sábado, 5 de janeiro de 2013

REVISITAR O BPN


Não se trata de um pesadelo – essa é a verdade – mas parece. Como é possível explicar ao comum dos portugueses que não há dinheiro para a educação, para a saúde e para apoios sociais básicos, e quando aparece um banco privado em situação de pré-falência aí está logo o Estado a segurar a referida entidade com o dinheiro dos contribuintes. Afinal há dinheiro ou não há? Não tenhamos dúvidas em afirmar que sim mas não é para todos. Apenas os filhos do sistema podem gozar o privilégio de ter um poder que lhes é afecto e que está sempre disposto a dar-lhes a mão em caso de aflição. Os restantes, a imensa maioria são os enteados. Ou seja, as leis do mercado funcionam quando dá jeito mas, em caso de necessidade passa-se por cima delas, sempre em benefício dos mesmos. Quando o Banif se safar lá será outra vez entregue às mãos dos privados, caso contrário, cá estão os contribuintes a arcar com os prejuízos. É um velho lema a funcionar em pleno: socialização dos prejuízos e privatização dos lucros. Podemos estar perante um novo caso BPN.
O seguinte texto que Nicolau Santos hoje assina no Expresso Economia ajuda-nos a completar este raciocínio.


E AGORA O BANIF…

No último dia do ano, o Governo decidiu injetar no Banif €1,1 mil milhões. O apoio insere-se no plano de recapitalização do banco fundado por Horácio Roque e vai levar a que, para já, o Estado fique com 99,2% do capital do Banif. A isto chama-se nacionalização. Ou seja, os contribuintes tornam-se de novo donos de um banco, como já tinha acontecido com o BPN de má memória. É claro que há o compromisso que dentro de seis meses os privados arranjem €450 milhões e, através de um aumento de capital, a posição pública se reduza para 60%. Para já, só estão garantidos €150 milhões. O presidente executivo, Jorge Tomé, tem provas dadas. Mas esta jogada é de alto risco. Quando se chega a uma situação destas, a pergunta é se não seria melhor fechar o banco – ou propor que outros bancos o adquirissem. Assim, mais uma vez a batata quente está do lado dos que pagam impostos. E a pergunta é sempre a mesma: se há dinheiro para isto, porque não há para necessidades sociais bem mais imperiosas?

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