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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Louçã: novos deputados do BE serão tirado ao CDS

No último dia de campanha, Louçã fez uma arruada pela Rua de Santa Catarina, no Porto, onde apelou sobretudo ao voto dos jovens e dos que nunca votaram.

“Se o Bloco de Esquerda eleger mais um deputado nos distritos de Porto, Braga e Aveiro, é o CDS que perde e a direita populista que fica para trás”, afirmou o coordenador do BE, no final de uma arruada pela Rua de Santa Catarina, no Porto.

A poucas horas do fim da campanha, que encerrará com um comício no Coliseu do Porto, Francisco Louçã fez um apelo ao voto, sobretudo de jovens e dos “nunca votaram”.

Dirigindo-se aos indecisos, o coordenador do BE afirmou: “Na próxima segunda-feira não querem ouvir cantar de galo aqueles que querem mais desemprego e mais precariedade”.

“Se os jovens tiverem trabalho, os mais velhos terão respeito”, disse Francisco Louçã.

Durante a descida da principal rua comercial do Porto, Louçã autografou um álbum em que é uma das personalidades destacadas e comprou um CD com músicas dos alunos da tuna da Faculdade de Medicina, que tocavam no local.

Já após as declarações aos jornalistas, quando se encontrava na via, Louçã foi abordado por alguns populares, sobretudo idosos, que o foram cumprimentar.

O último dia de campanha do líder bloquista começou com uma viagem de metro. Louçã viajou entre a Casa da Música e Matosinhos, onde participou (na junta de freguesia da Senhora da Hora) num debate com trabalhadores de empresas de transportes.

Durante a visita, Louçã comentou, de modo crítico, a presença de Belmiro de Azevedo numa acção do PSD, na quinta-feira. “Registei que houve uma intervenção direta de um dos homens mais poderosos da economia portuguesa junto de Pedro Passos Coelho: Belmiro de Azevedo que o foi apoiar. Talvez seja um sinal de como o interesse económico e a ideia de um Estado a favorecer os contratos e as facilidades para os grupos que têm dirigido o país, como é que esse interesse se conjuga neste último dia de campanha”.

Se Louçã criticou o 2º homem mais rico do país, na véspera fora a vez da candidata do Bloco em Aveiro Ana Pereira se ter referido ao mais rico de todos. Sem mencionar o nome de Américo Amorim, a candidata mencionou o facto de viver no concelho de Santa Maria da Feira, onde o BE fez um comício, “o homem mais rico de Portugal”.

De seguida, elencou muitas das disparidades existentes no distrito.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quem ganha com a abstenção


Queda do PS deixa PSD isolado nas intenções de voto



O PCP/PEV (a margem de erro é de 1,6%), que cai de 9% para 8% (14 a 16 deputados) e vê aproximar-se o BE, que sobe de 6% para 7% (10 a 14 deputados).

Sondagem para a RTP

por RTP - 01 junho '11



publicado 20:09 01 junho '11
Queda do PS deixa PSD isolado nas intenções de voto
Esta estimativa foi obtida através do cálculo da percentagem de intenções diretas de voto em relação ao total de votos válidos RTP

O PSD lidera nas intenções de voto, mantendo os 36 por cento registados na semana passada, enquanto o PS caiu para 31 por cento, apurou a sondagem da Universidade Católica para a RTP e Antena 1. A quatro dias das eleições legislativas, a percentagem dos indecisos caiu para menos de metade. Pedro Passos Coelho consegue distanciar-se do principal adversário, José Sócrates, que perde terreno na luta pelos votos.

Se as eleições para o novo Governo fosse hoje, o PSD manteria os 36 por cento, enquanto o PS baixaria cinco ponto, para 31 por cento, apurou o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias.

O CDS-PP consolida o terceiro lugar, com a subida de um ponto para 11 por cento, e distancia-se da CDU, que baixou para 8 por cento. O Bloco de Esquerda continua no quinto lugar, apesar de subir para 7 por cento, aproximando-se da CDU.

Esta estimativa foi obtida através do cálculo da percentagem de intenções diretas de voto em relação ao total de votos válidos. Foram apenas considerados os inquiridos que disseram que vão votar, excluindo-se não respostas, indecisos e abstenção.

A sondagem, a primeira através de boletim depositado em urna, foi realizada entre os dias 28 e 29 de Junho de 2011. Foram realizados 3963 inquéritos válidos a recenseados, residentes em Portugal continental. A margem de erro é de 1,6 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.

Desce o número de indecisos
Na intenção direta de votos, o PSD lidera com 27 por cento, enquanto no último barómetro arrecadava 17 por cento e o PS segue com 23 por cento, em vez dos 17 por cento registados em Maio. O CDS sobe para 8 por cento, enquanto na última sondagem tinha 5 por cento de intenção direta de votos; a CDU regista 6 por cento, subindo um ponto e o Bloco de Esquerda cresce 3 por cento, para cinco por cento.



A percentagem de indecisos caiu para menos de metade no espaço de uma semana, mas ainda assim 12 por cento dos inquiridos continua a dizer que não sabe em quem vai votar no próximo domingo. A alteração de método, pela primeira vez em urna, e a aproximação da data do escrutínio podem ter contribuído para a diminuição do número de indecisos.

Dois por cento dos inquiridos não responderam e nove por cento afirmaram que não vão votar. Os votos em branco e nulo representam quatro por cento nesta sondagem.

A sondagem não consegue prever um valor de abstenção, embora 69 por cento dos 3963 inquiridos digam que vão votar “de certeza”.

A composição parlamentar irá alterar-se se se comprovar este resultado nas eleições do próximo domingo.



Perfil dos inquiridos

As mulheres estão mais indecisas neste inquérito, tanto no que respeita à decisão de ir votar (10 por cento) como sobre em quem votar (18 por cento).

O PSD é o partido preferido em todos os escalões etários, com exceção do grupo entre os 55 e os 64 anos. Este grupo etário prefere o PS.

Uma análise ao perfil dos 3963 inquiridos revela que a intenção de votar é mais forte entre as pessoas com maior grau de escolaridade. O PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda ganham apoio entre os que têm mais escolaridade. Por outro lado, o PS e a CDU têm mais apoiantes entre as pessoas com menor grau de escolaridade, o que condiciona as estimativas dos resultados eleitorais.

O Centro de Sondagens da Universidade Católica adverte que “uma maior participação de pessoas com menos instrução poderá levar a uma subida do PS”.

Ficha técnica
Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias entre os dias 28 e 29 de Junho de 2011.

O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente cinquenta freguesias do país, tendo em conta a distribuição dos eleitores por distritos.

A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 1999, 2002, 2005 e 2009 nesse conjunto de freguesias, ponderado o peso eleitoral dos seus distritos de pertença, estivessem a menos de 1 por cento dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia.

Foram obtidos 3963 inquéritos válidos, sendo que 57 por cento dos inquiridos eram do sexo feminino, 32 por cento da região Norte, 17 por cento do Centro, 39 por cento de Lisboa e Vale do Tejo, 7 por cento do Alentejo e 5 por cento do Algarve.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residentes no Continente por sexo e escalões etários, na base dos dados do INE, e por distrito na base dos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 67,3 por cento. Esta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações: inquéritos realizados; inquéritos incompletos; não contactos (casos em que é confirmada a existência de um inquirido elegível mas com o qual não foi possível realizar a entrevista); e recusas.

A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 3963 inquiridos é de 1,6 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Contrapartidas militares Inquérito do BE travado, CDS avança com proposta de ... inquérito

Por Susete Francisco A proposta do BE para a criação de uma

PS e PSD mostraram-se hoje contrários ao agendamento do debate e votação de uma comissão de inquérito às contrapartidas militares, proposta pelo Bloco de Esquerda. Os dois partidos argumentaram que é preciso esperar pelas audições sobre este assunto, que estão a decorrer na comissão de Defesa. Mas a questão ficou apenas adiada: nos próximos dias. O CDS vai também propor a criação de um inquérito parlamentar, abrangendo todos os contratos de financiamento e contrapartidas militares realizados nos últimos 12 anos.

Uma iniciativa em «defesa do prestígio e da operacionalidade das Forças Armadas», afirmou o centrista Nuno Magalhães, no final da conferência de líderes, adiantando que a proposta do CDS quer abarcar as decisões de todos os governos, desde 1998 a 2010.

Também o PSD não fecha a porta a uma decisão idêntica, mas só depois de conhecidos os resultados das audições na comissão de Defesa. «No final verificaremos se existem factos novos que nos permitam avançar para a comissão de inquérito», sustentou o deputado social-democrata, considerando que é de uma «total hipocrisia política» querer avançar já com essa decisão. O assunto fica assim adiado para a próxima conferência de líderes.

Pelo BE, José Manuel Pureza, líder parlamentar do partido, afirmou que esta decisão do «Bloco Central», de se opor ao agendamento imediato de um inquérito, deixa o País «pendente de um esclarecimento que é absolutamente urgente».

"Há uma divisória no país de fragilização e ataque às políticas públicas” (*)



RETIRADO DE (*) ESQUERDA.NET:

No final das jornadas autárquicas do Bloco em Lisboa, Francisco Louçã apelou à revolta contra o PEC e ao plano de privatizações previsto para os vários serviços públicos.

Durante dois dias, os autarcas eleitos pelo Bloco de Esquerda, de todo o país, debateram as prioridades das políticas locais, os seus modelos de organização e suas lutas essenciais. Da regionalização, à defesa da água pública, passando pela intervenção cultural e social, muitas foram as propostas apresentadas e as linhas de intervenção lançadas.

Alberto Matos, da Comissão Autárquica Nacional, salientou a importância de evidenciar a matriz ideológica das iniciativas do Bloco, na defesa dos serviços públicos, na promoção de políticas de combate aos efeitos da crise e do desemprego, no desenvolvimento de projectos participativos. “Marcar a diferença também no poder local” foi o mote lançado.

Francisco Louçã encerrou os trabalhos do fórum que reuniu pela primeira vez os representantes locais do Bloco eleitos em Outubro de 2009, apelando à revolta contra o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) e ao plano de privatizações previsto para os vários serviços públicos. "Porque hoje somos chamados a defender os Correios e a lutar contra o desemprego, amanha será a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde", declarou.

O Coordenador da Comissão Política do Bloco afirmou que os autarcas bloquistas devem ser os primeiros a lançar os processos de luta nos “locais onde o lucro fala mais do que o interesse das pessoas”. Da manutenção pública dos ramais da ferrovia à conservação dos postos dos CTT nas localidades, “este PEC pode ser vencido”, frisou Louçã.

Além disso, referindo-se ao trabalho autárquico levado acabo pelos eleitos bloquistas, Francisco Louçã realçou que o Bloco quer afirmar-se como uma força próxima das pessoas e daqueles que estão "excluídos dos grandes níveis de decisão" ao nível das autarquias. "Há hoje uma divisória no país de fragilização e ataque às políticas públicas. É esta divisória que faz o centro da intervenção do Bloco de Esquerda", afirmou.

Na sua intervenção Louçã criticou ainda o PEC "especialmente no que respeita ao congelamento dos salários", no "ataque às políticas sociais" e em relação às privatizações.

Louça criticou ainda o PSD porque "segue a mesma estratégia de bloco central do PS" e explicou: "Como é que disputa o PSD ao PS um lugar político? Adoptando ele próprio uma estratégia de bloco central. Todas as ideias más do PS na governação, o PSD repete como ideias péssimas", disse.

Assim, referindo-se a algumas das medidas avançadas pelo novo líder social democrata, Pedro Passos Coelho, Louçã deixou o comentário: "Quero ver se ele vai repetir a ideia de deixar entrar um funcionário por cada cinco que saem da função pública ou a privatização da Caixa Geral de Depósitos", acrescentando que "entre Passos Coelho e José Sócrates a diferença já não está em nenhuma política".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A intervenção divina


Fernando Sobral
fsobral@negocios.pt

pintura orçamento

Quando os grandes dramaturgos da Grécia clássica não conseguiam resolver uma tragédia, recorriam à intervenção divina. Um deus qualquer vinha resolver o problema. A classe política portuguesa também recorre ciclicamente à intervenção divina para resolver os problemas que não consegue ultrapassar. No caso, os deuses não se chamam Zeus ou Dionísio mas sim FMI ou agências de “rating”. Como outrora se chamavam Barings ou Rothschild. O OE está entregue às mãos divinas através dos seus mensageiros: os líderes do PS, PSD e PP. Não é um drama clássico: é quanto muito uma comédia do Parque Mayer. Mas também não há Plano B: ou se coloca a despesa pública na ordem ou, em vez de irmos visitar a Grécia clássica, somos transportados para a moderna Atenas. O problema é que desde há muito, em momentos difíceis como este, os líderes estão menos incomodados com a recuperação económica e mais preocupados com os votos. O País precisa desesperadamente de um período de bom e honesto governo. Mas é isso que tem sido sonegado aos portugueses. As complicadas negociações sobre o OE, que terminará com um acordo entre o PS e o PSD e o álibi do PSD, cumprem apenas o destino. Tapa-se o buraco com cola instantânea e atira-se o problema maior para o futuro. Mas cumpre-se o destino: o FMI pediu e o País, de cócoras, cumpriu. No fundo a questão do OE é a outra face da moeda das escutas que foram parar ao Youtube: as reformas apressadas da Justiça serviram para que a sociedade procurasse libertar–se das erupções internas por outros meios. O resultado (e os que virão a seguir) estão à vista.


J.N.