Todas
as oportunidades para manifestarmos a nossa solidariedade para com o povo mártir
palestiniano não são demais, tendo em atenção que constituem um pequeno
contributo para evitar o seu extermínio pelos ocupantes israelitas do
território que legalmente lhes pertence. Trata-se de uma situação conhecida e inadmissivelmente
tolerada por toda a comunidade internacional, com os Estados Unidos à cabeça.
Também não é demais repetir que todas as resoluções da ONU – e não foram poucas
– condenando a ocupação israelita do território palestiniano foram olimpicamente
ignoradas pelos sucessivos governos judaicos, mais uma vez, com a complacência norte-americana.
É uma situação intolerável e sem qualquer cobertura pelo direito internacional.
Dar
a voz ao embaixador palestiniano, Hikmat Ajjuri, publicando aqui um texto por
ele assinado no Público, é um acto de pura justiça na denuncia das atrocidades
cometidas pelo governo israelita.
A
revolta palestiniana que emergiu a Outubro do ano passado, na Jerusalém
Oriental ocupada, é o resultado natural de 57 anos de perseguição a
palestinianos pelas forças de ocupação israelita; exército e colonos. Este
facto foi, directa e indirectamente, afirmado por muitos políticos no mundo,
incluindo o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Kin-moon.
Na
terça-feira 26/1/16, o Sr. Ki-moon disse que a resposta da juventude
palestiniana à ocupação israelita, como qualquer resposta à ocupação, faz parte
da "natureza humana". Acrescentou também que a "frustração
palestiniana está a crescer sob o peso de meio século de ocupação e da
paralisação no processo de paz." Dizendo que a "Ocupação, muitas
vezes, serve como uma incubadora potente de ódio e extremismo".
Esta
verdade incontestável foi enganosamente respondida pelo Primeiro-Ministro
Israelita, Benjamin Netanyahu, que disse que as observações de Ki-moon
"incentivam o terrorismo."
As
cinco décadas de silêncio da Comunidade Internacional perante todos os crimes
de Israel, o poder ocupante, contra os palestinianos foram interpretadas pelos
israelitas como um endosso dos seus crimes. Por outro lado, foram interpretadas
pelos palestinianos como complacência e traição da Comunidade Internacional aos
seus próprios valores e leis, como as leis do DIH criadas para servir as
legítimas aspirações de todas as nações, incluindo a palestiniana, para viverem
em paz, prosperidade e com dignidade nos seus próprios países soberanos.
Para
além desse silêncio vergonhoso, há uma indiferença por parte da Comunidade
Internacional perante, por exemplo, o assassinato de uma criança palestiniana,
a sangue frio, nas ruas da Jerusalém Oriental ocupada, ou perante o
atropelamento, por um Bulldozer israelita, da jovem americana, Rachel Corrie,
pelo seu protesto contra as atrocidades israelitas. Esta atitude da Comunidade
Internacional teve o efeito faísca na instabilidade e violência que atinge
todos os lados da região e agora além das fronteiras.
Qualquer
estratégia global da UE que vise sustentar a paz e prosperidade de todos os
europeus nunca terá sucesso enquanto essa estratégia não tomar em conta os
valores europeus.
Manter
o dedo da Europa a toda hora no gatilho, em nome da segurança e defesa, não só
é um processo muito cansativo, como também ficou provado ser uma abordagem
errada que não serve a uma estratégia europeia significativa.
A
democracia é um valor europeu que deve ser mantido, a fim de manter o sistema
europeu sano, seguro e construtivo. O silêncio europeu perante crimes realizados por uma suposta
democracia, "Israel", e perante o seu controle da vida dos
palestinianos contra o seu desejo e a sua vontade, é uma contradição total
deste valor.
Referência
importante da estratégia europeia é o reconhecimento, pelos líderes das democracias
ocidentais, incluindo os Estados Unidos, da opressão israelita de milhões de
palestinianos sob ocupação, algo que se tornou ferramenta de recrutamento
fulcral para o terror que se está a tornar pior que um cancro incontrolável.
Neste
contexto, vale a pena questionar se a actual coligação de sessenta países está,
verdadeiramente, a lutar contra o Daesh para acabar com o terrorismo, ou,
pelo contrário, não-intencionalmente ou por ignorância, está a fortalecê-lo.
Mesmo
sabendo das ferramentas utilizadas por este maldito terror para promover os
seus crimes, para recrutar “cérebros lavados” de jovens de todo o mundo, a
experiência com o Afeganistão e a guerra contra a Al-Qaeda provou que as
democracias ocidentais precisam rever as suas estratégias globais para manterem
os seus sistemas civilizados, cujos núcleos, são os direitos humanos e a
democracia. As novas gerações do mundo em desenvolvimento, incluindo o Médio
Oriente, já não têm medo de ditadores e aproveitam as tecnologias que fazem do
mundo uma pequena aldeia.
Nesta
aldeia, os valores humanos partilhados devem ser observados com base na
sabedoria de Martin Luther King "A injustiça em qualquer lugar é uma
ameaça à justiça em todo o lado".
Por
fim, inspira-me a corajosa atitude tomada pelo Ministro dos Negócios
Estrangeiros francês, Fabius, ao apelar a uma conferência internacional, como
meio não-violento de acabar com a ocupação militar israelita do Estado da
Palestina, que dura há décadas.
Talvez, tenha chegado o
momento de uma nova estratégia europeia que adopte esta iniciativa de paz
francesa, como alternativa eficaz ao poder militar que, até agora, só provou o
seu fracasso na guerra contra o terror.
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