

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A habitação e a saúde são a área nuclear da limitação dos direitos na Europa.

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A habitação tornou-se emblemática da dicotomia entre os que têm e os que não têm e afeta principalmente os mais pobres.

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A habitação está a dar lucros chorudos auns poucos indivíduos e instituições.

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Ao tornar a habitação em determinada área uma mercadoria limitada, o poder passou para aqueles que a detêm, em detrimento dos que dela necessitam.

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A manifestação emblemática dessa mudança é a propriedade em grande escala de casas por instituições financeiras, especialmente desde a crise global de 2008.

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A compra de imóveis residenciais na zona euro, por investidores institucionais triplicou na última década.

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Nas quatro maiores cidades holandesas, um quarto das casas à venda, nos últimos anos, foi comprado por investidores.

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Em Portugal, os fundos de investimento tomaram importantes posições em Lisboa e no Porto e depois em todas as cidades universitárias.

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Quando o gigante Blackstone, também presente em Portugal, adquiriu e renovou casas em Estocolmo, aumentou os alugueres de algumas delas em até 50%.

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A crise financeira de 2008 levou a que países com Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda vendessem dívidas hipotecárias a preços de saldo, em lotes e aos milhares.

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Será que a habitação, uma necessidade fundamental e estratégica, possa ser garantida com sucesso sob as maquinações do capital financeiro?

Américo Figueiredo, “Diário de Coimbra” (sem link)

 

O mundo está a mudar. O processo em curso traz dentro de si contradições, por vezes, violentas.

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Na guerra da Ucrânia confrontam-se forças que pretendem operar a mudança de paradigma na relação de forças à escala mundial e aquelas que querem manter a unipolaridade.

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O grande confronto é entre a Rússia e os EUA/UE/NATO, mas na realidade é apenas uma parte desse confronto,

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A guerra não é destinada a ocupar a Ucrânia, mas sim a obter uma resposta a um avanço do Ocidente/NATO no sentido de se colar à Rússia.

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Tal como os EUA se sentiam ameaçados em 1962 com os mísseis nucleares soviéticos em Cuba (…) também a Rússia se sente ameaçada com a entrada da Ucrânia na NATO.

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A segurança de uma potência não pode ser levada a cabo com a insegurança da(s) outra(s).

Domingos Lopes, “Público” (sem link)


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