(…)
Porque foi, depois do que aconteceu no 6 de janeiro,
reeleito? Porque, sem punição, as pessoas podem negar o crime. Porque,
sem punição, as pessoas podem negar o crime.
(…)
A batota passa a fazer parte do jogo.
(…)
O Brasil está a apontar caminho. Durante a última campanha
presidencial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou bloquear contas que
espalhavam desinformação nas redes.
(…)
O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, bloquear
a rede X até que a empresa voltasse a nomear um representante legal.
(…)
Em setembro, Musk cedeu, entregou todos os documentos solicitados,
baniu as contas envolvidas na investigação e pagou multa.
(…)
Bolsonaro também não teve direito à impunidade que Trump
conquistou.
(…)
Pretendia-se impedir a tomada de posse de Lula,
(…)
[O plano] terá abortado pela recusa do Exército.
(…)
Num sistema judicial cheio de entorses, em que o mesmo juiz
pode inquirir e julgar, é uma evolução em relação à Lava Jato.
(…)
[O plano incluía] no limite, o assassinato de Lula, do seu
vice e do então presidente do TSE.
(…)
O Brasil pisa gelo fino. O mesmo que pisam quase todas as
democracias. Mas não se deu por derrotado.
(…)
Os norte-americanos brancos nunca tiveram de lutar pela sua [democracia],
pelo menos em casa.
(…)
Com o aplauso dos “patriotas”, Trump tentou coagir o Supremo,
impondo tarifas de 50% ao Brasil e sanções a Alexandre de Morais.
(…)
[O efeito é] o reforço de Lula nas sondagens.
(…)
Hoje, 61% dos brasileiros recusam votar num candidato que
prometa a amnistia aos autores do 8 de janeiro e só 10% questionam que tenha
havido tentativa de golpe.
(…)
A forma como as instituições lidam com os factos determina a
forma como o povo os encara.
(…)
A democracia não se defende só com pedagogia e argumentos.
Defende-se com regras e consequências.
(…)
A impunidade das bestas não as amansa, torna-as mais
perigosas.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
Quando
dava aulas de Criação e Gestão de Associações e ONG, alertava sempre as turmas
para a figura nefasta do vampiro de energia.
(…)
O
vampiro de energia é aquela pessoa que não faz grande coisa na associação, para
não dizer nada, e que chega só no momento das reuniões de decisão, imbuído de
muita autoridade, para destabilizar o grupo e se alimentar da sua energia.
(…)
Por vezes, acumula a improficiência com a
maledicência.
(…)
Enfim, o vampiro não serve para nada, mas tenta
comer tudo.
(…)
O
vampiro não vive só nas associações, está presente no trabalho, nas relações
familiares, afetivas, na política, nos media,
nas redes sociais.
(…)
Neste
momento, a Global Sumud Flotilla que se dirige para Gaza, e que conta
com a participação corajosa de Mariana Mortágua, Miguel Duarte e Sofia
Aparício, também é atacada (de forma previsível) por vampiros de energia.
(…)
Regozijam-se de forma aparatosa com o mínimo
contratempo que a flotilha possa sofrer.
(…)
Não
sei como será relembrado no futuro o genocídio na Palestina perpetrado pelo
Estado de Israel, mas espero que estas vozes não fiquem esquecidas.
(…)
E é isto que os vampiros de energia fazem:
barulho, agitando as suas asinhas em vão, com gritinhos estridentes.
(…)
Esquecem-se que os direitos de que hoje
usufruem se devem a ações “inúteis”, “loucas”, “descabidas”.
(…)
As pessoas que fazem parte desta flotilha
merecem toda a nossa admiração e reconhecimento.
(…)
Vão,
sozinhas, acabar com o genocídio?
Não. Mas qualquer ativista tem consciência do seu pequenino lugar numa grande
luta, e sabe também que a vitória final é feita de inúmeras pequenas
conquistas.
(…)
É indispensável fazer parar o massacre por
todos os meios possíveis.
(…)
Estão a conseguir fazer chegar ao povo palestiniano a mensagem de que não está sozinho, apesar da inação
ou cumplicidade vergonhosa dos nossos governantes
(…)
À
Mariana, Miguel, Sofia, Greta e a todas as pessoas que participaram nas
anteriores, atual e futuras flotilhas: obrigada e toda a força.
Luísa Semedo, “Público” (sem link)
O que me choca não são os despedimentos. Posso comover-me e
até recordar na pele os meus momentos difíceis.
(…)
O que me abala é ver mulheres e homens à porta de lugares
onde trabalharam uma vida, por quem se sacrificaram no melhor que tinham para
dar, gente que facilitou nos turnos, que festejou os sucessos da empresa, que
acreditou ser aquela a sua segunda casa…
(…)
Seres humanos para quem aquele lugar era parte de si, gente
que viu os seus próprios pais e avós a sacrificarem-se por migalhas e pelo
orgulho que tinham à empresa.
(…)
Vi-os a chegarem das férias e a não poderem entrar por causa
dos cadeados, como se fossem ladrões ou indigentes.
(…)
Terrível a falta de empatia. Reduzir os outros ao nada, ao
menos que nada. Nojo.
Todas
as tentativas de envelopar o conflito [na Ucrânia] nas chamadas normas morais
liberais do Ocidente esbarram na História e sobretudo no atualíssimo genocídio
em Gaza com o apoio do Ocidente.
(…)
A moralidade moraria no eventual resort de Trump em Gaza, a construir sobre os esqueletos dos
palestinianos.
(…)
Agora,
em Gaz,a Netanyahu e Trump encarregam os aviões, os tanques e a fome de matar
os palestinianos sobre os quais se Trump poderia mandar construir as estâncias
e receber o prémio Nobel da Paz.
(…)
A mudança no mundo tornou-se inevitável e
possível.
(…)
[Trump pretende] diminuir as possibilidades da
sua concretização ou e atenuar os efeitos.
(…)
O grande adversário da potência em perda da
hegemonia é a China.
(…)
[A
Rússia] fez gorar as sanções de um Ocidente incapaz de ver o mundo como ele é,
sobretudo a elite dirigente da UE que se bate pelos seus privilégios, de costas
voltadas para os povos e países que a integram.
(…)
Trump quer evitar a derrota na Ucrânia, pois de
contrário teria de escalar para um outro patamar incontrolável e incerto.
(…)
Uma vitória da Rússia deixaria os EUA de rastos
interna e externamente, e daí a negociação com a Rússia.
(…)
[Marcelo]
e os líderes da UE são na verdade um ativo da distopia europeia, incapazes por
anquilose de sair da derrota estratégica da Rússia e perseguir essa ilusão
antiga e falida.
(…)
Neste
confronto entre titãs, há um anão que se põe em bicos de pés para ser visto: as
lideranças da UE. Vivem entre privilégios e temem perdê-los.
(…)
E, no entanto, o mundo dirige-se inexoravelmente para a
multipolaridade.
Domingos Lopes, “Público”
(sem link)
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