(…)
Todavia, dá corpo a uma das quatro ofensivas estruturais mais
profundas contra o quadro constitucional dos direitos dos trabalhadores e pode
ser aquela que maior rombo provoque em direitos fundamentais.
(…)
A empresarialização geral das atividades humanas, mesmo as de
carácter social, e o individualismo exacerbado são duas das armas contra o
progresso e a democracia.
(…)
Em 2002/2003, no processo de elaboração do Código Laboral, a
Direita convenceu setores democráticos da bondade do ataque à "velha
negociação coletiva" que pretensamente favorecia a CGTP-IN.
(…)
Daí resultaram vieses que enfraqueceram direitos dos
trabalhadores e a ação dos sindicatos, desde logo na negociação coletiva.
(…)
Em 2010 e 2011 (nos dois anos a 24 nov.) as duas centrais
fizeram conjuntamente greve geral contra a austeridade e o ataque aos direitos
dos trabalhadores já em curso, que a troika ampliaria.
(…)
Afirmaram-se argumentos para que o Governo do PS, com apoio
parlamentar do PCP e do BE, viesse a repor relevantes amputações feitas pela
troika.
(…)
O presente ataque do Governo coloca, de novo, a luta laboral
em emergência.
(…)
Compete-lhes decidir como e quando agir.
(…)
Sem perda de identidade, há que superar divergências.
(…)
Os direitos dos trabalhadores e os dos sindicatos são
indispensáveis para efetivar, de forma rigorosa e dinâmica, normas, decisões e
procedimentos necessários para a organização e a prestação do trabalho.
(…)
[Montenegro] opta pelo neoliberalismo, porque conta com o
Chega para encenar discordâncias e apoiar o fundamental.
Cobardia
e coragem são duas palavras essenciais para usar no mundo de brutalidade em que
já estamos a viver, porque a sua principal característica é o uso do medo como
instrumento de poder.
(…)
O exemplo perfeito vem dos EUA de Trump, com
consequências devastadoras sobre a democracia americana.
(…)
Autocrata é obviamente um eufemismo porque
Trump comporta-se como ditador, classificação que ele admite o honraria.
(…)
Ele acha que é um elogio que “muitas pessoas”
querem que ele seja ditador…
(…)
Mas o medo resulta, faz sempre mais cobardes do
que corajosos.
(…)
Faz
exigências a universidades, museus, televisões, escolas, instituições de apoio
aos mais pobres, quer nos EUA, quer no âmbito das Nações Unidas.
(…)
Têm
que acabar com programas de inclusão, e tudo o que pareça ser “woke”, LGBTI+, feminismo,
anti-racismo, falar da escravatura como um “mal”.
(…)
Tenho
a tentação de estar sempre a falar de Trump, porque ele, com Putin e Xi, são os
maiores perigos para a humanidade.
(…)
O caso
de Trump é o que mais riscos traz para o mundo, até porque ele está a atacar os
fundamentos da maior e mais poderosa democracia do mundo, e essa fragilização é a fonte do poder
dos outros.
(…)
Trump
gosta de Putin e tem medo de Xi, e despreza os europeus, o Canadá, a Austrália,
a Coreia e o Japão, todos os países e dirigentes que não lhe prestam
vassalagem.
(…)
Ele,
que não sabe onde é a Hungria, gosta é de gente como Orbán, e admira com inveja
Netanyahu, e só o trava por causa dessa mesma inveja.
(…)
Só há
uma resposta, a coragem, cá e lá, porque a força da coragem é mais exemplar do
que a da cobardia.
(…)
Os actos de cobardia reforçam o medo, mas um
medo que pode transportar revolta.
(…)
O peixe,
como se sabe, apodrece pela cabeça e a cabeça do “mundo livre” eram os EUA. Ou
a gente a corta, metaforicamente claro, ou o resto do corpo apodrece, já está a
apodrecer.
Pacheco Pereira, “Público” (sem link)
Pouco
se tem escrito sobre as crianças da educação pré-escolar e do 1.º Ciclo que já
ficaram ou que correm o risco de ficar sem professor. Acontece que, enquanto
até aqui, estes eram grupos de recrutamento nos quais ainda não havia tanta
falta de docentes, as previsões apontam para que, a curto prazo, estes sejam
dos grupos mais atingidos.
(…)
Esta
previsão torna-se ainda mais preocupante quando sabemos que aos educadores de
infância e aos professores do 1.º Ciclo não cabe apenas o desenvolvimento de
competências e a lecionação de conteúdos: estes docentes também asseguram a
guarda das crianças enquanto os seus pais vão trabalhar.
(…)
Devido
a esta dupla responsabilidade, há um problema de ordem prática que se coloca, à
cabeça, quando falta um docente destes níveis de educação e ensino.
(…)
Quando
a falta é de longa duração, ou quando aumenta o número de docentes não
colocados, as escolas deixam de dispor de mecanismos para assegurar a guarda
das crianças.
(…)
Resta perguntar o que acontece nestas
circunstâncias.
(…)
Apesar
de a resposta ser tudo menos tranquilizadora, infelizmente é realista: os pais
correm o risco de ficar com as crianças nos braços.
Elsa de Barros, “Público” (sem link)
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