sábado, 10 de dezembro de 2022

MAIS CITAÇÕES (210)

 
Mesmo os que acham que o poder precisa de mistério percebem que os tempos mudaram. 

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As redes sociais, o contacto não mediado entre o político e o cidadão, a ilusão de proximidade, são tudo instrumentos usados pelos inimigos da democracia, que não podem ficar lá sozinhos.

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Reconheço a Marcelo a defesa de princípios que eram partilhados por todos os partidos com representação parlamentar até o Chega entrar na Assembleia da República. 

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Enquanto a direita democrática vai cedendo à extrema-direita, temendo que lhe leve os votos, um Presidente conservador mantém-se alinhado com princípios que tínhamos como património democrático.

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[André Ventura] sabe que ali está uma direita que, longe de ser centrista, nunca deixará de combater o que ele representa.

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É certo que nunca o vimos ao lado de trabalhadores em luta e nunca deixámos de o ver ao lado de quem tem poder económico. 

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Marcelo tinha poder quando tutelava uma maioria atípica de esquerda, perdeu-o com a maioria absoluta. 

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[Marcelo sabe que] metade da direita não lhe perdoa o excesso de cumplicidade com o primeiro-ministro e a intransigência na defesa de alguns princípios civilizacionais.

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[Os jornalistas] também puxam um primeiro-ministro a quem interessam todas as distrações do mau momento que o país atravessa.

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Os tempos estão perigosos, a deceção com este Governo será grande e a direita está num plano inclinado que a faz descambar para as suas margens políticas.

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Precisamos do Presidente que, não sendo uma inspiração, tem sido porto seguro para alguns valores.

Daniel Oliveira, “Expresso” (sem link)

 

As tecnologias digitais dão-nos acesso a cada vez mais dados e informação.

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Grande parte desses dados somos nós que os fornecemos. O uso que deles se faz merece mais atenção do que lhe damos.

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Toda esta informação é recolhida, comprada e vendida por empresas especializadas, e cruzada com outras fontes de informação sobre nós.

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O objetivo, quase sempre, é antecipar os nossos comportamentos e influenciar as nossas decisões.

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A maioria das pessoas não parece muito preocupada com a perda de privacidade.

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Valorizamos os serviços a que acedemos, muitas vezes de forma gratuita, em troca de informações sobre nós próprios.

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Só percebemos o valor da privacidade quando a falta dela é usada contra nós. 

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Uma face visível da transformação em curso é a relação de dependência que estabelecemos com as tecnologias digitais.

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[As plataformas] usam tudo o que sabem sobre nós para nos levar a prolongar esse tempo.

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Não são só aqueles que vivem da publicidade que nos manipulam ou podem manipular.

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A vida pós-privacidade se estende a esferas cada vez menos inócuas das nossas sociedades.

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As vantagens potenciais das tecnologias digitais são múltiplas, sem dúvida. Os seus riscos também.

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[Perder a privacidade] é transformar o nosso modo de vida para lá do que imaginamos.

Ricardo Paes Mamede, “Expresso” (sem link)

 

Novembro fica marcado pelo anúncio de uma revisão constitucional. Está aberto o caminho para que possamos consolidar direitos fundamentais, dentre os quais o Direito Humano à Alimentação Adequada.

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Pode parecer que se trata de algo elementar, mas o que é certo é que não está autonomizado na Constituição Portuguesa.

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[Estranha-se que] nas sete revisões constitucionais, não tenha existido no domínio do direito à alimentação qualquer atualização.

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Hoje, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, é momento de relembrar que a Assembleia Geral das Nações Unidas, no já longínquo ano de 1948, consagrou a alimentação como um direito.

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A concretização do direito a uma alimentação adequada para todos os portugueses surge muitas vezes com demora em relação aos reptos lançados nos diversos instrumentos internacionais.

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A inclusão, de forma explícita, do direto à alimentação na Constituição da República Portuguesa constituirá um relevante avanço para a exigibilidade deste direito fundamental, incumbindo o Estado de promover as políticas públicas necessárias à sua efetivação.

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Urge garantir e salvaguardar os cidadãos, passando naturalmente pelos direitos fundamentais de cada ser humano, entre os quais a alimentação, que deve ser adequada (…) e, claro, acessível a todos, para evitarmos situações de insegurança alimentar.

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Dados de 2021 revelam-nos que, em Portugal, 22,4% da população se encontrava em risco de pobreza, uma subida de 2,4 p.p. face a 2020, o que permite intuir a dificuldade de acesso a uma alimentação.

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Torna-se imprescindível a edificação de um direito que promova a equidade no acesso aos alimentos.

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O Estado tem o dever de assumir plenamente as suas responsabilidades quando se trata de alimentação para mais e melhor saúde.

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Aproveitemos o Dia Internacional dos Direitos Humanos, quando se avizinha uma nova revisão constitucional, para mais uma mobilização a favor da inclusão do direito à alimentação na lei fundamental.

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A alimentação adequada é um direito humano. De todos os seres humanos. A sua consagração explícita na Constituição da República Portuguesa é necessária, porque reforça o dever de o Estado garantir este direito.

Alexandra Bento, “Público” (sem link)

 

Não tenho nenhuma particular nostalgia pelos media mortos, pelas tecnologias analógicas ultrapassadas pelo digital.

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O problema é que o deslumbramento tecnológico dos nossos dias faz verdadeira aquela expressão sobre deitar fora o menino juntamente com a água do banho.

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Como se passa com muitas coisas, as modas e, acima de tudo, o que tenho chamado “o deslumbramento pelas novidades tecnológicas” (…) têm efeitos perversos em áreas como a educação e o ensino, a sociabilidade, o saber, a política democrática e, essencialmente, na nossa liberdade.

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Nunca nenhuma tecnologia mudou o mundo per se.

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A chave é o seu uso social, através do modo como a sociedade as usa, e isso depende de movimentos sociais, económicos e políticos profundos.

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O deslumbramento tecnológico impede-nos de ver os monstros que já estão aí, como seja o uso dos telemóveis e as redes sociais como instrumentos de controlo pessoal.

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Do mesmo modo, a chamada “big data”, cuja recolha crescente traduz a digitalização de muitos actos quotidianos, de levantar dinheiro a passar por uma portagem, deu aos governos um poder incontrolado enorme, que se acentua, ao mesmo tempo como sinal de caminho para uma autocracia.

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O que torna estas tecnologias perigosas numa democracia (…) é a combinação entre a preguiça, o facilitismo, o desprezo pela privacidade como valor, (…), a arrogância da ignorância, e a indiferença pelo valor da liberdade e da individualidade.

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Desde a escola ao debate público não se aceite que pseudo-argumentos de segurança e eficácia permitam ao Estado ter poderes que não deve ter numa sociedade democrática.

Pacheco Pereira, “Público” (sem link)


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