(…)
As
redes sociais, o contacto não mediado entre o político e o cidadão, a ilusão de
proximidade, são tudo instrumentos usados pelos inimigos da democracia, que não
podem ficar lá sozinhos.
(…)
Reconheço
a Marcelo a defesa de princípios que eram partilhados por todos os partidos com
representação parlamentar até o Chega entrar na Assembleia da República.
(…)
Enquanto
a direita democrática vai cedendo à extrema-direita, temendo que lhe leve os
votos, um Presidente conservador mantém-se alinhado com princípios que tínhamos
como património democrático.
(…)
[André
Ventura] sabe que ali está uma direita que, longe de ser centrista, nunca
deixará de combater o que ele representa.
(…)
É
certo que nunca o vimos ao lado de trabalhadores em luta e nunca deixámos de o
ver ao lado de quem tem poder económico.
(…)
Marcelo
tinha poder quando tutelava uma maioria atípica de esquerda, perdeu-o com a
maioria absoluta.
(…)
[Marcelo
sabe que] metade da direita não lhe perdoa o excesso de cumplicidade com o
primeiro-ministro e a intransigência na defesa de alguns princípios
civilizacionais.
(…)
[Os
jornalistas] também puxam um primeiro-ministro a quem interessam todas as
distrações do mau momento que o país atravessa.
(…)
Os
tempos estão perigosos, a deceção com este Governo será grande e a direita está
num plano inclinado que a faz descambar para as suas margens políticas.
(…)
Precisamos
do Presidente que, não sendo uma inspiração, tem sido porto seguro para alguns
valores.
Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)
As
tecnologias digitais dão-nos acesso a cada vez mais dados e informação.
(…)
Grande
parte desses dados somos nós que os fornecemos. O uso que deles se faz merece
mais atenção do que lhe damos.
(…)
Toda
esta informação é recolhida, comprada e vendida por empresas especializadas, e
cruzada com outras fontes de informação sobre nós.
(…)
O
objetivo, quase sempre, é antecipar os nossos comportamentos e influenciar as
nossas decisões.
(…)
A
maioria das pessoas não parece muito preocupada com a perda de privacidade.
(…)
Valorizamos
os serviços a que acedemos, muitas vezes de forma gratuita, em troca de
informações sobre nós próprios.
(…)
Só
percebemos o valor da privacidade quando a falta dela é usada contra nós.
(…)
Uma
face visível da transformação em curso é a relação de dependência que
estabelecemos com as tecnologias digitais.
(…)
[As
plataformas] usam tudo o que sabem sobre nós para nos levar a prolongar esse
tempo.
(…)
Não
são só aqueles que vivem da publicidade que nos manipulam ou podem manipular.
(…)
A vida
pós-privacidade se estende a esferas cada vez menos inócuas das nossas
sociedades.
(…)
As
vantagens potenciais das tecnologias digitais são múltiplas, sem dúvida. Os
seus riscos também.
(…)
[Perder
a privacidade] é transformar o nosso modo de vida para lá do que imaginamos.
Ricardo Paes Mamede, “Expresso” (sem link)
Novembro
fica marcado pelo anúncio de uma revisão constitucional. Está aberto o
caminho para que possamos consolidar direitos fundamentais, dentre os quais o
Direito Humano à Alimentação Adequada.
(…)
Pode
parecer que se trata de algo elementar, mas o que é certo é que não está
autonomizado na Constituição Portuguesa.
(…)
[Estranha-se que] nas sete revisões
constitucionais, não tenha existido no domínio do direito à alimentação
qualquer atualização.
(…)
Hoje,
10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é momento de relembrar
que a Assembleia Geral das Nações Unidas, no já longínquo ano de 1948,
consagrou a alimentação como um direito.
(…)
A
concretização do direito a uma alimentação adequada para todos os portugueses
surge muitas vezes com demora em relação aos reptos lançados nos diversos
instrumentos internacionais.
(…)
A
inclusão, de forma explícita, do direto à alimentação na Constituição da
República Portuguesa constituirá um relevante avanço para a exigibilidade deste
direito fundamental, incumbindo o Estado de promover as políticas públicas
necessárias à sua efetivação.
(…)
Urge
garantir e salvaguardar os cidadãos, passando naturalmente pelos direitos
fundamentais de cada ser humano, entre os quais a alimentação, que deve ser
adequada (…) e, claro, acessível a todos, para
evitarmos situações de insegurança alimentar.
(…)
Dados
de 2021 revelam-nos que, em Portugal, 22,4% da população se encontrava em risco de pobreza, uma subida de 2,4 p.p. face
a 2020, o que permite intuir a dificuldade de acesso a uma alimentação.
(…)
Torna-se imprescindível a edificação de um direito que
promova a equidade no acesso aos alimentos.
(…)
O
Estado tem o dever de assumir plenamente as suas responsabilidades quando se
trata de alimentação para mais e melhor saúde.
(…)
Aproveitemos
o Dia Internacional dos Direitos Humanos, quando se avizinha uma nova revisão
constitucional, para mais uma mobilização a favor da inclusão do direito à
alimentação na lei fundamental.
(…)
A
alimentação adequada é um direito humano. De todos os seres humanos. A sua
consagração explícita na Constituição da República Portuguesa é necessária,
porque reforça o dever de o Estado garantir este direito.
Alexandra Bento, “Público” (sem link)
Não tenho nenhuma particular nostalgia pelos media mortos, pelas tecnologias analógicas ultrapassadas pelo
digital.
(…)
O
problema é que o deslumbramento tecnológico dos nossos dias faz verdadeira
aquela expressão sobre deitar fora o menino juntamente com a água do banho.
(…)
Como
se passa com muitas coisas, as modas e, acima de tudo, o que tenho chamado “o
deslumbramento pelas novidades tecnológicas” (…) têm efeitos perversos em áreas
como a educação e o ensino, a sociabilidade, o saber, a política democrática e,
essencialmente, na nossa liberdade.
(…)
Nunca nenhuma tecnologia mudou o mundo per se.
(…)
A
chave é o seu uso social, através do modo como a sociedade as usa, e isso
depende de movimentos sociais, económicos e políticos profundos.
(…)
O
deslumbramento tecnológico impede-nos de ver os monstros que já estão aí, como
seja o uso dos telemóveis e as redes sociais como instrumentos de controlo
pessoal.
(…)
Do
mesmo modo, a chamada “big data”,
cuja recolha crescente traduz a digitalização de muitos actos quotidianos, de
levantar dinheiro a passar por uma portagem, deu aos governos um poder incontrolado
enorme, que se acentua, ao mesmo tempo como sinal de caminho para uma
autocracia.
(…)
O que
torna estas tecnologias perigosas numa democracia (…) é a combinação entre a
preguiça, o facilitismo, o desprezo pela privacidade como valor, (…), a
arrogância da ignorância, e a indiferença pelo valor da liberdade e da
individualidade.
(…)
Desde
a escola ao debate público não se aceite que pseudo-argumentos de segurança e
eficácia permitam ao Estado ter poderes que não deve ter numa sociedade
democrática.
Pacheco Pereira, “Público” (sem link)
Sem comentários:
Enviar um comentário