sábado, 28 de março de 2020

CITAÇÕES


É agora que se molda o que virá depois da nuvem. E isso passa por, agora, fazer literalmente tudo para que a nuvem não destrua as vidas nem física nem economicamente.
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Agora é mais exigível que nunca que um advogado que exerce a sua profissão para uma entidade empregadora, estando inserido na estrutura organizativa da sociedade, com um rendimento fixo, sujeito a horários de trabalho e ao cumprimento de códigos de conduta, tem que ter um contrato de trabalho.
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Então e os que ficaram sem emprego de um momento para o outro?” E respondo: para a grande maioria dos advogados, foi exatamente isso que se passou.
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Como foi exigido para todos os demais trabalhadores, exige-se também para estes tantos advogados que ficaram subitamente sem fonte de rendimento que sejam acionadas medidas de proteção extraordinária.
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Medida de emergência: atribuir aos advogados, durante este período de exceção, o direito de descontar para a Segurança Social e de receber dela a proteção que recebe qualquer trabalhador independente

[Em Espanha], trabalhadores temporários, estagiários e contratados a prazo mantêm obrigatoriamente o seu vínculo enquanto durar a crise pandémica.
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A Itália, cujo governo não se posiciona de todo à esquerda, tinha aprovado, logo a 17 de março, a proibição dos despedimentos.
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A aprovação desta medida em Portugal tem sido sugerida com vários argumentos.
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Portugal está já a viver uma vaga de dezenas de milhares de despedimentos e de cessações de contratos precários (como se pode ver neste site), que estão a causar um imenso desespero.
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A prioridade deveria ser garantir transferências diretas do Estado às micro e pequenas empresas em dificuldade para pagamento de salários em março e abril, evitando falências e evitando o endividamento junto da banca.
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O que mais estruturalmente permitirá segurar a vida das pessoas no futuro – e, de resto a economia e as empresas – é evitar uma explosão do desemprego.
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Ora, a este nível, o decreto do Governo hoje publicado está muito aquém das expectativas e das necessidades.
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Uma grande empresa pode proceder à “limpeza” de todos os seus trabalhadores precários, dispensar os trabalhadores em outsourcing.
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É que a proibição do despedimento que ficou na lei ignora os despedimentos já havidos e só se aplica a partir do momento em que a empresa requer o apoio.
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O que chamar a esta versão da “proibição de despedimento” se não um indulto a quem já despediu e um convite a que as empresas se desembaracem dos precários.

Ver brancos, pretos e amarelos a lutar pela mesma dita sobrevivência enquanto seres humanos é uma lição só comparável a ver europeus e americanos a disseminarem conscientemente a infecção a uma velocidade bem superior à dos asiáticos. Estes tempos não são fáceis para ninguém, muito menos para estes.
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Um conjunto de opiniões que pretende passar um pano de esquecimento rápido sobre as opções tomadas pela selva financeira em detrimento da preservação dos sectores estratégicos da economia nas mãos do Estado.
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Há um cíclico séquito de gente que vocifera por liberalismo económico para desatar a correr para os cueiros do Estado quando as coisas dão para o torto.
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É aqui, não depois de sairmos de um pesadelo, que devemos deitar contas à vida por muitas decisões políticas passadas que quase desmantelaram o SNS,

Alguns desavergonhados neoliberais vêm reclamando a necessidade de se salvaguardar a economia - tal como eles a encaram -, mesmo que isso implique a morte de milhões de seres humanos.
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Nos últimos anos, os bancos centrais andaram a fabricar dinheiro a rodos e nunca houve tanta riqueza. Porque não se desencadeiam mecanismos para ir buscar dinheiro acumulado nos offshore e em enormes grupos empresariais?
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É uma evidência que o choque provocado pelo vírus é simétrico, atinge todos os países e povos quase de forma igual, mas o egoísmo e a ganância sustentam-se no assimétrico.
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[O Governo] devia ter a coragem de assumir medidas legislativas que assegurem os vínculos laborais, jurídicos e de facto, num período temporal definido.
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A União Europeia pode implodir face à ausência de coerência e coesão, à negação da solidariedade e equidade entre países e povos.

Hoje, com a covid-19, verifica-se que muitos lares de idosos são verdadeiras incubadoras do vírus, mas uma sociedade que vive o mito da juventude na arte, na cultura, no desporto, na vida, permanece bastante indiferente à sorte desses alvos preferenciais do vírus.
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As grandes diferenças entre 1918 e 2020 são duas: a globalização e o tecido comunicacional, no qual são embebidas todas as acções e decisões. E é esse tecido que muda quase tudo nesses cem anos de diferença.
Pacheco Pereira, “Público” (sem link)

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