O organizador e prefaciador [Cavaco
Silva] passa-nos o essencial do argumento da obra: cumprir sem pestanejar os
ditames de Bruxelas é o maior dos desígnios nacionais, e isso há de ser assim
até 2035.
(…)
Para ser best-seller, 2035
alimenta-se da ficção de que o presente de horror súbito só pode dar lugar a um
futuro de horror permanente.
(…)
Consenso, afinal, há. Mas é
para evitar que 2035 se cumpra como horror.
O Manifesto pela
reestruturação da dívida já valeu muito pela agitação que desencadeou no
pântano das inevitabilidades.
(…)
A 17 de maio não estaremos no
fim do percurso, mas sim no fim de uma etapa de um longo percurso de
empobrecimento e incapacitação do país.
(…)
O primeiro-ministro pode
mesmo começar por explicar as duras medidas que tem escondidas até às eleições
europeias.
(…)
"Todos sabemos que a
dívida não pode ser paga até o último tostão" - dizem em privado os mesmos
que mandam calar quem o reconhece abertamente -, "há verdades que não
podem ser ditas porque os mercados se zangam".
O manifesto revela que o
único consenso transversal existente hoje na vida pública portuguesa, é
exactamente aquele que põe em causa a actual política do Governo e dos seus
apoiantes.
Pacheco Pereira, Público (sem
link)
Há quem veja a pressão de uma
dívida impagável e de metas impossíveis como um excelente instrumento para imposição
de um programa político.
Daniel Oliveira, Expresso (sem
link)
Para termos níveis de dívida
sustentáveis em 2035, teremos um país económica e socialmente desfeito. E,
pior, teremos um regime político em escombros.
(…)
[O manifesto] talvez tenha
sido a prova que faltava de que há um amplo consenso em Portugal e que Passos
Coelho está mais isolado do que parece.
Pedro Adão e Silva, Expresso (sem
link)
O Banco de Portugal foi cego
no caso BPP, surdo no caso BPN e mudo no caso BCP. Só depois da revelação dos escândalos
se incomodou.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso (sem
link)
A gritaria que por aí vai
contra a “reestruturação honrada e responsável da dívida”, proposta pelo
Manifesto dos 70, vai cair por terra quando a nudez forte da verdade se impuser
ao manto diáfano da fantasia.
Nicolau Santos, Expresso Economia (sem
link)
Os 70 defendem aquilo que
aconteceu dezenas e dezenas de vezes em várias nações, nestes últimos anos:
reestruturar prazos, juros e montantes.
Joana Amaral Dias, CM (sem
link)
Parece evidente a necessidade
de se quebrar este consenso neoliberal, favorável à direita defensora do Estado
mínimo, enxertado na construção europeia e nas suas instituições.
André Freire, Público (sem
link)
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