segunda-feira, 15 de junho de 2015

DECLARAÇÕES DE VOTO DO VEREADOR DO BE NAS SESSÕES DE CÂMARA DE 7, 17 E 21 DE ABRIL, RESPECTIVAMENTE



Câmara Municipal de Portimão – reunião de 7 de abril de 2015
Proposta de Deliberação nº 214/15
Assunto: Pedido de cedência de terreno para campo de minigolfe, em Alvor
Pretende o requerente a cedência de um terreno para a instalação de um campo de minigolfe, em Alvor. O terreno pertence ao domínio público municipal, destinado a equipamentos e que foi cedido ao Município no âmbito do alvará de loteamento nº 2/2009.  A proposta constará do arrendamento por 15 anos, renovável sucessivamente por períodos de 2 anos, pagamento de uma renda mensal de 1.000 € no primeiro ano e 1.500 € no segundo ano, atualizável no terceiro ano e seguintes de acordo com a inflação, obrigando-se ainda o requerente à manutenção da rotunda, bem como dos espaços verdes adjacentes.
De acordo com a informação camarária datada de 02/02/2015, o uso proposto para o terreno é compatível com o uso previsto. A Junta de Freguesia de Alvor também concorda com o projeto e aconselha a sua implementação, referindo que ocupará cerca de 10 a 15 postos de trabalho e que o espaço será embelezado, propondo a construção de instalações sanitárias no local.
Como se sabe, o Município de Portimão, devido à sua grave situação financeira não terá capacidade de, nos próximos anos, promover a construção de quaisquer equipamentos públicos no local. Os próprios alunos e outras pessoas da localidade também poderão usufruir do campo de minigolfe.
Assim, tendo em conta as indicações das diversas entidades municipais, incluindo o parecer da Divisão de Assuntos Jurídicos e Administrativos da CMP, datado de 12/03/2015 e, considernado, que será firmado um protocolo entre o Município e o requerente a determinar que as instalações reverterão para a Câmara Municipal ao fim de 15 anos, o Bloco de Esquerda vota a favor desta proposta de deliberação.

Proposta de Deliberação nº 222/15
Assunto: Proposta de alteração ao Plano de Pormenor do Escampadinho, sito na Mexilhoeira Grande
Trata-se de uma situação recorrente e que já veio às reuniões de Câmara ainda não há muito tempo (construção de uma central fotovoltaica no Autódromo). De acordo com os pareceres da CCDR/Algarve, datados de 29/08/14 e de 28/01/15, “a instalação de uma central fotovoltaica no lote Veq4, não parece compatível com o regime de uso, ocupação e transformação do solo definido no Regulamento do PPE...”. Ainda constante neste último parecer, é referido no ponto 2.2. (sobre Servidões Administativas e Restrições de Utilidade Pública): “A manter-se a incidência, ainda que pontual, do projeto em área de REN, será necessário considerar que, conforme estabelecido na alínea f) do ponto II, do Anexo I da Portaria nº 419/2012, de 20 de dezembro, a implantação dos painéis fotovoltaicos em áreas afetas à REN, terá de observar, cumulativamente, o regime jurídico atinente à produção de eletricidade a partir de fontes de energias renováveis”. E mais à frente: “Neste contexto, de acordo com o estabelecido na secção IV do Decreto – Lei nº 215 – B/2012, de 8 de outubro, a central fotovoltaica pretendida estará obrigatoriamente sujeita a procedimento de Avaliação de Incidências Ambientais, independentemente da potência produzida”.
É convicção do Bloco de Esquerda que o projeto em causa contraria a Resolução do Conselho de Ministros nº 152/2007, de 2 de outubro, assim como disposições do PROTAL. Assim sendo, tendo em conta os pareceres supra e o facto do projeto não ser sujeito à avaliação de incidência ambiental e, por uma questão de coerência, o Bloco de Esquerda vota contra esta proposta de deliberação.

Câmara Municipal de Portimão – reunião de 17 de abril de 2015
Proposta de Deliberação nº 228/15
Assunto: Proposta de aprovação das Contas Consolidadas do Grupo Municipal referente ao ano de 2013
Relativamente a esta proposta de deliberação, os aspetos negativos abundam, vislumbrando-se muito poucos pontos positivos. Assim, há que considerar o seguinte, o que na prática significa a condenação da gestão socialista à frente dos destinos do Município de Portimão, particularmente o último Executivo: o passivo registou em 2013 um aumento total de 4,7 milhões de euros; fraca execução orçamental; os resultados financeiros negativos tiveram um aumento de 12,7% (mais 1 milhão de euros); os resultados extraordinários negativos tiveram um aumento de 126,9% (7,6 milhões de euros negativos); o serviço da dívida teve uma despesa total de 43,6 milhões (9,6% da despesa total); as dívidas de curto prazo atingiram o valor de 148, 265 milhões; a EMARP teve de transferir para o Município a quantia de 1,5 milhões; a Portimão Urbis encerrou o exercício de 2013 com um resultado negativo de 3,848 milhões e os resultados operacionais negativos situaram-se nos 836 mil euros; quanto aos resultados extraordinários consolidados verificou-se uma degradação de 4,5 milhões face a 2012; por sua vez o endividamento total atingiu a “módica” quantia de 158,6 milhões de euros no final de 2013, uma verdadeira catástrofe financeira para o Município, embora tenha havido alguma recuperação face a 2012.
Como se veio a comprovar e conforme o Bloco de Esquerda vinha alertando, a empresa municipal Portimão Urbis contribuíu, em grande parte, para a situação de desaire financeiro em que se encontra a Câmara Municipal na atualidade. Foram muitos os milhões transferidos todos os anos por parte da Câmara e os resultados estão à vista de todos, culminando com a dissolução dessa empresa municipal e conduzindo aos processos de internalização e de externalização. Verificou-se, sem dúvida, um despesismo descontrolado e uma política de gestão ruinosa, cujo expoente máximo se terá situado nos abusos dos ajustes diretos e na famigerada “Cidade do Cinema”, cujas consequências ainda faltam apurar. Enquanto isto, as famílias, as empresas, os munícipes, foram e continam a ser os mais sacrificados devido a políticas erradas e de má gestão praticadas pelo Partido Socialista no concelho de Portimão.
Pelo acima exposto, o Bloco de Esquerda vota contra esta proposta de deliberação.

Proposta de Deliberação nº 229/15
Assunto: Proposta de aprovação dos documentos de Prestação de Contas relativos ao exercício económico de 2014
No que concerne à prestação de contas 2014, há a considerar questões positivas e aspetos negativos. Sobre os pontos negativos, destacam-se os seguinte: verificou-se uma baixa execução orçamental – apenas 13,7% nas GOP’s; fraca execução das receitas, com um desvio de menos 75%, fraca execução das despesas totais em 27,2% e baixa execução da receita total em 25%; ao longo de 2014 foram feitas 19 modificações orçamentais da despesa e das GOP’s; num período de continuação de grave crise para os munícipes e pequenas empresas, o IMI registou um aumento de 2,5 milhões de euros (mais 12%), o que não deixou de ser bom para a Câmara (mas agravou as dificuldades dos munícipes); aumento da cobrança da derrama (total de 612 mil euros) e imposição da Taxa Municipal de Proteção Civil (no total cerca de 800 mil euros); apesar da continuação da crise severa, verificou-se uma quebra brutal das transferências para as famílias, passando de 644 mil euros em 2013 para 352 mil em 2014, quando o orçamentado tinha sido 742 mil euros; as tranferências correntes para as instituições sem fins lucrativos também baixaram consideravelmente, de 3,1 milhões para apenas 793 mil euros; excesso de endividamento líquido municipal em 95,6 milhões e uma dívida total de 152,2 milhões (dívidas a terceiros de curto, médio e longo prazo); continuação da transferência de milhões para a Portimão Urbis;  e prazo médio de pagamentos situado em 4.628 dias!
Todavia, conforme se disse, também há a registar vários pontos positivos no exercício de 2014, sendo de realçar: redução dos compromissos assumidos e não pagos em 10,4 milhões de euros; pagamentos de 14,1 milhões de euros de dívida acumulada dos anos anteriores; redução das dívidas de curto, médio e longo prazo em 5,8 milhões de euros; execução das receitas correntes em quase 100% do orçamentado (99,4%); os pagamentos cresceram em 2014 cerca de 1,3 milhões (mais 2,8%); a dívida (empréstimos) diminuiu 3,154 milhões de euros; iniciou-se o processo de dissolução da Portimão Urbis, com as consequentes operações de internalização e externalização dos serviços e trabalhadores.
Nesta conformidade e pelo acima exposto, o Bloco de Esquerda abstém-se nesta proposta de deliberação.

Câmara Municipal de Portimão – reunião de 21 de abril de 2015
Proposta de Deliberação nº 250/15
Assunto: Constituição de processo de despesa para celebrar Contratos Emprego – Inserção – limpeza no Aeródromo Municipal de Portimão
Os Contratos de Emprego e Inserção criados pelo governo Sócrates em 2009 e aplicados em força pelo atual governo PSD/CDS, não passam de manobras governamentais para tentar diminuir o desemprego de forma artificial – mais de 100 mil a nível nacional - e utilizar os trabalhadores praticamente  como mão-de-obra escrava e sem quaisquer direitos laborais. Além destes trabalhadores ocuparem necessidades de emprego permanentes, vão os mesmos para a rua percorrido um ano e auferem ao fim de um mês de trabalho uma miséria de 83,84€ mais o subsídio de refeição de 4,27€, para além do subsídio de desemprego (mas o subsídio é um direito e descontaram para usufruir do mesmo).
A Câmara Municipal deverá ser mais cuidadosa e não abusar deste tipo de contratações, procurando outras soluções mais dignas para quem trabalha. Por outro lado, sabemos que devido às restrições financeiras que a Câmara atravessa e às imposições do governo quanto aos contratos CEI e à Lei dos Compromissos, procura esta recorrer a esses contratos para impedir que determinados serviços encerrem, ou funcionem deficientemente por falta de pessoal adequado.
Neste sentido, o Bloco de Esquerda abstém-se nesta proposta de deliberação.
O Vereador do Bloco de Esquerda
João Vasconcelos

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