terça-feira, 3 de dezembro de 2013

DISCURSO SEM CONSEQUÊNCIAS



O “histórico” ex-deputado “socialista” Manuel Alegre (MA) assina hoje no Público um artigo de opinião de grandequalidade literária (como não podia deixar de ser), com uma prosa muito transparente e de leitura muito fácil. Dá gosto lê-la mas não é neste ponto que merece ser comentada. Qualquer pessoa de esquerda, a sério, subscreve praticamente tudo o que lá está expresso, nas linhas e nas entrelinhas… O problema é sempre o mesmo em relação a Alegre; escreve em abundância prosas desta qualidade política – também – mas não tira consequências do que afirma. Pior do que isso, está a caucionar, no partido a que pertence, políticas inequivocamente de direita, ao mesmo tempo que faz parte, dentro do PS, de um grupo claramente em extinção. É de esquerda mas milita num partido capturado pela ideologia neoliberal. Não tenhamos qualquer dúvida de que o PS, uma vez no poder não levaria a cabo políticas muito diferentes das que Passos e Portas estão a concretizar, por maior que seja a retórica. As tomadas de posição de MA, com um discurso, sem dúvida anti-sistema, para depois dar o seu apoio, pelo menos implícito em momentos decisivos, a políticas de direita, acabam por perder o sentido e por deixar aos portugueses uma mensagem falsa. Qual foi a última vez que MA formulou uma crítica directa à linha política do seu partido? Recorde-se que, por exemplo, Helena Roseta retirou consequências políticas das suas tomadas de posição. 

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