quinta-feira, 7 de julho de 2022

PE APROVOU RESOLUÇÃO A APELAR AO FIM DO IMPASSE RELATIVO A UMA TAXA MÍNIMA DE IRC SOBRE MULTINACIONAIS

 

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma resolução a apelar ao fim do impasse relativo a uma taxa mínima de IRC sobre multinacionais. Para além de repudiar os vetos da Polónia e da Hungria no Conselho, utilizados para negociar outros processos legislativos, destaca pontos importantes.

Sinaliza como o avanço pela UE pode ser decisivo para a implementação noutros países, com especial destaque para os EUA, onde o lóbi e os republicanos se estão a opor ferozmente. Sublinha como opção ativar o mecanismo de cooperação reforçada, o que permite libertar da necessidade de unanimidade se pelo menos 9 países quiserem avança. Refere, ainda que numa versão mais mitigada do que defendo, a possibilidade de implementação unilateral dos Estados-membros. Espanha deu-nos há uns meses um bom exemplo de ambição. Aplica 15% a grupos com volumes de negócios para 20 M€, enquanto a diretiva europeia prevê 450 M€. Discute a alteração da votação de certas matérias fiscais de unanimidade para maioria qualificada e ainda nomeia outras diretivas importantes que ficaram bloqueadas ao longo dos anos.

Propus 3 alterações principais ao texto que acabaram chumbadas. 1) Fortalecer a referência às medidas unilaterais, 2) salientar a legitimidade da defesa da base tributária de cada país, por exemplo através de impostos de retenção, e 3) referir que a implementação do pilar 1 pode ter o mesmo desfecho e/ou não ser implementado pelos EUA. Neste cenário o acordo de retirada de impostos nacionais digitais deixa de fazer sentido. (José Gusmão)


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