quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
MAIS UM ANO DE DEGRADAÇÃO DO ENSINO PÚBLICO
No
cômputo geral a obra deste Governo traduziu-se numa estrondosa falha dos
objectivos que afirmava querer atingir embora as suas políticas se tenham
traduzido num brutal empobrecimento da maioria dos portugueses sem que isso
significasse uma diminuição do montante da dívida. Tamanho sacrifício não serviu
para mais do que pagar os juros da mesma.
No
último artigo de opinião assinado no Público em 2014, o Prof. Santana Castilho
(SC) repassa, em especial, a actuação de Nuno Crato e do ministério que dirige.
Como é óbvio, a apreciação de SC não é nada lisonjeira relativamente à actuação
do ministro e termina, descortinando alguns sinais de esperança que possam ser
trazidos por algumas eleições que este ano se irão realizar em vários países
europeus, a começar pela Grécia já daqui a menos de um mês.
É
obra a que este Governo, marcado pela arrogância e contumaz na mentira,
produziu em três anos e meio de desgoverno: um empobrecimento e uma emigração
sem paralelo recente, finanças e economia centradas na transferência de capital
para o estrangeiro e, sobretudo, um sistema de ensino público em desagregação,
dilacerado pelo retrocesso inimaginável, fria e calculadamente promovido,
medida após medida.
O
lapso da funcionária da Escola Secundária Alberto Sampaio, de Braga, quando em
dia de Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades, vulgo PACC, tratou
professores vexados por “meninos” e lhes ordenou que fizessem “fila indiana sem
stress”, tem o valor simbólico de
um triple play: a natureza ideológica de
uma política, o claudicar de uma classe profissional e a baixeza de um
ministro.
Em
três anos e meio desta legislatura foram retirados ao financiamento do ensino
público 3.294 milhões de euros e despedidos colectivamente 30.464 professores.
O ano de 2014 destaca-se do conjunto por ter exacerbado os dois ódios de
estimação de Nuno Crato: a escola pública e a Ciência, onde, de uma penada e
com uma avaliação trapaceira, foi liquidado o trabalho criterioso de Mariano
Gago. Alguns episódios, de entre tantos, merecem destaque no balanço do ano,
por reveladores de um modo de estar e fazer política.
Quando,
presente o contexto acima referido, Nuno Crato aceitou que o ensino público
fosse penalizado com mais um corte de 700 milhões de euros no orçamento de
Estado de 2015, logo se apressou (portaria n.º 269/2014 de 19 de Dezembro) a
garantir que o financiamento público do ensino privado não fosse beliscado com
qualquer corte.
Quando
alunos e professores sofriam com o escândalo do pior lançamento de ano lectivo
de que guardamos memória, o responsável primeiro por tanta incompetência saiu
de cena. Foi para Milão, para uma reunião informal sobre… telecomunicações. Remake de pequena monta do que já
havia feito aquando da sétima avaliação da troika,
altura em que se ausentou três semanas. Coisa de somenos se comparada com as
quatro voltas ao mundo que deu no ano em apreço. Nada, se tivermos em vista que
em estudos e pareceres gastou por mês mais que um milhão de euros. Só por
inércia institucional se continua a dar o título de ministro da Educação a quem
se tem revelado um vulgar factotum capturado
por interesses que não os da Educação pública.
Acabado
de sair de um período de resgate financeiro, sujeito a imposições de políticas
por parte de organismos estrangeiros, Portugal está confrontado, no início de
2015, com números avassaladores. O volume dos juros pagos aos credores nesta
legislatura (28.528 milhões de euros) é quase idêntico ao volume obtido com o
corte da despesa pública mais o aumento de impostos (28.247 milhões de euros).
Dito de outro modo, o empobrecimento brutal da maioria dos portugueses serviu
só para pagar juros, sem que um cêntimo tenha sido abatido ao montante da
dívida.
Em
três anos de aplicação de uma receita que não conseguiu cumprir um só dos seus
múltiplos objectivos, a dívida da administração pública cresceu à razão média
de 23.236 milhões de euros anuais, ou seja, aumentou 69.708 milhões de euros.
O
grande problema, que tudo condiciona, é, assim, o da dívida pública, sobre o
qual urge o diálogo e urgem os compromissos. É mister abandonar de vez as
lógicas maniqueístas para que tendem as forças partidárias e explorar as
vertentes intermédias e alternativas, sendo certo que, com a dimensão que tem e
o crescimento económico que não temos, a dívida não é sustentável. Não adianta
persistir no “custe o que custar”, que nos trouxe à exaustão, ou menosprezar,
no outro extremo, as consequências da saída do euro. Chega, por uma ou outra
via, de atirarmos fantasias contra a realidade. Concedo que a particularização
do problema tem complexidades para especialistas em políticas monetárias e
macroeconomia. Mas não precisamos de pertencer a essa elite para ver,
claramente, que a nossa desejada consolidação orçamental é escrava de uma
solução europeia multilateral para o problema das dívidas soberanas.
Perante
a nossa incapacidade política para equacionar cenários racionais de actuação,
talvez que as próximas eleições antecipadas gregas (decididas no momento em que
escrevo), e as regulares que acontecerão no Reino Unido e em Espanha, se juntem
às nossas (assim os portugueses ignorem a maldição de Natal de Passos Coelho)
para alterar o mapa político europeu e, assim, derrogar a feição sacra do
Tratado Orçamental e do Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Sobrevivemos em 2014.
Precisamos de ter esperança no futuro e retomar capacidade de reagir para
voltarmos a viver. Que renasça o orgulho profissional dos docentes. Que os
professores se consciencializem de que o poder, particularmente o opressivo, só
se exerce sob consentimento daqueles que lhe obedecem.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
O DEPAUPERAMENTO DO ESTADO DE DIREITO
É
cada vez mais óbvio para o cidadão comum que vivemos num estado de direito
depauperado sendo que esta designação é, em muitos casos, benigna relativamente
à realidade que constatamos todos os dias. Pior do que nos serem negados direitos
é verificarmos as “reticências” que o poder coloca ao exercício daqueles que
estão consagrados em lei. Muitas vezes é a contragosto que a lei é cumprida e,
mesmo nestes casos, como se se tratasse de uma regalia que não devia ser
usufruída. É a própria democracia que está em perigo.
Quando
não há recursos suficientes para entravar o exercício de um direito democrático,
existe sempre à mão o recurso ao sacrossanto humor do deus mercado que não pode
ser ferido sob pena de caírem sobre nós as mais dolorosas catástrofes. Uma
manobra deste tipo surte ainda melhor efeito se for acompanhada por uma bem
urdida campanha de intoxicação da opinião pública como aconteceu recentemente
perante a greve dos trabalhadores da TAP.
O
texto seguinte foi retirado de um artigo de opinião, inserido no Público de
hoje, em que o seu autor (*) aborda com muito a propósito os entreves inadmissíveis
que o cidadão comum encontra no exercício dos seus direitos.
Escrevi
aqui um artigo que designei de “A prisão preventiva de um e dos outros”. A
minha perspectiva sobre os direitos, liberdades e garantias fundamentais.
Observaram-me que eu lembrava o Velho do Restelo. Tratava sempre de direitos,
liberdades e garantias. Ou para aí caminhava. Versasse outros assuntos mais
actuais.
Muita
gente pensa assim.
A
realidade demonstra que as liberdades públicas e os direitos são
sistematicamente maltratados. Os direitos não estão adquiridos e garantidos
definitivamente.
O
direito à Justiça é ainda uma miragem. Cidadãos presos preventivamente são
acusados publicamente de factos gravíssimos. São impedidos de se defender
publicamente, como a lei prevê. Só têm direito a ser acusados!
Os
despedimentos, “mobilidade especial” e “requalificação profissional” sobrelevam
o direito ao trabalho e justo salário. Os direitos sociais são postergados para
o arquivo do inútil por um Governo sem lei. Mulheres são assassinadas às
dezenas cada ano. Milhares de jovens emigram e estão desempregados. Crianças
aos milhares estão ao abandono e desamparo. Os mais velhos, “memória de um
povo”, são olhados como um fardo social. Tidos por um problema pelo
primeiro-ministro: “Eu não tenho nenhum problema com os reformados. O país é
que tem”.
Responsáveis
pela crise política, económica e social são os velhos que não morrem. Os
desempregados e os jovens que não querem trabalhar. As mulheres maltratadas que
se põem a jeito. Os meninos pobres dos subúrbios que não deviam ter nascido.
O
direito a uma vida digna, que todos deveríamos ter, foi e está posto em causa.
Vive-se e trabalha-se para saciar a voracidade fiscal. Sugados de impostos até
à alma.
As
pessoas e questões sociais não integram o território da política e
governança. Têm outros interesses e projectos. Mercadejar a granel as empresas
do Estado aos “investidores institucionais”. Cumprir ordens do “deus dinheiro”
ora dito mercados. Tributar-nos como vampiros. Só a conversa está a mudar. As
eleições estão aí. O Governo não quer que o seu poder “se lixe”.
Os
poderes raro negam os direitos. Têm sempre é reticências.
Direito
de defesa, sim. Mas em “papel selado”, com todas as mesuras e excelências. Com
as regrinhas do regulamento. Direito ao trabalho, sem dúvida. Só que o
Estado e empresas estão hipotecados até à medula. Direito à greve, sem
reservas. É constitucional. No momento, é inoportuna, injustificada, causa
prejuízos e transtornos. É política. Reformas e pensões , incontestáveis. Mas a
Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações estão falidas. Mulheres
assassinadas é crime execrável. É com os tribunais, de quem se espera “pena
exemplar”. Crianças ao abandono é problema das famílias pobres dos bairros
sociais que são beneficiadas com subsídios chorudos.
O
exercício da liberdade e direitos é um caminho longo e constante a percorrer.
Martin Luther King não o esqueceu: “O que me preocupa é o silêncio dos bons”.
Por isso o assassinaram.
(*) Alberto
Pinto Nogueira, Procurador-geral adjunto
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
REUNIÃO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE PORTIMÃO (16/12)
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda apresentou
na reunião da Assembleia Municipal do passado dia 16 de Dezembro uma importante
moção sobre a municipalização do ensino que foi aprovada por maioria,
constituindo uma significativa vitória do Bloco.
ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE
PORTIMÃO
Moção
MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO
Como a comunicação social tem
noticiado, pretende o governo, já a partir do próximo ano letivo de 2014/15, caminhar
no sentido da municipalização do ensino, sendo preocupantes os pressupostos da
proposta apresentada a alguns municípios do país, reveladores de um
economicismo inadmissível, incentivando as autarquias com prémios de poupança
em docentes, por exemplo.
A progressiva municipalização da
Escola Pública tem sido uma opção crescentemente questionada em países onde foi
adotada, como a Suécia (onde o processo está a ser invertido) e o Reino Unido
(que estagnou sem resultados visíveis). Revelou ainda, nefastos e perversos
resultados em termos de igualdade de oportunidades e qualidade do ensino, pelo
acentuar de assimetrias entre escolas de diferentes municípios, do
descomprometimento do Estado no que se refere ao financiamento e
responsabilidades sociais, do reforço do controlo sobre as escolas e de um
aumento do clientelismo, do sentimento de insegurança e da desmotivação dos
professores.
A Assembleia Municipal da Portimão,
reunida em sessão ordinária no dia 16 de dezembro de 2014,
1.Manifesta
sua total discordância:
a)Quer sobre
a metodologia usada pelo Ministério da Educação e Ciência, com um secretismo
que não se adequa ao exercício da democracia e à revelia da Associação Nacional
dos Municípios Portugueses,
b)Quer com a utilização dos
professores como “moeda de troca” de uma hipotética viabilidade financeira dos
municípios envolvidos.
2.Rejeita qualquer alteração da
configuração da Escola Pública no Concelho de Portimão.
3.Que seja rejeitada, em absoluto, a
entretanto anunciada intenção do governo de transferência de qualquer
competência para os municípios relativos ao pessoal docente, designadamente
recrutamento, salários, carreiras, avaliação do desempenho, exercício da ação
disciplinar ou qualquer outra tutela.
Portimão, 16
de dezembro de 2014
O Grupo
Municipal do Bloco de Esquerda
Pedro Mota
Marco
Pereira
Elvira Meco
Observação: Moção aprovada por maioria, com 6
votos a favor (3 BE e 3 CDU), 4 votos contra (Coligação CDS/MPT/PPM) e 14
abstenções (10 PS e 4 PSD).
REUNIÃO DE ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE PORTIMÃO (15/12)
Em Portimão, o esbanjamento de dinheiro de
sucessivos Executivos Autárquicos liderados pelo PS levaram a que, neste
momento, se verifique um significativo estado de degradação e abandono de
muitos espaços públicos em todo o concelho, naturalmente, por falta de verbas
para os manter. Porém, deve ter-se em atenção que há equipamentos que, à falta
de manutenção poderão afectar a saúde pública e mesmo a integridade física dos
cidadãos para além de acarretarem custos acrescidos a curto e médio prazos.
Atentos a esta situação, os eleitos do
Bloco de Esquerda na Assembleia de Freguesia de Portimão apresentaram na última
reunião deste órgão autárquico a seguinte moção que foi aprovada por
unanimidade.
Assembleia de Freguesia de Portimão
Moção
Reabilitação dos jardins públicos de Portimão
Os jardins e parques públicos
da cidade de Portimão (como o do Largo da Estação, o do Largo Gil Eanes, o da
Alameda, o das Águas Livres ou o jardim junto à Fortaleza de Santa Catarina –
ver fotos anexas) têm vindo a sofrer um processo de abandono e degradação.
Se tal já é mau no caso da
ausência de cuidado com as plantas, é especialmente gravoso no caso de
equipamentos, como canalizações e instalações
elétricas, que, sem manutenção, podem se danificar irremediavelmente e vir a
ser necessária a sua substituição com custos acrescidos.
Assim,
a Assembleia de Freguesia de Portimão, reunida em sessão ordinária no dia 15 de
dezembro de 2014, apela às entidades competentes, nomeadamente à Câmara
Municipal, para que tomem medidas no sentido da reabilitação dos referidos
jardins.
Portimão, 15 de dezembro de 2014
Os membros eleitos pelo Bloco
de Esquerda
Miguel
Madeira
José
Porfírio
Célia
Alfarroba da Silva
Observação:
No caso da presente Moção ser aprovada, deverá se enviada uma cópia para a
Câmara Municipal e para o Presidente da Assembleia Municipal de Portimão.
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