quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

CITAÇÕES À QUARTA (31)

 
Augusto Santos Silva atirou-se aos defensores do alargamento do direito de voto aos maiores de 16 anos, caracterizando a proposta como “palavreado paternalista”.

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[O direito de voto aos 16 anos] serve para que a opinião de alguém de 16 anos valha exatamente o mesmo que a de Santos Silva, no que à escolha do poder político eleito diz respeito. 

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Se aos 16 anos podemos trabalhar e pagar impostos, se podemos ser responsabilizados criminalmente e mobilizados em caso de guerra, por que não havemos de ter a correspondente voz e o poder real do voto.

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As crianças e os jovens não são apenas o futuro. São o presente e já têm afirmado a sua condição de cidadãos.

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Eles sim, desafiaram o paternalismo larvar.

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Ainda bem que perturbam e acossam o cinismo da realpolitik e do conformismo produtivista, que interrompem o regular funcionamento da ordem das coisas.

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[O direito ao voto é] um possível instrumento dos jovens para condicionarem e para transformarem essa política que existe.

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Os jovens devem ter poder de decidir sobre como se organiza a sua vida e as instituições em que participam. 

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Devem ter capacidade de fazer valer as suas reivindicações.

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A questão do voto aos 16 não seria sequer uma inovação nacional.

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Em Portugal, o voto aos 16 já teve adeptos em quase todos os partidos.

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A ideia de que uma pessoa de 16 anos deve ser tratada como cidadã pelo fisco, pelo patrão e pelas forças armadas, mas que não o seja aos olhos da democracia é, essa sim, de um insuportável paternalismo. 

José Soeiro, “Expresso” online

 

Como se provou nestes dias, é um risco para a democracia entregar a um milionário [Elon Musk] o controlo sobre uma empresa dominante num segmento de redes sociais.

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Que o homem [Trump] pareça alucinado, isso não é novidade.

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Que ache que um golpe de mágica pode passar por cima da certificação das eleições por todos os estados (…) já é revelador de uma forma de ver o poder.

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[Tal espalhafate] é uma revelação tanto da degradação vertiginosa do espaço político dominado por esta nova direita, como do que o seu poder pode vir a arrastar.

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Se lhe dissessem na semana passada que, logo depois de lançar a sua campanha presidencial, Trump exigiria o fim da Constituição do seu país (…) diria que se tratava de uma anedota.

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Não é uma anedota, é a vontade de quem já foi presidente dos EUA e quer voltar a sê-lo.

Francisco Louçã, “Expresso” online

 

A degradação do sistema de ensino começou com Maria de Lurdes Rodrigues, a 12 de Março de 2005, e tem vindo num contínuo de responsabilidade partilhada, ao qual, com arredondamentos de pequena monta, 13 anos cabem ao PS e quatro ao PSD.

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[O discurso do passado dia 29 do ME foi] de recuo em termos de propostas e calculista no que toca à manipulação e à adulteração do que tinha dito antes, para desmobilizar e confundir os mais indignados.

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Cotejando as duas intervenções, parece-me cristalina a conclusão: foi o ministro da Educação que, no momento dois, disse que o ministro da Educação tinha mentido no momento um.

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Vivemos num país onde as condições de trabalho dos professores têm vindo a ser gradual e crescentemente espezinhadas desde 2005, sem indignação suficiente e eficaz dos próprios, nem expectável sobressalto dos demais cidadãos.

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São em minha opinião colaboracionistas com o poder todas as lógicas que isolem ou abafem os que queiram sair dos conhecidos rituais dos sindicatos do sistema.

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No fim, o ministério ganha e os sindicatos também: o primeiro por ter pregado mais um prego no caixão; os segundos por terem “evitado o pior”. Só os professores perdem.

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Em vez de promover avanços, os sindicatos do sistema contentam-se com atrasar os retrocessos.

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João Costa tem nesta doce oposição sindical um instrumento importante para disfarçar a mediocridade da sua acção.

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Numa luta de professores por melhores condições de trabalho e melhor escola pública, só há um lugar aceitável, se não quisermos ser grãos para moinho: ao lado deles!

Santana Castilho, “Público” (sem link)

 

Ainda que com intensidade variável, dependente de contextos políticos e sociais, esta onda de urgência [na ação climática] chegou já a todos os cantos do Mundo.

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Mesmo que todos os países respeitem os compromissos até agora assumidos para reduzir as emissões de gases causadores das alterações climáticas, a redução global será claramente insuficiente para evitar que seja ultrapassado o limiar de aquecimento a partir do qual as suas consequências serão muito agravadas.

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Perante estes avisos, e a grande preocupação da Sociedade, seria legítimo esperar que na COP27 fossem tomadas decisões importantes no sentido de reduzir substancialmente as emissões de gases com efeito de estufa, mas tal não aconteceu.

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O único resultado importante desta cimeira foi a criação de um fundo para a compensação de danos e perdas resultantes das alterações climáticas, um resultado muito modesto.

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A criação deste fundo só será relevante se forem criados mecanismos que garantam contribuições financeiras significativas e justas, e se for de facto aplicado nos países que mais sofrem com as alterações climáticas.

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[Grande parte dos países em desenvolvimento vêem os esforços em controlar as suas emissões climáticas] como uma injusta estratégia para impedir que eles próprios tirem agora partido dos combustíveis fósseis para se desenvolverem, como fizeram os países atualmente ricos.

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É muito difícil conseguir a colaboração de países em desenvolvimento tendo essa narrativa como pano de fundo, especialmente quando é agressivamente explorada pelas empresas e países produtores de petróleo.

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A COP27 teria tido muito mais sucesso se a narrativa dominante fosse de que a energia verde é, de facto, a via mais rápida, barata e segura para o desenvolvimento e criação de riqueza.

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Outra questão que envenenou as negociações foi a quebra do compromisso anteriormente assumido pelos países ricos em contribuir com 100 mil milhões de dólares por ano para um fundo de apoio aos países mais pobres, para que adotem soluções energéticas que minimizem as emissões de gases com efeito de estufa.

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Esta falha no apoio à generalização das energias limpas em países em desenvolvimento tem como infeliz consequência a inexistência de exemplos de sucesso.

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É importante vincar que o apoio direto à redução de emissões nos países em desenvolvimento exige verbas importantes, mas infinitamente menores do que as necessárias para compensar as consequências de um agravamento da situação climática.

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E é certo que os produtores de petróleo vão prosseguir na sua estratégia de bloquear o progresso das ações focadas na redução do consumo dos combustíveis fósseis.

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É essencial investir em acordos bilaterais que apoiem a instalação de tecnologias de produção de energia limpa em países em desenvolvimento.

Jorge Palmeirim, “Público” (sem link)


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