(…)
Só os
negacionistas e os agentes irresistivelmente engajados com Netanyahu conseguem
traduzir os milhares de mortos civis e a fome das crianças em propaganda
terrorista.
(…)
Não há outra forma de o dizer: há pessoas nesta
guerra a morrer cuja única culpa é viver em Gaza.
(…)
Benjamin Netanyahu afasta cada vez mais Israel
do continente onde aconteceu o Holocausto.
(…)
Diz-se
que o faz por estar em jogo a sua sobrevivência, com casos de corrupção
que impendem sobre si em standby
enquanto decorre o conflito.
(…)
Tudo isto tem consequências.
(…)
A
empatia, compreensão e responsabilidade dos europeus para com os judeus num
contexto de extermínio durante a II Guerra Mundial são amplamente justificadas.
(…)
Mas a
memória e o peso histórico não devem limitar a acção política, sobretudo quando
demasiadas vozes
qualificadas usam a palavra
genocídio para caracterizar o que se passa em Gaza.
(…)
Gaza é um imperativo colectivo.
Pedro Candeias, “Público”
(sem link)
Por vários dias, as televisões transmitiram uma cena de violência doméstica, em que um bombeiro de
Machico espancava a mulher à frente do filho de nove anos.
(…)
Uma cena banal num país que passa o tempo a
debater o choque com culturas imigrantes que não respeitam as mulheres.
(…)
Foram assassinadas 22 pessoas (19 mulheres) em contexto de violência doméstica.
(…)
66% dos jovens que já namoraram dizem ter sofrido, pelo menos, uma forma de
violência no namoro.
(…)
[A violência doméstica] não povoa o discurso
dos políticos que vivem do medo e do alarmismo nem a comunicação social que faz
disso negócio.
(…)
É um crime democrático.
(…)
De
tão democrático, conseguimos mantê-lo integrado no nosso quotidiano.
(…)
Quando é mostrado (…) acordamos para o
nosso quotidiano, para os nossos verdadeiros "valores", sem
estrangeiros, pobres ou ciganos para culpar.
Daniel Oliveira, “Expresso”
(sem link)
Sejamos claros, Portugal – e o seu sistema de
Ensino Superior – não está capacitado para um aumento das propinas.
(…)
A manifestação da intenção, do Sr. Ministro da
Educação, Fernando Alexandre, de descongelar as
propinas já no ano letivo 2026/2027 é, para dizer o mínimo,
injustificada.
(…)
Portugal é o 2º país da União Europeia em que
as contribuições familiares mais peso têm no orçamento do estudante.
(…)
Uma restrição dos critérios académicos para
atribuição de bolsa levaria a um aumento de 15% no número de estudantes que não
conseguem concluir o curso.
(…)
Temos, isso sim, estudantes que se veem, do
início ao fim do seu percurso académico, colocados perante situações de
tremenda fragilidade financeira devido ao baixíssimo rendimento que têm
disponível.
(…)
Apenas 20% dos alunos do Ensino Superior têm
pais licenciados.
(…)
A que destino estamos a condenar o elevador
social do Ensino Superior, quando numa altura em que sabemos que de um ano para
o outro, houve menos 6% de alunos carenciados a candidatarem-se ao Ensino
Superior?
(…)
Caminhamos, perigosamente, para uma elitização
do ensino, onde quem pode pagar, no imediato, avança; e quem não pode, estagna.
(…)
Fosse intenção do governo reformular o sistema
de ensino superior, essa reforma nunca teria de passar pela imposição de novos
encargos aos seus estudantes.
(…)
Somos [nós estudantes] quem escreve o amanhã,
quem constrói as fundações deste país.
Gonçalo Osório de
Castro, “Expresso” (sem link)
A
crise imobiliária é agora uma ameaça maior para a democracia na União Europeia
(UE), que a guerra na Ucrânia ou as tarifas protecionistas.
(…)
A
habitação e a saúde são a área nuclear da limitação dos direitos na Europa.
(…)
A
habitação tornou-se emblemática da dicotomia entre os que têm e os que não têm
e afeta principalmente os mais pobres.
(…)
A
habitação está a dar lucros chorudos auns poucos indivíduos e instituições.
(…)
Ao
tornar a habitação em determinada área uma mercadoria limitada, o poder passou
para aqueles que a detêm, em detrimento dos que dela necessitam.
(…)
A manifestação
emblemática dessa mudança é a propriedade em grande escala de casas por
instituições financeiras, especialmente desde a crise global de 2008.
(…)
A
compra de imóveis residenciais na zona euro, por investidores institucionais
triplicou na última década.
(…)
Nas
quatro maiores cidades holandesas, um quarto das casas à venda, nos últimos
anos, foi comprado por investidores.
(…)
Em
Portugal, os fundos de investimento tomaram importantes posições em Lisboa e no
Porto e depois em todas as cidades universitárias.
(…)
Quando
o gigante Blackstone, também presente em Portugal, adquiriu e renovou casas em
Estocolmo, aumentou os alugueres de algumas delas em até 50%.
(…)
A
crise financeira de 2008 levou a que países com Espanha, Grécia, Portugal e
Irlanda vendessem dívidas hipotecárias a preços de saldo, em lotes e aos
milhares.
(…)
Será
que a habitação, uma necessidade fundamental e estratégica, possa ser garantida
com sucesso sob as maquinações do capital financeiro?
Américo Figueiredo, “Diário de Coimbra” (sem link)
O mundo está a mudar. O processo em curso traz
dentro de si contradições, por vezes, violentas.
(…)
Na guerra da Ucrânia
confrontam-se forças que pretendem operar a mudança de paradigma na relação de
forças à escala mundial e aquelas que querem manter a unipolaridade.
(…)
O grande confronto é entre a Rússia e os
EUA/UE/NATO, mas na realidade é apenas uma parte desse confronto,
(…)
A
guerra não é destinada a ocupar a Ucrânia, mas sim a obter uma resposta a um
avanço do Ocidente/NATO no sentido de se colar à Rússia.
(…)
Tal como os EUA se sentiam ameaçados em 1962
com os mísseis nucleares soviéticos em Cuba (…) também a Rússia se sente
ameaçada com a entrada da Ucrânia na NATO.
(…)
A segurança de uma potência não pode ser levada
a cabo com a insegurança da(s) outra(s).
Domingos Lopes, “Público”
(sem link)
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