(…)
[O direito de voto aos 16 anos] serve para que a opinião de
alguém de 16 anos valha exatamente o mesmo que a de Santos Silva, no que à
escolha do poder político eleito diz respeito.
(…)
Se aos 16 anos podemos trabalhar e pagar impostos, se podemos
ser responsabilizados criminalmente e mobilizados em caso de guerra, por que
não havemos de ter a correspondente voz e o poder real do voto.
(…)
As crianças e os jovens não são apenas o futuro. São o
presente e já têm afirmado a sua condição de cidadãos.
(…)
Eles sim, desafiaram o paternalismo larvar.
(…)
Ainda bem que perturbam e acossam o cinismo da realpolitik e do conformismo produtivista, que
interrompem o regular funcionamento da ordem das coisas.
(…)
[O direito ao voto é] um possível instrumento dos jovens para
condicionarem e para transformarem essa política que existe.
(…)
Os jovens devem ter poder de decidir sobre como se organiza a
sua vida e as instituições em que participam.
(…)
Devem ter capacidade de fazer valer as suas
reivindicações.
(…)
A questão do voto aos 16 não seria sequer uma inovação
nacional.
(…)
Em Portugal, o voto aos 16 já teve adeptos em quase todos os
partidos.
(…)
A ideia de que uma pessoa de 16 anos deve ser tratada como
cidadã pelo fisco, pelo patrão e pelas forças armadas, mas que não o seja aos
olhos da democracia é, essa sim, de um insuportável paternalismo.
José Soeiro, “Expresso” online
Como se provou nestes dias, é um risco para a democracia
entregar a um milionário [Elon Musk] o controlo sobre uma empresa
dominante num segmento de redes sociais.
(…)
Que o homem [Trump] pareça alucinado, isso não é novidade.
(…)
Que ache que um golpe de mágica pode passar por cima da
certificação das eleições por todos os estados (…) já é revelador de uma
forma de ver o poder.
(…)
[Tal espalhafate] é uma revelação tanto da degradação
vertiginosa do espaço político dominado por esta nova direita, como do que o
seu poder pode vir a arrastar.
(…)
Se lhe dissessem na semana passada que, logo depois de lançar
a sua campanha presidencial, Trump exigiria o fim da Constituição do seu país
(…) diria que se tratava de uma anedota.
(…)
Não é uma anedota, é a vontade de quem já foi presidente dos
EUA e quer voltar a sê-lo.
Francisco Louçã, “Expresso” online
A degradação do sistema de ensino começou com
Maria de Lurdes Rodrigues, a 12 de Março de 2005, e tem vindo num contínuo de
responsabilidade partilhada, ao qual, com arredondamentos de pequena monta, 13
anos cabem ao PS e quatro ao PSD.
(…)
[O
discurso do passado dia 29 do ME foi] de
recuo em termos de propostas e calculista no que toca à manipulação e à
adulteração do que tinha dito antes, para desmobilizar e confundir os mais
indignados.
(…)
Cotejando
as duas intervenções, parece-me cristalina a conclusão: foi o ministro da
Educação que, no momento dois, disse que o ministro da Educação tinha mentido
no momento um.
(…)
Vivemos
num país onde as condições de trabalho dos professores têm vindo a ser gradual
e crescentemente espezinhadas desde 2005, sem indignação suficiente e eficaz
dos próprios, nem expectável sobressalto dos demais cidadãos.
(…)
São em
minha opinião colaboracionistas com o poder todas as lógicas que isolem ou
abafem os que queiram sair dos conhecidos rituais dos sindicatos do sistema.
(…)
No
fim, o ministério ganha e os sindicatos também: o primeiro por ter pregado mais
um prego no caixão; os segundos por terem “evitado o pior”. Só os professores
perdem.
(…)
Em vez de promover avanços, os sindicatos do sistema
contentam-se com atrasar os retrocessos.
(…)
João Costa tem nesta doce oposição sindical um instrumento
importante para disfarçar a mediocridade da sua acção.
(…)
Numa
luta de professores por melhores condições de trabalho e melhor escola pública,
só há um lugar aceitável, se não quisermos ser grãos para moinho: ao lado
deles!
Santana Castilho, “Público” (sem link)
Ainda
que com intensidade variável, dependente de contextos políticos e sociais, esta
onda de urgência [na ação climática]
chegou já a todos os cantos do Mundo.
(…)
Mesmo
que todos os países respeitem os compromissos até agora assumidos para reduzir
as emissões de gases causadores das alterações climáticas, a redução global
será claramente insuficiente para evitar que seja ultrapassado o limiar de
aquecimento a partir do qual as suas consequências serão muito agravadas.
(…)
Perante
estes avisos, e a grande preocupação da Sociedade, seria legítimo esperar que
na COP27 fossem tomadas decisões importantes no sentido de reduzir
substancialmente as emissões de gases com efeito de estufa, mas tal
não aconteceu.
(…)
O
único resultado importante desta cimeira foi a criação de um fundo para a
compensação de danos e perdas
resultantes das alterações climáticas, um resultado muito modesto.
(…)
A
criação deste fundo só será relevante se forem criados mecanismos que garantam
contribuições financeiras significativas e justas, e se for de facto aplicado
nos países que mais sofrem com as alterações climáticas.
(…)
[Grande parte dos países
em desenvolvimento vêem os esforços em controlar as suas emissões
climáticas] como uma injusta estratégia para impedir que
eles próprios tirem agora partido dos combustíveis fósseis para se
desenvolverem, como fizeram os países atualmente ricos.
(…)
É
muito difícil conseguir a colaboração de países em desenvolvimento tendo essa
narrativa como pano de fundo, especialmente quando é agressivamente explorada
pelas empresas e países produtores de petróleo.
(…)
A
COP27 teria tido muito mais sucesso se a narrativa dominante fosse de que a
energia verde é, de facto, a via mais rápida, barata e segura para o
desenvolvimento e criação de riqueza.
(…)
Outra
questão que envenenou as negociações foi a quebra do compromisso anteriormente
assumido pelos países ricos em contribuir com 100 mil milhões de dólares por
ano para um fundo de apoio aos países mais pobres, para que adotem soluções
energéticas que minimizem as emissões de gases com efeito de estufa.
(…)
Esta
falha no apoio à generalização das energias limpas em países em desenvolvimento
tem como infeliz consequência a inexistência de exemplos de sucesso.
(…)
É
importante vincar que o apoio direto à redução de emissões nos países em
desenvolvimento exige verbas importantes, mas infinitamente menores do que as
necessárias para compensar as consequências de um agravamento da situação
climática.
(…)
E é
certo que os produtores de petróleo vão prosseguir na sua estratégia de
bloquear o progresso das ações focadas na redução do consumo dos combustíveis
fósseis.
(…)
É
essencial investir em acordos bilaterais que apoiem a instalação de tecnologias
de produção de energia limpa em países em desenvolvimento.
Jorge Palmeirim, “Público” (sem link)
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